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Em junho de 1989, a Polônia se libertava do socialismo – eis a vida no país naquela década
Foi ali que o império soviético começou a desmoronar

Já faz um bom tempo que a Polônia não frequenta os noticiários internacionais, e isso é sinal de que as coisas estão calmas nesta nação da Europa Central (eles não gostam de ser chamados de Leste Europeu). 

No entanto, durante toda a década de 1980, a Polônia foi uma fábrica contínua de notícias. Foi o país mais expressivo e agitado por trás da Cortina de Ferro.

Hoje, a Polônia é uma vibrante economia de mercado, cujas condições de vida não estão distantes daquelas da Europa Ocidental. Os supermercados e as lojas de departamentos, que estão em todos os cantos, são repletos de bens variados e oriundos de todos os cantos do mundo. As cidades ostentam grandiosas e modernas edificações. Há até mesmo novas igrejas sendo construídas — algo proibido sob o regime comunista. 

Todas as fachadas antigas e decrépitas da era comunista foram renovadas, e aquele antigo e lúgubre cinza foi substituído por cores mais vibrantes. Os problemas de transporte estão praticamente resolvidos. As rodovias são novas e modernas, e suplementam um excelente sistema ferroviário.

Restaurantes sofisticados, cafés badalados, e restaurantes para almoços prosaicos estão por todas as partes. 

Se há 30 anos turistas estrangeiros eram algo raro até mesmo na bela Cracóvia e seus locais tombados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, hoje você os vê rotineiramente nas principais cidades do país.

Os poloneses já se acostumaram a viver com todos os luxos que o capitalismo pode oferecer, como apartamentos e imóveis prontamente disponíveis. Bens como automóveis, televisores de plasma, smartphones, notebooks etc. estão disponíveis para todas as classes sociais.

Porém, as coisas eram totalmente distintas na década de 1980. Pronta disponibilidade de bens era algo inimaginável. Fartura era algo fictício. Penúria era a regra. 

No aniversário de 30 anos do fim do, vale a pena fazermos uma breve viagem no tempo e voltarmos à Polônia da década de 80. A história não deve ser esquecida.

O cenário de fundo

Ao final da década de 1970, a economia polonesa estava em convulsão. O governo estava completamente endividado em decorrência de vários empréstimos externos, e, tendo de arrecadar os fundos necessários para pagar os encargos de sua dívida, ele optou por aumentar os preços de vários produtos. Isso foi o estopim para uma série de greves de trabalhadores. 

Um pouco antes, em 1978, um papa polonês foi eleito em Roma. Seria o primeiro papa não-italiano desde Adriano VI, que morreu em 1523. Em junho de 1979, João Paulo II (Karol Józef Wojtyla) fez sua primeira visita à Polônia já como sumo pontífice. Celebrou uma missa na Praça da Vitória perante uma multidão de 3 milhões de poloneses

Ali estava um homem que havia sido criado sob um regime nazista e que havia sobrevivido ao comunismo. Já não era segredo para ninguém que aquele papa desprezava o comunismo e iria fazer de tudo para solapar este regime na Polônia. 

Esta viagem à sua Polônia natal — um franco desafio ao regime comunista — elevou o espírito da nação, algo que culminaria, no ano seguinte, na formação de um movimento abertamente anticomunista formado por trabalhadores e operários.  

Tudo começou com uma greve geral em Lublin, em julho de 1980. Mas foi em meados de agosto que manifestações no estaleiro de Gdansk deram origem a uma série de greves que praticamente paralisaram toda a costa báltica. Pela primeira vez na história, quase todas as minas de carvão da região da Silésia foram fechadas. 

Os representantes dos grevistas no estaleiro de Gdansk, liderados por um eletricista chamado Lech Walesa, assinaram o Acordo de Gdansk, prometendo ao governo que acabariam com as greves se o governo socialista garantisse o direito dos trabalhadores de formar sindicatos independentes e também chancelasse o direito à greve. 

Após um bem-sucedido acordo — nesta que havia sido a maior confrontação trabalhista da história da Polônia —, movimentos sindicais organizados começaram a ser formar ao longo de todo o país.

No dia 17 de setembro de 1980, todos os sindicatos se reuniram em Gdansk e decidiram formar uma única organização sindical nacional chamada de Solidariedade.

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Tal liberdade, obviamente, desagradou Moscou, que, em fevereiro de 1981, elevou o general Wojciech Jaruzelski, então Ministro da Defesa, ao cargo de primeiro-ministro. Veterano da Segunda Guerra, sua prioridade era recorrer à força bruta para arrefecer as manifestações que irrompiam por todos os cantos do país.

Já em março de 1981, na cidade de Bydgoszcz, três ativistas foram espancados pela polícia secreta. Como consequência, uma "greve de advertência" comandada pelo Solidariedade — que a esta altura já era formado por 9,5 milhões de poloneses — voltou a paralisar todo o país, e com o apoio maciço da população. Os soviéticos já estavam perdendo a paciência.

