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Eis as únicas três maneiras de se organizar uma economia
A mais popular é aquela que todos juram rejeitar

Existem três e apenas três maneiras de se organizar uma economia. Todas as outras são meras combinações e permutações destas grandes três.

Socialismo

Uma dessas maneiras é o socialismo, que é o total controle estatal dos meios de produção. O estado é dono, controla e administra as fábricas, as siderúrgicas, as indústrias, as empresas aéreas, as minas, todo o setor agrícola, as escolas, os meios de comunicação etc. 

Sim, você é o dono da sua escova de dente e das suas roupas de baixo. Dependendo da "benevolência" do estado, você pode até ter uma bicicleta ou até mesmo um carro. Mas você não pode utilizar nenhuma destas suas posses para propósitos comerciais. Você não pode vender nada em troca de dinheiro. Igualmente, você só pode trabalhar e produzir em empreendimentos controlados pelo estado. Preços e salários são determinados pelo estado. Lucros são proibidos. Tudo deve ser igualmente dividido entre tudo e todos.

União Soviética, Cuba, Coreia do Norte, a China de Mao Tsé-Tung, o antigo Leste Europeu e a atual Venezuela — todos tentaram este arranjo. O resultado é bem conhecido

Fascismo

Outro arranjo econômico possível é o fascismo. 

Nele, há propriedade privada dos meios de produção, mas é só um verniz. Krupp, Stuka, BMW, e Volkswagen eram empresas geridas privadamente sob o nazismo, mas apenas na teoria. Estes meios de produção eram tão intensamente regulados pelo estado, que, na prática, era como se o estado fosse seu real gerente.

Sob o fascismo, há controle de preços (não em todos os setores, mas nos "estratégicos") e é o governo quem decide o que pode e o que não pode ser produzido, quem pode e quem não pode empreender em determinadas áreas, e quem merece e quem não merece receber auxílios do estado. 

Ou seja, além de poder estipular, restringir ou regulamentar o modo como os meios de produção são utilizados, o governo também proíbe ou regula o acesso a determinados setores da economia. No extremo, pode estipular que apenas ele, o governo, tem permissão para incorrer em determinada atividade comercial.

Na prática, portanto, sob o fascismo, o estado proíbe os proprietários de investirem seus recursos onde e como bem quiserem.

As receitas das empresas são afetadas — positiva ou negativamente — por políticas governamentais como regulação de preços, subsídios diretos e indiretos, regime tributário diferenciado, políticas de compra de estoques excedentes, e todos os tipos de barreira à liberdade de entrada nos mercado.

Não são os consumidores que decidem o sucesso ou o fracasso de algumas empresas, mas sim o governo. É o governo quem garante fartas receitas àquelas empresas escolhidas para fazer obras públicas; quem ajuda aquelas empresas que estão em dificuldade; e quem socorre aquelas que foram à falência.

A esmagadora maioria das economias atuais são muito mais fascistas do que socialistas. Embora os governos continuem sendo os donos de estradas, parques, cursos d'água, escolas, livrarias, museus, vastas extensões de terra e empresas estatais, os governos não são os donos das fábricas, das indústrias e das fazendas. Os meios de produção estão majoritariamente em mãos privadas e há alguma liberdade para se comercializar esta propriedade privada.

Estes governos, no entanto, praticam pesadas e intensivas regulamentações. Além de praticarem, em intensidades diversas, as medidas citadas acima, a livre concorrência também é tolhida por vários tipos de restrição à entrada em vários setores da economia. 

Agências reguladoras determinam quem pode e quem não pode entrar em determinados mercados — como os setores bancário, aéreo, telefônico, elétrico, internet, TV a cabo, postos de gasolina etc.—, bem como quais serviços essas empresas selecionadas podem ou não ofertar, e quais preços podem cobrar. Subsídios e empréstimos subsidiados são destinados às empresas favoritas do governo, garantindo-lhes vantagens sobre concorrentes menores. Tarifas obstruem importações e garantem reservas de mercado para as empresas mais politicamente influentes. Altos tributos impedem que novas empresas surjam, cresçam e concorram com as já estabelecidas.

A liberdade de entrada de produtos estrangeiros no mercado doméstico é desestimulada ou mesmo impedida por meio de proibições, tarifas, quotas de importações, barreiras alfandegárias e barreiras não-tarifárias. O mesmo se aplica à entrada de potenciais empresas estrangeiras que possam rivalizar com empresas nacionais já estabelecidas em qualquer setor da economia.

Laissez-faire

O terceiro arranjo, obviamente, é o capitalismo laissez-faire, no qual o mercado — isto é, a livre interação entre consumidores, investidores e produtores — reina supremo.

Em um arranjo de estrito laissez-faire, todos os meios de produção são propriedade privada, e os proprietários têm total liberdade para utilizá-los da maneira que mais lhes aprouver, sem estipulações estatais, sem restrições e sem regulamentações (a única restrição óbvia é não agredir a vida, a propriedade e a liberdade de terceiros).

A demanda dos consumidores é o que realmente determina como estes meios de produção serão utilizados, e é ela quem determina os preços de tudo, inclusive da mão-de-obra.

A livre concorrência é plena. Não há protecionismos, privilégios, reservas de mercado, subsídios e restrições à entrada de indivíduos ou empresas em nenhum setor da economia e em nenhum tipo de mercado. Não há empecilhos burocráticos e não há agências reguladoras determinando quem pode e quem não pode entrar em um determinado setor. Qualquer empresa, de qualquer lugar do mundo, pode entrar livremente em qualquer área da economia para fornecer seus serviços.  

Há plena liberdade de comercializar com pessoas de todos os cantos do mundo, sem restrições governamentais, sem tarifas protecionistas. Qualquer indivíduo pode transacionar livremente com qualquer outro indivíduo de qualquer lugar do mundo.

O sucesso ou o fracasso de empreendimentos é determinado exclusivamente pelos lucros e pelos prejuízos destas empresas, os quais decorrem de sua capacidade de superar, no mercado, a concorrência das empresas rivais e de melhor satisfazer as demandas dos consumidores. Não há protecionismos, subsídios e nem programas de socorro a nenhum tipo de empresa falida, inclusive bancos.