Em setembro de 1981, em Gdansk, o Solidariedade fez o seu primeiro congresso nacional, e Walesa foi eleito líder nacional do movimento e imediatamente fez um apelo a todos os outros países do Leste Europeu para que seguissem os mesmos passos do Solidariedade. 

Para Moscou, o congresso havia sido uma "uma orgia anti-socialista e anti-soviética". Os líderes comunistas da Polônia, comandados por Jaruzelski, estavam prontos para utilizar de violência para conter o movimento.

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Em outubro, Jaruzelski foi nomeado Primeiro-Secretário do Partido Comunista, uma ascensão atípica para um militar no mundo comunista. Jaruzelski exigiu que o parlamento proibisse as greves e o concedesse poderes extraordinários. 

Em dezembro, o regime declarou lei marcial, e as tropas paramilitares ZOMO foram utilizadas para esmagar o Solidariedade. Praticamente todos os líderes locais e vários intelectuais afiliados ao movimento foram detidos e encarcerados. Nove foram assassinados na mina de Wujek. Após este ataque do governo, os agitos no país diminuíram. Embora reduzido a apenas alguns poucos milhares, o Solidariedade continuou na ativa, só que agora clandestinamente.

A rotina dos poloneses

O controle do Partido Comunista parecia inquebrantável. Tudo indicava que a Polônia ainda teria de viver sob este regime por vários anos vindouros. 

Mas como era a vida sob este regime? Quais eram as características desta rotina que fizeram com que a população polonesa ansiasse tanto por uma mudança?

O padrão de vida geral da população era desolador, assim como nos outros países sob a esfera soviética. A combinação entre escassez geral de produtos e métodos de distribuição totalmente ineficientes fazia com que o simples ato de ir às compras em busca de produtos básicos fosse uma experiência agonizante — mesmo quando havia produtos nas prateleiras.

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Açougue em Varsóvia, 1982

Os bens de consumo se limitavam quase que exclusivamente a produtos de baixa qualidade fabricados no Leste Europeu. Simplesmente não havia produtos ocidentais, exceto nas lojas especiais da Pewex, que aceitavam apenas dólar ou marco alemão, e a preços muito acima das posses de um polonês médio.

Com a imposição da Lei Marcial, as coisas pioraram bastante. Longas filas se formavam quando produtos essenciais — como papel higiênico, xampu, lâmpadas, chá, café, utensílios domésticos, queijo, guardanapos, sapatos e roupas íntimas — apareciam nas lojas. O simples ato de fazer compras era um exercício diário que envolvia perambular pela cidade à procura de alguma loja que tivesse estoques e, caso a procura fosse bem-sucedida, entrar em uma longa fila de espera. 

E, dado que a maioria das mulheres polonesas tinha um emprego, o fardo extra de ter de fazer compras em tais condições era enorme, gerando uma grande taxa de absenteísmo e significativas dificuldades em cuidar dos filhos e em dar conta das tarefas domiciliares.

Um polonês jamais saía de casa sem estar carregando uma sacola de compras. Vai que inesperadamente ele encontrasse uma lojinha com produtos à venda e ele tivesse a rara oportunidade de poder comprar alguma coisa...

Em Varsóvia, a situação era menos desesperadora. Como o Partido Comunista tinha suas bases na capital, ele conseguia manipular as coisas de modo a garantir um suprimento mais generoso para a cidade. No entanto, em uma cidade mais afastada — como Breslávia (ou Wroclaw), que é grande e está localizada no sudoeste da Polônia —, a situação era igual à do resto do país. Uma ida ao Centrum, que então era a maior loja de departamentos da cidade, era algo que hoje parece um pesadelo. 

Havia pouquíssimos produtos disponíveis e, mesmo assim, uma multidão de pessoas se aglomerava nos corredores. Filas de centenas de pessoas se formavam em frente aos poucos balcões que ainda tinham produtos disponíveis. Aquilo que em outras épocas foi a seção de tecidos da loja havia se transformado em um mar de vazias e inúteis mesas de medidas. Seis ou sete ternos amarfanhados estavam disponíveis na seção masculina em meio a filas de cabides vazios. A seção de esportes tinha apenas dois itens: pneus de bicicleta e botas de ski.

Cartazes escritos à mão ao longo dos corredores da loja ilustravam a triste situação. Na seção de sapatos masculinos, onde em outras épocas havia centenas de diferentes pares e agora estava sempre vazia, um cartaz dizia que "149 pares serão vendidos hoje". Outro cartaz anunciava que "Nenhum tapete será vendido hoje". 

Em frente aos poucos aspiradores de pó ainda disponíveis na seção de eletrodomésticos, um cartaz dizia "Somente para Agricultores". O governo vinha tentando motivar os agricultores a produzir mais comida, e imaginou que poderia criar tal estímulo reservando somente para eles os bens de consumo mais desejáveis.

Em determinadas ocasiões, as pessoas eram obrigadas a efetuar grandes façanhas para obter itens totalmente simples. Quando alguma loja anunciava que estava vendendo máquinas de costura, pessoas de todos os cantos da Breslávia corriam para lá. De início, era necessário ficar um dia e meio em pé na fila apenas para colocar seu nome em uma lista de compradores interessados. Depois, durante três ou quatro dias consecutivos, você tinha de ir à loja três vezes por dia apenas para estar presente à chamada que os burocratas faziam para verificar os nomes da lista. Cumprida esta tarefa, todos eram instruídos a voltar dali a duas semanas, que seria quando as máquinas estariam disponíveis — e ainda assim não havia nenhuma garantia de que as pessoas na lista realmente conseguiriam uma máquina de costurar. 

Era comum alguns produtos irem parar nas mãos de amigos do burocrata encarregado de administrar a loja. Ou nas mãos de alguns membros do Partido.

Porém, dentre todos os martírios e provações que o consumidor polonês tinha de enfrentar, a busca por comida certamente era o mais humilhante e deprimente de todos. Um popular supermercado da Breslávia, que gozava a reputação de estar sempre bem suprido, tinha em suas prateleiras pão, biscoito-de-água-e-sal, dois tipos de pimenta, sal, farinha, macarrão, picles, açúcar, latas de ervilha, e água mineral. A seção de hortifruti tinha batatas, cebolas, beterrabas, cenouras, alho e alface estragada. A seção de laticínios tinha queijo branco e ovos. Carne era disponibilizada apenas para quem apresentasse todos os devidos cartões de racionamento. Este era todo o estoque do supermercado. 

Quando chegava algum carregamento de coisas mais saborosas, como geléia, iogurte ou pudim, tudo se esgotava em menos de uma hora. Em determinadas ocasiões, se você madrugasse em frente à porta do supermercado e estivesse com sorte, conseguiria comprar um pouco de leite.

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Mercado em Grójek, 1982

Quem tinha mais tempo disponível podia perambular pela cidade à procura de lojas menores que porventura vendessem alguns itens adicionais. Havia pequenas feiras ao ar livre que vendiam alguns vegetais. O difícil era conseguir criar uma dieta mais apetitosa e variada tendo pouquíssimas opções. Frutas, em especial, eram um problema. As únicas que estavam sempre à venda eram as maçãs. De vez em quando, surgiam alguns limões. Laranjas e bananas eram importadas somente em feriados.

Comprar gasolina era outra dor de cabeça. Os consumidores iam ao posto, passavam o dia todo dentro do carro esperando na fila, deixavam o carro lá durante a noite, voltavam no dia seguinte e continuavam na fila, até o momento em que conseguissem um pouco de gasolina. E isso se o posto de gasolina ainda estivesse operante no dia seguinte — era comum eles simplesmente fecharem da noite para o dia e não mais abrirem.

b62d5d7f000d47388ea7b554e67f0cb0.jpgA opressão diária não terminava aí. A escassez de apartamentos levava os jovens à beira do desespero, pois tinham de esperar 10 anos ou mais até o governo disponibilizar um mísero espaço em um apartamento apertado. Casais de meia idade e com filhos ainda moravam com os pais enquanto aguardavam seus nomes serem chamados na lista de espera dos apartamentos. Por outro lado, quem se filiava ao Partido rapidamente conseguia um alojamento.

As construções eram uniformemente funcionais, cinzas, sombrias, monótonas e repulsivas. Vários prédios começavam a se esfacelar tão logo ficavam prontos. O uso do carvão como fonte de energia jogava uma película escura sobre as cidades, tornando-as ainda mais melancólicas

O transporte público era apenas utilizável, e isso já bastava para que ônibus, bondes e trens estivessem sempre entupidos de gente. A lista de espera para comprar um carro demorava anos e o automóvel quase sempre era um exíguo e fraco Fiat polonês. Os limpadores de pára-brisa tinham de ser trancados dentro do carro, pois eram o alvo preferencial dos ladrões. Acessórios automotivos, por serem muito raros, eram muito valiosos na Polônia.

Uma coisa, no entanto, era verdade: os países do bloco soviético usufruíam pleno emprego. Bom, "usufruíam" é um termo incorreto. Quando você trabalha muito e não pode comprar nada, ou não tem a liberdade de usar os proventos do seu trabalho, você vive sob um regime de semi-escravidão. Na Polônia, o pleno emprego produzia apenas um crônico excesso de mão-de-obra mal paga e pessimamente utilizada. Praticamente todos os empregos eram enfadonhos e frustrantes. 

Os gerentes das lojas e as pessoas que trabalhavam em restaurantes e no sistema de transporte simplesmente não tinham nenhum incentivo para serem solícitos ou mesmo gentis com os clientes. O cliente era apenas um estorvo, e eles não ganhavam nada nesta interação. O serviço prestado era ou ríspido ou apático. 

Profissionais de todas as áreas tinham de lidar com a escassez de equipamentos. Professores da prestigiosa universidade técnica da Breslávia zombavam da ideia de que conseguiriam fazer alguma pesquisa séria na Polônia. Eles passavam todo o seu tempo livre escrevendo propostas para serem aceitos em universidades ocidentais, onde havia ampla disponibilidade de materiais e equipamentos sofisticados.  