Finalmente, o governo é restrito a níveis locais e sua atividade consiste unicamente em proteger a vida, a liberdade e a propriedade das pessoas.

Nas versões moderadas, há alguma propriedade e controle estatais, mas muito pouca. Os exemplos mais próximos incluem Hong Kong (antes da atual investida chinesa), Cingapura, Suíça e elementos dos EUA e do Reino Unido do século XIX.

As correlações empíricas entre liberdade econômica e prosperidade demonstram que "a riqueza das nações" é maximizada sob os arranjos econômicos que mais se aproximam deste sistema.

O que realmente temos

Atualmente, o arranjo dominante ao redor do mundo é aquele que combina alguns poucos elementos do laissez-faire com a uma maioria dos elementos do fascismo.

Sim, a maioria dos arranjos econômicos atuais é majoritariamente fascista. E é defendido com grande entusiasmo exatamente por aqueles que se dizem anti-fascistas.

O atual Partido Democrata americano, por exemplo, não é socialista no sentido clássico. Ao menos até agora, o Partido não está agitando por uma maciça estatização dos meios de produção. Na prática, o Partido Democrata é economicamente fascista, e combina sua defesa da economia fascista com elementos pontualmente socialistas, como uma forte ênfase em redistribuir tudo (que não esteja imobilizado) dos ricos para os pobres. 

Já os países nórdicos, ao contrário da crença popular, não apenas não são socialistas, como estão entre as nações que mais se aproximam da livre iniciativa. Eles estão no maior quintil — aliás, quase sempre, no maior decil — do ranking dos países que apresentam a maior liberdade econômica em termos práticos (veja todos os detalhes aqui, aqui, aqui e aqui).

Um arranjo fascista bastante popular entre os social-democratas

Uma mescla muito comum entre socialismo e fascismo resulta nas parcerias público-privadas, que nada mais são do que arranjos que combinam infraestrutura controlada pelo estado e construída com dinheiro privado.

Defensores das PPPs parecem não se dar conta de se tratar de uma variedade de fascismo econômico combinada com elementos abertamente socialistas.

Uma parceria público-privada nada mais é do que um arranjo no qual políticos escolhem seus empresários favoritos para gerenciar um determinado setor (saneamento, por exemplo), e estes empresários, como consequência, passam a atuar em uma área totalmente protegido pelo estado contra a entrada de concorrentes, transformando-se na prática em uma reserva de mercado para essas empresas.

Na prática, uma PPP é simplesmente isso: a criação de uma reserva de mercado, garantida pelo estado, para os empresários favoritos dos políticos. Trata-se de um arranjo criado apenas para beneficiar aquelas empresas que têm fortes conexões com o estado, e que passam a usufruir uma reserva de mercado garantida pelo estado. 

Por serem protegidas pelo estado, e por não terem nenhuma concorrência, seus preços são altos e a qualidade dos serviços quase sempre ruins.   

Uma das consequências diretas deste arranjo é a inevitável insatisfação do público, o que tem levado vários países a reestatizarem por completo vários serviços até então concedidos por este modelo de Parceria Público-Privada.

Infelizmente, muitos liberais e conservadores que defendem a liberdade econômica já caíram no erro de defender PPPs. Em vez de defender a total desestatização da infraestrutura, eles defendem uma cooperação entre governo e empresas privadas, tudo financiado pelos impostos dos trabalhadores e empreendedores — e ainda o fazem acreditando que estão defendendo a livre iniciativa.

Conclusão

Ainda em 1929, em em sua coleção de ensaios intitulada Uma Crítica ao Intervencionismo, Ludwig von Mises escreveu:

Quase todos os teóricos de política econômica e quase todos os estadistas e líderes partidários estão procurando um sistema ideal que, em suas crenças, não deve ser nem capitalista nem socialista, e que não se baseie nem na propriedade privada dos meios de produção e nem na propriedade pública.  

Estão procurando um sistema de propriedade que seja restrito, regulado e dirigido pela intervenção governamental e por outras forças sociais, como os sindicatos. Denominamos tal política econômica de intervencionismo, que vem a ser o próprio sistema de mercado controlado.

Continuamos neste mesmo debate até hoje.


autor

Walter Block
é membro sênior do Mises Institute e professor de economia na Loyola University, Nova Orleans.


  • Bluepil  17/05/2021 18:49
    Ótimo artigo, porém eu, como libertário, tenho uma crítica para ele:

    Existem 3 sistemas de planejamento econômico: Aquele que tem respeito pleno á propriedade privada (Livre-mercardo), aquele que tem desrespeito pleno á propriedade privada, e na qual o Estado passa a ser seu absoluto controlador e planejador (Socialismo), e aquele que é uma combinação dos dois, e pode variar em sua dosagem, mas basicamente é o sistema onde o Estado ganha o poder de confiscar/roubar propriedades e bens, e passa a poder classificar uma propriedade específica como pública ou não pública, além de também poder decretar tudo que quiser, desde á vida ou morte de alguém, até quem irá receber tal subsídio. Ou seja, é o sistema na qual o Estado não necessariamente precisa respeitar á propriedade privada, mas não é nenhum dos dois extremos (Capitalismo de estado), e eu acho meio erraneo classificar o fascismo como á principal imagem desse terceiro sistema, sendo que ela é apenas uma variante dela. Até porque esse terceiro sistema não possui um nome definitivo, pois às dosagens variam muito, mas ainda há uma certeza: Nesse sistema, o estado regulariza e intervém no capitalismo, logo, nada mais correto do que classifica-lo como capitalismo de Estado.

    Logo, é como se o autor tivesse feito isso apenas para apontar uma contradição por parte dos progressistas, e eu acho meio erraneo se limitar á algo assim em um trabalho feito supostamente para explicar algo não muito bem classificado e definido.
  • Kersey  17/05/2021 19:12
    Prezado, não entendi muito bem seu comentário. Você disse que ia apresentar uma nova rotulagem, mas acabou repetindo exatamente os mesmos conceitos do artigo (apresentando apenas rótulos mais rebuscados).