A burocracia paralisava todas as transações, e impossibilitava até os mais simples pedidos. Viajar para o exterior era algo extremamente restringido. Televisão, rádio e mídia impressa eram, obviamente, atividades efetuadas exclusivamente por pessoas sob o controle do Partido, dentro da Polônia ou em algum outro lugar dentro da esfera soviética.

A lei marcial impôs restrições ainda maiores. Os passaportes foram universalmente cancelados, de modo que nenhum polonês podia viajar ao exterior. Durante os primeiros meses da lei marcial, os poloneses não podiam nem sequer viajar entre cidades da Polônia sem a devida autorização do governo. Cartas sempre eram entregues abertas, amassadas dentro de sacos plásticos e com um carimbo escrito "Censurado". Quando você discava um número no telefone, a primeira coisa que você ouvia era uma gravação repetindo "conversa monitorada, conversa monitorada".

O exército assumiu o controle de toda a radiodifusão, e a programação da TV se resumia majoritariamente a filmes russos sobre a Segunda Guerra Mundial. Âncoras de jornais foram substituídos por soldados uniformizados que mecanicamente liam as notícias diárias. E as notícias eram sempre as mesmas: o Solidariedade havia destruído a economia; o exército estava se esforçando para recolocar o país no lugar; as coisas estavam visivelmente melhorando. 

Obviamente, e ao contrário dos ocidentais de hoje, ninguém acreditava em nada do que dizia a mídia.

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A sucessão de eventos

Após a imposição da lei marcial em dezembro de 1981 e a maciça utilização do exército e das tropas paramilitares ZOMO para esmagar o Solidariedade, o número de afiliados ao movimento caiu de 9,5 milhões para apenas alguns poucos milhares. Os agitos no país diminuíram sobremaneira, mas continuaram. O Solidariedade continuou na ativa, só que agora clandestinamente.

Após ter conseguido impor ao menos uma aparência de estabilidade, o regime polonês começou a relaxar a lei marcial. Ao longo do tempo, a lei foi sendo revogada em várias etapas. 

Em dezembro de 1982, a lei marcial foi suspensa e um pequeno número de prisioneiros políticos, dentre eles Walesa, foi libertado. Embora a lei marcial só tenha sido formalmente abolida em julho de 1983, e uma anistia parcial tenha sido promulgada, várias centenas de prisioneiros políticos continuaram encarcerados

Tornou-se mundialmente famoso o caso de Jerzy Popieluszko, um popular padre defensor do Solidariedade, que foi sequestrado e assassinado pelo serviço de segurança do governo — o Sluzba Bezpieczenstwa — em outubro de 1984.

A partir daí, os fenômenos de resistência na Polônia começaram a ser influenciados pela postura reformista de Mikhail Gorbachev na União Soviética. Em setembro de 1986, uma anistia geral foi declarada e o governo libertou quase todos os prisioneiros políticos. 

No entanto, as autoridades continuaram perseguindo os dissidentes e todos os ativistas do Solidariedade.

Já estava mais do que óbvio que os esforços do regime para organizar a sociedade de cima para baixo haviam fracassado completamente. Com a crise econômica agravada e todas as instituições sem funcionar, a clandestina resistência anti-comunista foi ganhando um número crescente de adeptos.

A Resistência

Testemunhei ao vivo estes acontecimentos. Em novembro de 1986, passei 10 dias vivendo entre os clandestinos do Solidariedade e do Liberdade e Paz, um grupo formado por jovens.

Durante esta minha visita, aprendi que, cinco anos após o início dos violentos ataques desfechados pelo governo contra os movimentos de resistência, os poloneses haviam aprendido fabulosos truques para ludibriar e se esquivar do regime de Jaruzelski, tudo de uma maneira que chega a desafiar a imaginação. A escassez total dos mais básicos produtos alimentares, a inflação de preços em dois dígitos, e uma poderosa polícia secreta não os impediram de criar formidáveis mercados negros e vigorosas instituições privadas, desde rádios e editoras de livros a até mesmo teatros e escolas. Tudo clandestinamente.

Wiktor Kulerski, um dos lideres do Solidariedade, já havia esboçado, alguns anos antes, um esquema sobre como seria a resistência polonesa. Escreveu ele:

Este movimento irá criar uma situação em que as autoridades irão controlar as lojas estatais, mas não o mercado; o emprego de trabalhadores, mas não seu meio de vida; a imprensa oficial, mas não a circulação de informações; as editoras, mas não as publicações; os correios e os telefones, mas não as comunicações; e o sistema escolar, mas não a educação.

Trinta e oito milhões de poloneses estavam menosprezando e ridicularizando o estado.  Eles já haviam aprendido por experiência própria e dolorosa que, como bem havia dito o escritor e compositor dissidente Stefan Kisielewski (que havia sido preso e espancado por causa disso), "Socialismo é estupidez". 

Eles já estavam fartos daquilo tudo.