    Sim, há apenas três arranjos bem definidos: livre mercado pleno, socialismo e fascismo. Todo o resto são misturas destes três arranjos. Não há exceções. Não existe um quarto sistema que seja original e que não pega elementos nenhum destes três arranjos.
  • Bluepil  17/05/2021 19:29
    Ora, minha crítica era exatamente essa: Apresentar os mesmos rótulos, porém com um nome diferente para o terceiro sistema, pois definir o nome do sistema intervencionista, que é supostamente algo extremamente velho que já existe há milênios, por um nome de um governo que só foi passar a existir no século passado, que é o governo fascista de Mussolini, com apenas o objetivo de apresentar uma contradição por.parte dos esquerdistas, me parece algo muito erraneo, e limita muito esse tema, ainda mais em um assunto que é tão mal definido atualmente no mundo.

    Ao invés disso, "Capitalismo de Estado" é muito mais auto-explicativo. Agora eu não sei se eu falhei em me expressar, ou se você falhou em interpretar minha crítica, até porquê eu nunca falei quê iria apresentar uma nova rotulahem.
  • Túlio  17/05/2021 19:35
    Já eu acho que o nome "capitalismo de estado" é péssimo. Capitalismo pressupõe tomada de riscos e privatização dos lucros e prejuízos.

    Já este arranjo que passou a ser chamado de "capitalismo de estado" socializa os prejuízos e praticamente zera os riscos assumidos por empreendedores (que agora passam a operar protegidos pelo estado).

    Este rótulo (capitalismo de estado) é uma total queimação de filme para o capitalismo. Chamá-lo de "intervencionismo" (ou, melhor ainda, fascismo) é muito mais tecnicamente correto. Não é meritório adotar nomes que, além de tecnicamente incorretos, ainda entregam de bandeja ao inimigo argumentos que ele precisa para ele criticar um arranjo que ele odeia.
  • Bluepil  17/05/2021 19:57
    Prezado Túlio, sinceramente, você não conseguiu mudar em nada á minha opinião sobre o nome "Capitalismo de Estado" ser o melhor e mais técnico nome para o sistema intervencionista de planejamento de Econômia, pois o capitalismo significa: Uma sociedade na qual há empreendorismo e propriedade privada. Logo, nada mais certo que classificar esse sistema como "capitalismo de grau estatal" ou "capitalismo de estado", pois esse sistema, que e o capitalismo, está sujeito á receber ordens por parte do Estado.

    Mas mesmo assim eu entendi e concordo com seu ponto final, que é o de que utilizar fascismo no lugar de capitalismo de Estado é muito mais fácil para se utilizar como propaganda anti-esquerda e pró-libertarianismo, já que nós estamos atacando diretamente á ferida esquerdista, que são suas contradições, mas ainda sim isso não desmerece em nada meus argumentos.
  • Bernardo  17/05/2021 20:02
    Se você adota um arranjo em que o estado escolhe vencedores e perdedores, protege determinados empresários, repassa subsídios, e socializa prejuízos, você simplesmente aboliu o fator "risco" do arranjo. E ainda acabou com a soberania dos consumidores. Mais: colocou em risco a propriedade privada de todos (exceto a dos empresários amigos do estado).

    Isso é qualquer coisa, menos capitalismo.
  • Bluepil  17/05/2021 20:28
    E desde quando eu disse quê isso é um capitalismo pleno, Bernado? Eu disse quê isso é um capitalismo regularizado e dominado pelo Estado, não vice-versa, por isso o "Capitalismo de Estado", um arranjo na qual o Estado decide qual capitalista será o vencedor e qual será o perdedor, qual empresário será espoliado e qual empresário receberá o espólio, qual setor será monopolizado e qual não será, qual produto será considerado "essencial" e qual não será.

    Mesmo utilizando á definição "Sistema que permjte o direito de propriedade" ainda podemos chegar á mesma conclusão quanto ao sistema atual, pois atualmente é o Estado que define quem pode ter propriedade e quem não pode, logo, "Capitalismo de Estado".

    Sinceramente já estou ficando enjoado de repetir á mesma coisa, irei parar de responder aqui.
  • vilson  22/09/2021 12:50
    ou é capitalismo ou é de estado
  • Paulo  17/05/2021 19:16
    Pergunta: é necessário existir um estado (por menor que seja) para se ter um livre mercado?
  • Jalaska  17/05/2021 19:23
    A abolição de estado ajudaria bastante, é claro, mas é possível haver livre mercado pleno mesmo com estado.
  • Guilherme  17/05/2021 19:30
    Na verdade não, porque para um estado ter poder ele necessariamente precisa ter o monopólio da força.
  • David  17/05/2021 19:40
    Mas se os meios de produção estão em mãos privadas, o uso da força estatal está, por definição, restrito.
  • Alfredo  17/05/2021 19:47
    Como assim?
  • David  17/05/2021 19:51
    Entendo que o objetivo seja um debate anarcocapitalista (a qual também é minha filosofia), porém, em termos econômicos, o que interessa é quem detém os meios de produção, inclusive de segurança e justiça.

    Os meios de produção dos bens da segurança estão em mãos privadas. São empresas privadas que produzem armas, munições, coletes, câmeras de segurança, carros de polícia, cercas elétricas, alarmes etc. A questão é se o estado permite que cidadãos comuns possam adquiri-lo.

    Quanto à Justiça é mais complicado, pois não há exatamente um meio de produção físico, mas sim intelectual. Fora isso, computadores e papeis (meios de produção onde são produzidos as ordens judiciais) são de fabricação privada.
  • Bluepil  17/05/2021 20:14
    Como assim, David? Não é porque os meios de produção de bens estão em mãos privadas que, o poder estatal está restrito, essa afirmação, aliás, não faz sentido, e esse seu segundo comentário só me deixou mais confuso.

    Mas tentarei deduzir o quê você disse: Quê, quando todos os meios de produção então em mãos privadas o governo não tem poder algum.

    O problema dessa afirmação, é que ela ignora que o estado não necessariamente precisa deter qualquer meio de produção para existir, mas sim um órgão, á condição financeira e o poder coercivo necessário para tornar seus decretos obrigatórios aos cidadãos.