Em um jantar organizado secretamente, em minha homenagem, por uma organização clandestina de editores em Cracóvia, fiquei mesmerizado com a amplitude daquilo que meus anfitriões chamavam de "empreendimentos editoriais independentes". Eles haviam traduzido, imprimido e editado várias obras "subversivas" de Alexander Solzhenitsyn, George Orwell, e até mesmo de Murray Rothbard e Ayn Rand.

"Onde vocês conseguem os papeis para imprimir tudo isso?", perguntei. Um jovem polonês chamado Pawel respondeu: "De dois lugares: contrabandeamos do Ocidente e roubamos dos comunistas".

Pawel explicou que havia vários empregados das casas editoriais do governo que eram simpáticos ao movimento de resistência. Eles frequentemente forneciam papeis para os movimentos clandestinos. E quando a barra estava realmente limpa — ou seja, sem nenhum agente estatal nas redondezas —, eles chegavam até mesmo a imprimir o material ilegal nas próprias impressoras do governo. 

Todo este material era distribuído e circulava amplamente nos subterrâneos de Varsóvia.

Quando o governo soube, decidiu contra-atacar criando uma operação para confiscar os carros dos distribuidores deste material proibido. Para se proteger, os editores clandestinos criaram sua própria companhia de seguros (a qual eles chamaram de "Lloyd's de Varsóvia") para cobrir os custos do confisco de seus carros, papeis e materiais.

Perguntei àqueles editores como eu poderia ajudar. Curiosamente, eles já haviam planejado um pedido específico para mim. Eles me perguntaram se eu conseguiria arrecadar US$5.000 e enviar esse dinheiro para seus aliados exilados em Paris, os quais iriam utilizar esse dinheiro para financiar a tradução para o polonês e a impressão de várias cópias do clássico Liberdade para Escolher, de Milton Friedman. Dentre as minhas mais estimadas possessões está uma edição deste livro com uma dedicatória do ativista Wojciech Modelski com estas palavras: "Obrigado, Larry!  Sem sua ajuda, não seria possível publicarmos este livro."

Mas a minha história favorita desta minha visita à Polônia envolve um casal muito corajoso e intrépido, Zbigniew e Sofia Romaszewski. Eles haviam sido soltos da prisão fazia muito pouco tempo. O crime? Comandar uma popular estação de rádio clandestina. 

Não aguentei e tive de perguntar: "Quando vocês estavam transmitindo, como sabiam se as pessoas estavam ouvindo?" 

Sofia respondeu: "Tínhamos de estar constantemente mudando de lugar para que a polícia não nos capturasse. Por isso, só conseguíamos transmitir de oito a dez minutos de cada vez. Uma certa noite, fiz o seguinte pedido: se há alguém nos ouvindo, pisquem suas luzes para mostrar que acreditam na liberdade. E então fomos para a janela. Durante horas, toda Varsóvia ficou piscando". 

Poucos dias depois, fui preso, revistado nu e deportado.

O fim da tirania

Em fevereiro de 1988, já desesperado com a situação de suas finanças, o governo implementou um aumento generalizado de 110% nos preços de todos os bens da economia. Os protestos estudantis retornaram. O colapso econômico gerou uma série de greves ao redor do país em abril, maio e agosto. O governo se sentiu obrigado a negociar. 

Com a indispensável mediação da Igreja Católica, contatos preliminares foram feitos entre o governo e membros do Solidariedade. Em setembro, o governo recorre a Lech Walesa para tentar negociar o fim das greves. No dia 18 de dezembro de 1988, o Solidariedade sai da ilegalidade.

No início de 1989, o general Wojciech Jaruzelski chegou a um acordo com Lech Walesa: os grupos políticos suprimidos seriam legalizados e eleições gerais seriam marcadas para o dia 4 de junho. O general não tinha alternativas. A Polônia, declarou ele, havia se tornado "ingovernável".

E foi exatamente no dia 4 de junho de 1989 que a Polônia eletrizou o mundo ao fazer as primeiras eleições livres na Europa comunista. Ativistas anticomunistas (e, em vários casos, também anti-socialistas) surpreenderam seus conterrâneos: eles conquistaram 99 das 100 cadeiras no Senado e absolutamente todas as 161 cadeiras do Parlamento que o regime permitiu serem disputadas na eleição. 

Tais resultados asseguraram que a guinada para a liberdade em todo o império soviético era definitiva e iria se intensificar até derrubar todos os ditadores e partidos comunistas, desde Berlim Oriental até Ulan Bator.   

Em 1989, alguns dias após a queda do Muro de Berlim, a Revolução de Veludo estava em andamento na vizinha Tchecoslováquia. A Hungria havia aberto suas fronteiras para o Ocidente algumas semanas antes. O megalomaníaco Nicolai Ceausescu, da Romênia, seria fuzilado no Natal

Mas foi a Polônia quem havia aberto o caminho.