    Se eu aponto uma arma na sua cabeça, e te mando fazer alguma coisa, eu já estarei regulando á sua vida.

    O grande problema do Estado atual, é que á própria população apoia sua existência, e encara seu dinheiro espoliado e roubado meramente como uma verba necessária para manter o estado de coisas funcionando, ou seja, essas pessoas pensam que o Estado é essência para se trazer segurança, prosperidade e justiça á sociedade.

    E essas pessoas só pensam assim porque receberam lavagem cerebral desde ás suas infâncias
  • Pedro B.  17/05/2021 19:17
    O mercado é tão fantástico que té mesmo em mercados regulados e fechados pelo governo é possível haver concorrência (mesmo que sufocada). Aqui na minha cidade abriu um posto novo, cobrando 30 centavos a menos, o que confirma o que todos já suspeitavam: existe cartel de preços na região. O que aconteceu? Esse posto novo desviou maioria dos clientes pra ele, teve até fila. Dois dias depois todos os outros postos jogaram os preços para abaixo desses 30 centavos.

    Isso é só um exemplo. Se não fossem todas as imposições da ANP e todos os papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, além de toda a cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos, outros postos já teriam aberto há muito tempo e talvez esse cartel tivesse durado apenas alguns meses, em vez de mais de uma década.
  • Micael  17/05/2021 19:24
    Aqui na minha cidade as farmácias se uniram e formaram um grupo com certas regras como, por exemplo, depois das 18 horas e em finais de semana apenas uma farmácia ficaria de plantão. Esse esquema perdurou por anos.

    Aí vieram outras rede de farmácia para minha cidade que não aceitaram entrar no esquema e passou a funcionar 24 horas por dia. O grupo de farmácia protecionistas entrou na justiça e perdeu. No final, várias dessas farmácias protecionistas de mercado faliram e hoje as pessoas daqui podem comprar remédio mais barato.
  • Viajante  17/05/2021 19:36
    O Brasil é um país cheio de corajosos empreendedores e empresários competentes. Sem eles, em condições de intervenção estatal similar ou mesmo mais brandas, pequenos carteis de bairros podem durar décadas. Qualquer bairro de classe média média na Grande SP tem muito mais opções de comércios que seus pares na Grande Santiago ou Grande Buenos Aires.
  • Felipe  18/05/2021 03:22
    Acontece também no setor de internet. Apesar de muito regulado, qualquer pessoa hoje consegue ter uma internet móvel em seu celular.

    Na minha infância, ter internet via rádio era uma maravilha, hoje tem planos com velocidade muito mais rápida.
  • Inquisidor  17/05/2021 19:18
    Pergunta: o comunismo realmente está morto ou simplesmente seus ideólogos se renderam à realidade e resolveram continuar com os mesmos objetivos, mas com uma abordagem diferente?
  • André  17/05/2021 19:26
    Comunismo é uma cultura, não está em seu ponto mais saudável. Se você pegar um livro de economia de 70 anos atrás de um autor de opiniões ambíguas vai ler sobre planejamento central da economia como algo sério. No entanto, o poder sedutor deste arranjo está longe de morrer, como mostra a Venezuela e os partidos de extrema-esquerda aqui na América Latina.
  • Bluepil  17/05/2021 19:35
    O comunismo nunca foi sobre "Se", mas sim sobre "Quanto", ou você seriamente pensa que os homens por trás disso possuem bons motivos para implementar tais sistemas?

    É sobre "Por quanto tempo lucrarei nesse sistema, enganando os leigos, com uma idéia utópica?", os mesmos homens por trás disso perceberam quê é muito melhor lucrar por meio do parasitismo constante, que é o sistema que vivemos, do que dá espoliação absoluta, pois nesse segundo não há mais fontes de criação de riquezas, diferente do primeiro, na qual á criação de riqueza ainda e permtida, e logo, constante.

    Até o Maduro está migrando, aos poucos, para esse primeiro, pois ele está percebendo que á cada ano que se passa, ele possui menos dinheiro espoliado para pagar os subornos aos militares.
  • Cristiano  17/05/2021 19:46
    Nunca houve uma descrição de como funcionário o socialismo/comunismo. Nunca houve um mísero livro a esse respeito.

    Se você pergunta a um comunista/socialista sobre como seria esse arranjo, ele apenas diz que "o povo estará no controle da economia".

    Mas será que "o povo" irá se reunir em um parque e debater quantas escovas de dente e quantas chaves de fenda deverão ser produzidas? E como seria decidido quem ficaria com o quê? Como seria decidido quem faria o quê?

    Mais: além de decidir quais produtos produzir, como "o povo" estipularia em qual etapa da cadeia produtiva cada indivíduo deveria trabalhar? Quem decidiria quanto de cada produto seria produzido em cada etapa da cadeia de produção? Quem decidiria quais técnicas ou matérias-primas serão utilizadas em cada processo de produção? Quem estipularia onde especificamente toda essa produção ocorreria? Como "o povo" saberia os custos operacionais? Como "o povo" saberia qual processo de produção é o mais eficiente?

    E se, ao final da reunião, o povo não chegar exatamente a um acordo sobre tudo isso?

    Quase três décadas já se passaram após a queda do Muro de Berlim — tempo suficiente para que um socialista "moderno" apresentasse ao menos algumas idéias sobre como seria um tipo diferente de socialismo. E, no entanto, aqui estamos. Após todos esses anos, os socialistas ainda não saíram do estágio das frases de efeito, dos clichês e dos lugares-comuns.
  • Cristiano  17/05/2021 19:58
    Detalhe: você encontra vários livros descrevendo exatamente como funciona uma economia de mercado — como a propriedade privada gera o sistema de preços e como estes preços livres fazem a alocação de recursos escassos, garantindo que sempre haja oferta —, mas você não encontra absolutamente nenhum explicando como seria organizada uma economia socialista.

    Nenhum socialista jamais descreveu como funcionaria uma economia socialista.

    O próprio Marx nunca mostrou como o sistema de produção poderia ser organizado sob o socialismo. Ele nunca forneceu nenhum detalhe sobre como seria uma sociedade socialista, exceto em uma breve passagem que foi publicada em um livro escrito conjuntamente com Engels ("A Ideologia Alemã" (1845).