Conclusão

A história da Polônia desde a imposição da lei marcial e do esmagamento do Solidariedade em dezembro de 1981 até as gloriosas eleições de 1989 não é a saga de um povo pessimista, derrotista ou submisso. Ao contrário: trata-se de uma notável evidência do desejo humano de ser livre. 

Embora os três poderosos líderes do Reino Unido, dos EUA e do Vaticano (Thatcher, Reagan e João Paulo II) tenham ajudado imensamente no processo da desintegração comunista, estes mesmos líderes correta e repetidamente aplaudiram e elogiaram o espírito desafiador dos poloneses. "O povo da Polônia", declarou Reagan, "está nos dando um imperecível exemplo de coragem e devoção aos valores da liberdade contra uma violenta e implacável oposição. . . . A tocha da liberdade é quente. Ela aquece aqueles que a mantêm lá no alto e queima aqueles que tentam apagá-la."

Um dos gigantes intelectuais da liberdade polonesa, o filósofo e historiador Leszek Kolakowski, que morreu em julho de 2009 aos 81 anos de idade, rotulou o marxismo de "a maior fantasia do nosso século". Segundo ele, a brutalidade totalitária é uma inevitável consequência de uma concentração de poder. 

Em uma entrevista concedida ao The New York Times em 2004, ele disse que "Supostamente, essa ideologia deveria moldar o pensamento das pessoas; no entanto, a partir de certo momento, ela se tornou tão fraca e tão ridícula, que ninguém mais acreditava nela. Nem os governados, nem os governantes."

A todos aqueles milhões de poloneses que bravamente lutaram pela liberdade e que atiraram o socialismo na lata de lixo da história há 30 anos, muito obrigado por sua coragem, sua perseverança, sua visão e seu exemplo.

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Cracóvia hoje


Mateusz Machaj e Jakub Bozydar Wisniewski colaboraram com este artigo



autor

Lawrence W. Reed

  • Carlos  27/06/2019 19:18
    Lula falando sobre Lech Walesa e sobre como ele ainda vai implantar o socialismo no Brasil


  • Maico Rodrigues  15/10/2019 13:38
    Ano 2000 no jornal valor, Walesa fez um resumo da trajetória de ambos:

    Fomos ambos carregados pelas massas, pelos sindicatos. Talvez as massas no Brasil achem que ele as traiu. E, no meu país, achem que eu as traí. Nesse ponto, talvez sejamos também similares. Mas para mim foi mais difícil, pois ele pôde se sustentar com medidas populistas, e eu não podia. Eu tinha de ser contra o populismo, tinha de construir o capitalismo, e as massas queriam socialismo, proteção social. Ele propunha o socialismo, então estava mais sintonizado com as massas. Mas quem entregou mais? Essa é a questão. Podíamos comparar, seria interessante.
  • Pensador Puritano  24/01/2020 11:35
    As massas são pró-socialismo devido a vários fatores e na minha humilde opinião devido a falta de educação financeira e empreendedorial nas escolas públicas e particulares,a educação para a vida(Que é o que realmente interessa),o Mec e o Congresso Nacional estão pouco se lixando para tal questão,enfim a educação para o dia-a-dia,pois a educação decoreba e profissionalizante via Sistema S já temos de sobra e no entanto os resultados tem sido questionáveis e abaixo da crítica,dai eles serem presas fáceis no Brasil e mundo afora.
  • Drink Coke  28/08/2020 20:15
    "As massas são pró-socialismo devido a vários fatores e na minha humilde opinião devido a falta de educação financeira e empreendedorial nas escolas públicas e particulares"

    Eu duvido muito, enfiar conceitos de empreendedorismo não ensina ninguém a empreender, empreendedorismo não é algo a ser aprendido, algo que vem do individuo, proatividade, alta propensão a riscos e ambição.

    E educação financeira nas escolas seria apenas mais uma matéria para a criançada decorar e passar nas provas.

    A massa é mediocre mesmo, é medrosa, imediatista e invejosa. Caracteristicas compativeis ao socialismo. Não há muito a ser feito.
  • Felipe  28/08/2020 20:36
    Realmente empreendedorismo é algo que é muito mais prático do que teórico.

    O jeito melhor de incentivar o empreendedorismo é o estado parar de atrapalhar quem quer gerar riqueza. Fora isso, não há nada a ser feito.
  • Paulo M.  20/11/2019 18:44
    Ao ler o excelente artigo e assistir a este vídeo (me alivia saber que foi gravado em 2002), refleti acerca das influências da Igreja Católica em ambas as pontes, e percebi que a imprensa brasileira sempre incentivou a sociedade a "seguir o Papa", possivelmente, por duas razões (ou alguma delas): a própria igreja pró-socialismo exercia tal influência; e havia um plano maior, o ensejo pela figura do Papa que fizesse coro às ideias comunistas a ponto de contradizer o cristianismo em muitos aspectos, como ocorre atualmente, na tentativa de influenciar os fiéis. Ou seja, se os socialistas se apegam à religião, existe um propósito perverso por trás de tudo. Também considero a hipótese de estar equivocado... Mas sempre achei muito estranho a mídia televisiva supervalorizar cada passo do Papa, independentemente de quem estivesse no posto.
  • Igor Almeida  28/08/2020 19:37
    Grande contribuição, Carlos, Não sabia desse depoimento do Lula e seus cupinchas comentando as estrategias e taticas de como perdiam e como venciam eleições, demonstrando como o buraco é bem mais fundo se tratando dessa turma, não devemos menospreza los nunca, NUNCA.
  • Rodrigo  27/06/2019 19:19
    Como esse pessoal sofreu. Fico triste quando leio sobre a vida que eles levavam.