    Eis a descrição do comunismo:

    "Assim que a distribuição do trabalho passa a existir, cada homem tem um círculo de atividade determinado e exclusivo que lhe é imposto e do qual não pode sair; será caçador, pescador, pastor ou um crítico, e terá de continuar a sê-lo se não quiser perder os meios de subsistência.

    Na sociedade socialista, porém, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de atividade exclusiva, é a sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar da manhã, pescar à tarde, pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico.

    Esta fixação da atividade social, esta petrificação do nosso próprio trabalho num poder objetivo que nos domina e escapa ao nosso controlo contrariando a nossa expectativa e destruindo os nossos cálculos, é um dos fatores principais no desenvolvimento histórico até aos nossos dias."



    Há aproximadamente 70 volumes das obras de Marx e Engels, mas essa é a passagem mais longa que descreve o funcionamento de uma sociedade socialista e de como seria a vida sob esse arranjo.
  • Vladimir  17/05/2021 20:18
    Sobre infraestrutura e saneamento, vale lembrar que o governo brasileiro sempre proibiu investimentos estrangeiros nestes setores. Se investimentos estrangeiros fossem liberados, consórcios de empresas estrangeiras não teriam nenhum problema ou dificuldade para investir maciçamente aqui (e lucrar bastante com essa demanda). Porém, como o governo historicamente sempre proibiu essa "exploração estrangeira" e exigia que o capital fosse exclusivamente nacional, ficava difícil realmente haver algum investimento maciço.

    Daí as "grandes obras" do país, como hidrelétricas e rodovias, serem estatais.

    Em suma: o governo proíbe investimentos estrangeiros, tributa pesadamente o capital nacional, estipula monopólios, e então sai falando que a iniciativa privada não se interessa. E conclui que, se não fosse o governo, nada seria possível.
  • Mauro  17/05/2021 20:52
    Isente de impostos e dê a liberdade total de se remeter lucros para o exterior, e não faltarão consórcios estrangeiros ávidos para fazer investimentos de grande vulto.

    Alguém acha que se empreiteiras alemãs, suíças e japonesas (ou qualquer estrangeira) tivessem liberdade de entrar e operar no setor de infraestrutura e saneamento nossas estradas, aeroportos e esgotos não seriam de primeiro mundo?
  • Felipe  18/05/2021 01:09
    Seria um sonho. A infraestrutura seria melhor do que a americana.

    Mas dificilmente isso ocorrerá, pois aqui não existe vergonha na cara.
  • Roberto  17/05/2021 20:58
    E as poucas empresas que se aventuravam no ramo eram atacadas pelos governos, que impunham congelamento de tarifas, o que levava à total inviabilidade da operação. Aí então elas eram estatizadas. Coisa de gênio.
  • Flávio  17/05/2021 21:59
    O Brasil possui 418 estatais. Acho que o único país na história que teve mais estatais foi a União Soviética. Ainda precisamos melhorar muito para virarmos fascistas.
  • Lênin  17/05/2021 22:13
    Lembrando que quem acusou inicialmente a social-democracia de ser fascista não foram libertários, mas sim os próprios marxistas. Mas como o socialismo é um fracasso completo, agora a esquerda moderna abraçou a social-democracia pra sua bizarra quimera política de propaganda.
    Você pode achá-los completos tapados, mas precisa admitir pelo menos que antes do socialismo falhar, eram bastante coerentes com o que acreditavam.

    "Firstly, it is not true that fascism is only the fighting organisation of the bourgeoisie. Fascism is not only a military-technical category. Fascism is the bourgeoisie's fighting organisation that relies on the active support of Social-Democracy. Social-Democracy is objectively the moderate wing of fascism. There is no ground for assuming that the fighting organisation of the bourgeoisie can achieve decisive successes in battles, or in governing the country, without the active support of Social-Democracy."

    www.marxists.org/reference/archive/stalin/works/1924/09/20.htm
  • Stalin  20/05/2021 20:05
    Bem lembrado. A maioria das pessoas nem sabe disso.
  • Bluepil  17/05/2021 22:35
    Sinceramente, seria bom se os libertários deixassem de confundir a definição de "Capitalismo" com "Capitalismo de livre-mercado", porque causa certa confusão, principalmente nos debates de libertário contra libertário - Debates esses que acontecem quando uma lógica se diverge em relação á outra -.

    Capitalismo: O principal e único sistema econômico humano, criado para mover bens, que são escassos, dá melhor forma possível, utilizando-se por base á produtividade e racionalidade humana, e que enfatiza o direito de propriedade e de bens, e da troca de bens (Comércio) como principal impulsionadora dá produção por parte de empresários e comerciantes, pela qual um indivíduo sempre tem de satisfazer outro para assim poder ser satisfeito por outro em uma sociedade.

    Capitalismo de livre-mercado: Sistema quê enfatiza á importância dá liberdade de concorrência e do direito inviolável que um indivíduo possui sobre sua propriedade e sobre seus bens, e dá liberdade de se efetuar trocas de bens sem medidas coercivas e restritivas por parte de um órgão regulador e afins, sendo assim, voluntárias.

    Capitalismo de Estado: Sistema que enfatiza á necessidade de se haver um controle coercivo de um órgão regulador e afins sob o mercado "selvagem" e "imoral", e também para que esse possa fazer uma distribuição "justa" dá mais-valia das empresas e do salário "excedente" dos indivíduos, é importante notar que existem inúmeras dosagens para esse sistema, e inúmeras teorias econômicas quê tentam implementa-la da suposta melhor forma possível (Apesar de todas falharem).

    Socialismo (Ou sistema de planejamento econômico estatal sob propriedades espoliadas): Sistema que diz quê á existência de direitos de indivíduos sobre propriedades são desnecessárias, e que todas as propriedades devem estar nas mãos do Estado, para que esse possa distribui-la entre todos de maneira "justa", e para que esse planeje á Econômia e a produção de bens, assim fazendo á mais-valia deixar de existir.

    Resumindo: Tanto o capitalismo de livre mercado, quanto de Estado, são às duas principais variações do capitalismo original, pelas quais definem de qual maneira o capitalismo humano deve ocorrer, da qual uma enfatiza á importância de se haver um livre-mercado genuíno, enquanto á outra enfatiza que o mercado deve ser controlado e regularizado pelo Estado, mediante impostos (roubo) e coerção.

    Já o socialismo é apenas uma ideologia autoritária que enfatiza o roubo coletivizado de todos os bens.

    PS: Não venham utilizando argumentos emotivos ou interpretações errôneas como aconteceu com meu outro comentário, só tentem argumentar contra mim caso tenham certeza que entenderam meu ponto.
  • George  18/05/2021 01:10
    Eis a definição de capitalismo, segundo George Reisman:

    "O capitalismo é um sistema social baseado na propriedade privada dos meios de produção. É caracterizado pela busca do interesse próprio em termos materiais — em um ambiente livre da iniciação de força física —, e seus alicerces são culturalmente influenciados pela razão. 

    Baseado em suas fundamentações e em sua natureza essencial, o capitalismo é mais detalhadamente caracterizado pela poupança e pela acumulação de capital; pelas trocas voluntárias intermediadas pelo dinheiro; pelo interesse próprio financeiro e pela busca do lucro; pela livre concorrência e pela desigualdade econômica (os mais bem-sucedidos em atender os consumidores prosperam mais); pelo sistema de preços; pelo progresso econômico; e por uma harmonia da busca pelo interesse próprio material de todos os indivíduos que dele participam."


    Já você criou a sua definição própria, mas que se torna contraditória quando você acrescenta a ela elementos próprios de outras doutrinas.
  • Bluepil  18/05/2021 11:49
    Caro George, concordo totalmente com á definição de George Reisman, e sinceramente não entendi o quê você planejava postando essa definição dele por aqui, até porquê nunca discordei de qualquer outra definição muito mais bem analisada e detalhada sobre o capitalismo (Enquanto á minha eu fiz literalmente em 20 segundos por puro instinto).

    Mas caso seu objetivo seja dizer que, o capitalismo passa a funcionar de forma parcial quando o Estado entra no meio, e esse mesmo deixa de ser um capitalismo pleno, só posso lhe dizer que entendeste erroneamente o objetivo desse meu comentário, que é apontar uma clara contradição em dizer que não existe o quê é chamado de "Capitalismo de Estado", pois, quando o estado intervem e regula, esse mesmo passa á controlar o capitalismo, ele nunca criou qualquer sistema novo, e a sociedade ainda passa á funcionar majoritamente de forma capitalista, só que não é mais pleno,. possui um nome novo dependendo da quantidade da dose, mas á quem queira dizer que chamar essa situação de "fascismo" seja mais apropriado.

    É possível de haver capitalismo de Estado, só que obviamente não é possível de haver "Capitalismo de livre mercado de Estado", porquê o livre-mercado no meio implementa á importância inviolável de se não ter qualquer força de coerção quê prejudique o direito de propriedade.

    Caso isso esteja errado, e a definição de capitalismo já enfatize á importância absoluta do livre-mercado por si só para se haver qualquer capitalismo (Nunca vi qualquer definição quê diz que enfatize isso), então á própria palavra "Livre-mercado" já não faria sentido nesse meio, já que estaríamos simplesmente repetindo "Capitalismo Capitalismo".
  • zé das couves  17/05/2021 22:49
    a populaçao brasileira nasceu e se criou na mentalidade de economia de estado, falam de privatizaçao e tal, mas adoram uma estatal para garantir "preços baixos" sem entender que isso leva a preços ainda mais elevados... e com nossa midia atuante, nao será tao cedo que entenderam a realidade economica que nao seja por real vontade de entender...
  • Felipe  18/05/2021 03:32
    Vendo este artigo, basta ver dois exemplos práticos no Brasil:

    - Planos de saúde, passagens de ônibus e metrô: preços controlados pelo estado.

    - Viagem de Uber: preços livres.

    Em qual desses dois exemplos os preços sobem mais? Analisando os preços de viagens de Uber e os preços dos combustíveis, no mínimo os preços das corridas estão em uma tendência de deflação real de preços.

    Há aquele aplicativo de fretamento de ônibus cujo nome esqueci. Seria ótimo se vingar por aqui, porque já fica menos dependente daquelas rodoviárias estatais medonhas. Hoje os ônibus são ótimos, o problema são as rodoviárias, monopólios e a qualidade terrível de ruas e estradas que, além de serem cheias de remendos mal-feitos, ainda podem ter buracos, lombadas e valetas. Viajar de ônibus na Alemanha deve ser um espetáculo, talvez até melhor do que viajar de avião (pelo menos os bancos de ônibus são mais largos que os de aviões).

    Aliás a deflação de preços é uma maravilha. Ainda preciso entender o motivo de os bancos centrais sempre quererem evitar isso, em sua maioria (o Banco Nacional da Suíça pelo menos deixa mais).
  • anônimo  19/05/2021 10:38
    Buser (o mais conhecido de todos); Wemobi (que pertence a um grupo rodoviário); 4Bus ; UBus.
  • adriano da silva souza  18/05/2021 17:51
    O Chile já era pessoal, na eleição venceram os partidos de esquerda e os "independentes" , já consigo ver o q vai sair dessa constituinte ,meu medo e q no brasil aconteça a mesma coisa, america cada vez mais "latrina".
  • Sadib  18/05/2021 19:38
    Não corre o risco de acontecer a mesma coisa no Brasil, pois 'a mesma coisa' já aconteceu aqui em 1988. Temos uma constituição cheia de direitos >> educação grátis, saúde grátis, previdência e outra infinidade almoços grátis. E é para esse buraco que o Chile irá com sua nova constituição.

    Será curioso observar o Chile daqui a 5, 10 anos pois será um case de insucesso, de como empobrecer um dos poucos países que se salvam no hemisfério sul.

    Parabéns aos esquerdistas do Chile, vocês venceram! Vale tudo para abandonar a antiga Constituição promulgada pelo Pinochet.
  • Felipe  18/05/2021 22:45
    Há quem diga que isso foi porque o liberalismo foi "imposto" no Chile por Pinochet. Será que faz sentido?