    Não entendo como ainda pode ter gente que defende este arranjo e anseia por isso.
  • Luiz Oliveira  27/06/2019 19:27
    O pessoal que anseia por isso é porque considera que será a classe privilegiada em um regime socialista: a nomenklatura. Estes se consideram a vanguarda do processo revolucionária, a elite intelectual progressista.

    O povão não quer saber de socialismo.
  • Emerson  27/06/2019 19:35
    É por isso que Lênin ou Stalin chamou esses intelectuais (defensores do socialismo dos países democráticos) de "idiotas úteis": eles imaginavam que fariam parte da elite socialista do novo governo e sistema, mas na realidade quando o comunismo fosse instalado eles seriam presos ou executados.

    Se o processo se completar no Brasil, a Marilena Chauí, o Veríssimo, o Wagner Moura, o Chico Buarque, Já Uílis e tantos outros da esquerda caviar terão esse destino.
  • Vitor  27/06/2019 19:20
    Existe uma cartilha entre a esquerda de como destruir uma nação? Porque a história se repete em todos os países que vivem sobre esse regime.

    A falta de leitura dos brasileiros, de conhecimento histórico, de absorver essa cultura, faz que a foice e o martelo sejam símbolos de revolução, quando na verdade são símbolos de opressão.
  • Souza  27/06/2019 19:28
    Sim.

    Procura no youtube: Yuri Bezmenov

    Tem dois videos dele grandes (de uma hora cada um mais ou menos) explicando como se subverte uma nação. Legendados, inclusive.

    E faça a comparação com o que aconteceu na Venezuela e com o que foi tentado no Brasil (felizmente, aqui o processo foi abortado, ao menos temporariamente).

    Compartilhe aqui suas impressões.

    Abs
  • Marilia  29/06/2019 03:07
    No Brasil o movimento comunista não foi abortado pela eleição de Bolsonaro. Ao contrário, as forças comunistas infiltradas em todos os escalões do governo estão reagindo virulentamente ao novo governo, sabotando-o de todas as formas possíveis e inimagináveis. Infelizmente o brasileiro não tem o estofo do polonês. O brasileiro mal sabe ler e escrever e, por isso mesmo, não tem acesso à informação, transformando-se facilmente em massa de manobra dos comunistas.
  • Renato  30/06/2019 01:22
    Exatamente. E não só pessoas comunistas de fato como integrantes do PT, PSOL e outros que defendem a causa, mas também funcionários do Estado, pessoas que de alguma forma são ligadas Estado e jovens e adultos, que absorvem a ideologia socialista na forma do gransmicismo. Milhões agem como socialistas e vivem num sistema socialista sem perceber e a mídia é a principal culpada disso.
  • Revoltado  01/07/2019 12:24
    Em família, há pessoas cujo sobrenome deveria ser "politicamente correto", pois absorvem o PC em doses cavalares e, ao contrário dos poloneses dos anos 80, acreditam piamente no que a mídia mainstream lhes transmite. Sobretudo as organizações Globo no geral.
  • Delúbio  27/06/2019 19:22
    Sensacional relato, elucidativo e joga luz às atrocidades e descaminhos do comunismo. Que esta desgraça jamais se abata sobre nós (sendo que está logo ali no país vizinho).


    Obrigado ao IMB por compartilhar a história.
  • Fabrício  27/06/2019 19:26
    "Em determinadas ocasiões, se você madrugasse em frente à porta do supermercado e estivesse com sorte, conseguiria comprar um pouco de leite. [...] Comprar gasolina era outra dor de cabeça. Os consumidores iam ao posto, passavam o dia todo dentro do carro esperando na fila, deixavam o carro lá durante a noite, voltavam no dia seguinte e continuavam na fila, até o momento em que conseguissem um pouco de gasolina"

    Isso é a Polônia de ontem ou a Venezuela de hoje? Sim, na Venezuela também acabou a gasolina. Na Venezuela!