    Aqueles protestos em 2019 não foram populares. Aquilo foi uma baderna organizada e promovida por elites esquerdistas.
  • Bluepil  18/05/2021 20:39
    Isso já era sabido por aqui desde 2019 -.E em última análise, desde 2014, que foi o início do governo de Michelle, pois sempre foi apenas questão de tempo até á esquerda corromper o país -, quando aquela palhaçada dos protestos ideológicos começaram, e o presidente de lá arregou e começou á fazer tudo que á esquerda manda.

    Á maldição da América Latrina nunca irá nos deixar, pode apostar que vai ser apenas questão de tempo para o Paraguai cair também, talvez eles ainda consigam um tempo para se desenvolver, minhas expectativas mais otimistas são de uns 20 anos até á esquerda dominar àquele país também - Isso é, se as expectativas de uma nova ordem Mundial não se realizarem -.
  • Johannes  18/05/2021 23:20
    Um exemplo de como o livre mercado é incapaz de agir corretamente sem regulação: A indústria dos jogos eletrônicos, em vários jogos Vê-se violência extrema, assassinato, terrorismo, sequestro, assalto a bancos, tortura, etc. A legislação existente é tão fraca que não só não coíbe isso como na verdade ajuda as empresas, basta elas classificarem tais jogos como "18+" para poderem se eximir de qualquer responsabilidade. Agora, à menos que sejamos liberais cachorrinhos defensores de empresário, não precisamos pensar muito pra saber que as empresas sabem, e sabem muito bem que a esmagadora maioria dos que consomem tais jogos são crianças e adolescentes e que os pais não ligam ou simplesmente não tem tempo para vigiar o que os filhos fazem o tempo todo, sendo assim é obrigação moral da empresa assumir a responsabilidade total sobre qualquer impacto social negativo que tais jogos possam causar.

    Lembro me do título "Bully", lançado nos anos 2000 pela americana Rockstar Games, este foi lançado em uma época em que muito se discutia como combater o Bullying nas escolas, daí vem a dita cuja empresa e decide aproveitar a ocasião, e se utilizando de um assunto delicado como este lança um jogo que incentiva o Bullying puramente para ganhar dinheiro. A Rockstar nunca contribuiu com um centavo para o combate ao Bullying, nunca nem sequer falou sobre o assunto, quando é pra ganhar dinheiro a mesma apareceu, quando é pra lidar com as consequências não se ouve falar dela. Casos como este estão longe de ser isolados, temas como terrorismo e assassinato são explorados ao absurdo por essas empresas.

    Agora, eu não sou aquele tio chato que fica botando toda a culpa da violência nos jogos, mas também não sou aquele terraplanista que diz sem nenhum embasamento científico que o que é mostrado nos jogos não tem nenhum impacto negativo nos jovens, sendo assim "Decha comu tá" não é opção pra mim.

    Isto estando esclarecido, defendo que se ponha ordem na casa, primeiramente que as empresas sejam obrigadas a buscar e seguir orientações de especialistas credenciados nessa parte de impacto social e etc, segundo que as empresas que lançam jogos assim sejam obrigadas a contribuir com projetos com foco na educação e no combate à violência, terceiro que as empresas sejam punidas para cada pessoa abaixo da idade mínima especificada que for pega jogando tais jogos, o que criaria o incentivo pra que as mesmas abram o olho e desenvolvam mecanismos de controle.

    Abraços.
  • Keppler  19/05/2021 00:12
    Obrigado pela dose (involuntária) de humor. Realmente, sem políticos estipulando o que podemos e o que não podemos ver, a civilização acaba.

    Afinal, todos nós sabemos que políticos são seres angelicais que detêm o mais perfeito compasso moral sobre o certo e o errado.
  • Bluepil  19/05/2021 00:34
    Pelo menos agora nós temos um novo humorista no site.
  • Ruben  19/05/2021 02:04
    Poxa Johannes, se quiser proibir jogos violentos, primeiro terá que proibir internet, pois jovens e crianças burlam a checagem de idade pirateando os jogos

    Depois quer que se busque a orientação de especialistas, que você selecionará, pois quer garantir que nenhum malandro deixe escapar algo malicioso que poderá corromper a inocência dos seus pequeninos

    Punir as empresas donas dos jogos violentos, ao for confirmado que um menor usou seu produto, claro que a culpa é da empresa que fez um jogo bom o bastante que a criança se interessou

    E por último, recomendo também proibir as crianças de interagirem socialmente, com isso você previnirá o bullying, até pq o objetivo final é proteger


  • Lucas BS  24/05/2021 16:53
    Piada essa dos jogos

    Joguei desde os 12 o GTA, da mesma Rockstar.
    Vê-se coisas horríveis no jogo.

    Mas não me perverteu. Não perverteu nenhum dos meus colegas que também jogavam.
    Hoje são engenheiros, advogados e empresários.

    Por outro lado, o que mais enxergo é gente criada sem Schwarzenegger, jogos, ou qualquer contato com violência simulada cometendo e defendendo agressões que me assustam ao imaginar.

    "Na cadeia, o que mais tem é cristão"
  • PAULO Alves de Oliveira  21/05/2021 16:43
    Gostaria muito de uma solução para os monopólios naturais, gostaria muito de hoje usar a agua da Sabesp e amanhã a agua do Cedae ou quem sabe usar a energia elétrica da Light por dois dias e achar muito cara e mudar para a a Enel. Este sonho é colocado porque enquanto não haver tecnologia, alguns setores terão que ter regulamentação, citei alguns, temos outros que não são monopólios naturais e temos uma dificuldade de ter concorrentes, então o 3 º modelo para ser implantado na sua plenitude ainda é uma utopia.
  • Guilherme  21/05/2021 17:33
    Tem solução prática sim. Eis como seria uma genuína livre concorrência no setor de saneamento:

    www.mises.org.br/article/646/sobre-as-privatizacoes-final

    Sugiro ler o artigo todo; mas, se quiser, pode ler apenas as seções "A liberdade de entrada restringe as arbitrariedades" e "A consequência desses contratos de precificação: um mercado livre".
  • Bolsodilma ciroguedes  21/05/2021 18:58
    Não tem segredo algum em limpar uma água e vender pras pessoas beberem. Ou limpar os dejetos recolhidos do imóvel antes de jogar nos rios. É mais fácil que construir automóveis e aviões. É mais fácil que montar fábricas que fabricam produtos para o comércio. É mais fácil que fazer reatores nucleares.

    O que não é fácil é fazer um monopólio estatal ser eficiente. Por isso se paga dez vezes o valor de um saneamento que não se recebe. 
  • Lucas BS  24/05/2021 20:22
    Muita gente aqui no Mises ignora o problema do "monopólio natural". Tratam logo como "problema consertável instantaneamente pelo livre mercado" e que dispensa completamente um estado.

    Alguns ignoram que não passa 10 tubos de esgoto em uma calçada, nem 40 fios elétricos em um poste (e de quem seria o poste?).

    A melhor proposta, longe do ideal, está no artigo que o colega postou acima.

    Em especial ao caso da energia elétrica: a infra estrutura passa por uma concessão, temporária, e escolhida por uma agência, provavelmente estatal.

    Longe do ideal, como eu disse, mas ao menos não é ignorado

    Leva-se décadas para uma empresa poderosa constuir conhecimento e equipe que permita assumir certas tarefas


    Acredito que haverá solução melhor no futuro:

    - Autogeração de energia e armazenamento em baterias
    - Captação e filtragem de água da chuva
    - (Já existe) Transporte de esgoto
    - (Acho difícil) Internet sem cabos e mais rápida que fibra
  • Leitor Antigo  24/05/2021 20:37
    "Alguns ignoram que não passa 10 tubos de esgoto em uma calçada, nem 40 fios elétricos em um poste (e de quem seria o poste?)."

    Isso é puro espantalho. Nunca foi feito tal argumento (ao menos não por pessoas sérias).

    Dito isso, você parece ignorar que o setor elétrico desenvolveu-se, sim, sem estado, tanto nos EUA quanto no Brasil, e ironias baratas não revogam isso.

    O mito do monopólio natural

    Os primórdios do setor elétrico no Brasil - o mercado fornecia, o governo atrapalhava

    Em termos de saneamento, o melhor arranjo realmente é o descrito no artigo linkado (escrito pelo Leandro, é claro), mas não é necessário estado nenhum nele. As próprias associações de moradores dos bairros podem regular o arranjo.
  • Lucas BS  26/05/2021 17:00
    Seria espantalho se eu acusasse alguém influente do site, mas há sim, os que afirmam que o espaço urbano comporta uma infraestrutura altamente redundante. Tanto aqui no site do Mises, que acompanho há meia década, quanto em redes sociais, muito mais frequente.


    Quando ao artigo Mito do monopólio natural, bem lembrado. Mostra justamente o que eu sugeri no comentário anterior. Foi de lá que tirei a ideia.

    Já o artigo que relata como era no início do século passado está parcialmente* obsoleto, pois a arquitetura energética mudou COMPLETAMENTE de lá pra cá. Muito mais complexa e interligada.

    *Digo Parcialmente, porque a liberdade de comércio nunca vai ser obsoleta. Isso (ou a falta disso) o artigo mostra com maestria

    Bônus:
    Sobre saneamento, arrisco a dizer que é até mesmo desnecessário. Toda minha existência observei caminhões que limpam as fossas residênciais. Acho até que aproveitam o que tiram de lá (espero que não em plantações)
  • Felipe  27/05/2021 01:43
    "BC: limite do cheque especial reduziu pagamento de juros em R$ 10 bilhões"

    Qual seria a explicação para esse fenômeno? O que pensam à respeito? Seria cedo avaliar, já que os anos de 2020 e, agora, 2021, estão causando uma bagunça em toda a economia, com os problemas envolvendo a pandemia e os lockdowns?

    De qualquer forma, agora o BCB além de tabelar os juros pela SELIC, agora tabela o do cheque especial...
  • Analista de Risco  27/05/2021 12:18
    Que haja comemoração dessa redução é algo que me deixa estupefato.
    A manchete poderia ser reescrita da seguinte maneira:

    "BC: tabelamento de preços reduz em 10 bilhões a receita gerada do produto"

    Absolutamente nada fora do anormal. Se o tabelamento fosse de taxa de juros a 0%, a redução dos juros pagos seria total.

    O que ocorrerá em seguida (e isso já pode ser visto no próprio relatório do BC) é que a parcela de menor renda (maior risco de crédito) migrará para produtos mais caros (cartão de crédito, adiantamento a depositante, crédito para negativado), ou seja, ou pagam mais caro ou ficam sem crédito, enquanto a alta renda se esbanja em taxas mais baixas.
    E o BC ainda diz que a medida beneficia os mais pobres...

    PS: De fato, qualquer análise nesse período temporal fica contaminada por conta da pandemia (inclusive o BC reconhece isso). Mas o movimento descrito acima é ligeiramente notável no primeiro trimestre de 2020.
  • Felipe  27/05/2021 13:58
    Pior foi que eu vi supostos liberais falando que isso não foi tabelamento de juros...
  • Emerson Luis  31/05/2021 18:48

    Outra forma de ver o assunto é que existe uma graduação entre Estado total (100%) e liberdade total (0% Estado, 100% economia e sociedade livres). O Brasil, por exemplo, seria 80% socialista e 20% livre.

    A esquerda de modo geral já entendeu que Estado total é inviável, então eles tentam descobrir a porcentagem de Estado que podem impor sem matar o hospedeiro, quanta "liberdade" podem conceder aos servos para que o sistema funcione minimamente e eles possam continuar usufruindo seus privilégios às custas da população taxpayer.

    * * *
  • Alvarenga  21/09/2021 11:54
    Sobre o sistema social democrata: Imagine que no condominio onde voce mora decidissem conceder a reforma do elevador pra uma empresa que depois cobraria pelo uso dele...o mesmo pela portaria...o mesmo pra limpeza.......uai, mas voce ja não paga o condomínio?????


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