    E tem gente que ainda sonha em trazer esse inferno pra cá.
  • Rômulo  27/06/2019 19:30
    Eu tive o prazer e o privilégio de conhecer este maravilhoso país alguns anos atrás. As pessoas odeiam o maldito comunismo. São alegres e hoje vivem felizes. As mulheres são umas bonecas, as mais bonitas da Europa. E o melhor, conseguem conciliar a liberdade econômica com uma sociedade conservadora, lá movimento gayzista, feminismo e outros lixos que enfraquecem a sociedade nem pensar. Espero que a socialista U.E não estrague a Polônia.
  • Vladimir  27/06/2019 19:35
    Lá na Polônia, se você tenta lacrar falando de socialismo, corre o risco de apanhar. Veja o item 6 deste vídeo (veja a partir do minuto 3:45)


  • Revoltado  01/07/2019 12:28
    Gosto sempre de imaginar quê pensaria um polonês se passasse um mês dentro duma universidade federal aqui no Brasil...
    Na melhor das hipóteses, tal eslavo olharia aos céus e diria parafraseando Cristo "Pai, perdoa-lhes! Não sabem o que fazem e dizem"!
  • Oswaldo Cezar de Castro  28/02/2021 17:44
    O que eu acho engraçado nesta moça, é que mesmo sendo um vídeo onde ela mostra estas situações anti comunistas e anti socialistas, ela é uma defensora de tais modelos de governo aqui para o Brasil. Uma ferrenha crítica do atual governo brasileiro e defensora de governos anteriores que quase conseguiram instalar o socialismo no país.
  • Revoltado  07/06/2021 19:29
    Já assisti a este vídeo!
    Racho de rir sempre que vejo a cara dela, ao recomendar o que não deve ser feito ou dito nesse país. A impressão que dá é que pode-se levar um tiro de garrucha na cara em caso de alguma transgressão (risos)

    Mas é isto! A Polônia é um dos poucos países em que o homem cisgênero branco cristão hétero conservador é ainda respeitado e visto em grande conceito. Tão ao contrário do restante do Ocidente, em que é rotulado como a encarnação do Mal sobre a terra, enquanto mulheres e LGBTs são tidos como semi-deuses sacrossantos em demasia para que se lhes critique, ainda que com justiça, exigindo amor incondicional de todos, de maneira que invejaria Jesus Cristo, enquanto usufruem de privilégios bancados pela detestada raça caucasiana adepta do cristianismo desejante do sexo oposto e com idéias longe da Esquerda.
  • Revoltado  07/06/2021 16:24
    Todos que conheço que tiveram o prazer de visitar este país o descrevem de modo bem semelhante!

    A propósito, repararam que ontem ocorreu paradas de "orgulho LGBT" ao menos em São Paulo?

    Creio que com isto aprendemos que vírus COVID-19 é homofóbico e ultra-consevador, pois além de ausentar-se em manifestações Antifa ou do Black Lives Matter, igualmente não aparece no carnaval da metade de ano promovida por pessoas deste segmento. Basta observar vídeos a respeito e não se vê quase ninguém usando máscara ou mantendo um distanciamento social mínimo.
    Isto enquanto estádios de futebol não podem receber público ainda e uma birra é alardeada por conta da Copa América (que sabemos bem, também não terá público).

    Voltando ao tema central, imagino que a Polônia tenha se saído melhor que grande parte da Europa e mesmo o Continente Americano no combate ao Coronavirus.
  • Introvertido  07/06/2021 18:37
    "Isto enquanto estádios de futebol não podem receber público ainda e uma birra é alardeada por conta da Copa América (que sabemos bem, também não terá público)."

    Nesse negócio da copa América está acontecendo uma birra fenomenal, quase ninguém reclama da Champions, da copa das nações, da libertadores ou do Brasileirão, assim como da grande quantidade de campeonatos quê estão acontecendo ao redor do mundo nos mais variados esportes, mas do nada surgiu uma birrinha bizarra nesse caso específico.

    Eu não acompanho muito redes sociais e não sei direito o que está acontecendo, e também não sou muito fã de futebol, mas é um tanto quanto curioso e hilário essa situação, não me canso de ver o quanto á esquerda é hipócrita e seletiva em suas críticas.
  • Revoltado  07/06/2021 19:34
    Quem mais pôe pilha à arenga em tela é a Rede Globo. Dado que não será esta a transmissora do evento, toda a histeria que se vê é lançada por esta. Se a preocupação com a propagação do vírus via esporte é tão sincera, por quê a mesma não pede que a CBF suspenda o Brasilerão em suas quatro divisões, bem como a Copa do Brasil?
    Creio que saberás a resposta facilmente.
  • anônimo  27/06/2019 19:39
    Texto fantástico.

    Ressalvo apenas que, ao contrário do que afirma o primeiro parágrafo, a Polônia tem sim voltado aos noticiários por causa do totalitarismo do partido Lei e Justiça.

    Economicamente realmente o país está infinitamente melhor do que era (o que não é difícil ao se comparar qualquer sistema econômico ao comunismo), mas, sob o aspecto das liberdades individuais, as conquistas das últimas décadas estão regredindo.

    Esse texto da Anne Applebaum (crítica do socialismo e autora de "Gulag: Uma história", livro já citado algumas vezes neste site) é um bom exemplo:

    piaui.folha.uol.com.br/materia/o-pior-esta-por-vir/
  • Régis  27/06/2019 19:46
    "a Polônia tem sim voltado aos noticiários por causa do totalitarismo do partido Lei e Justiça."

    No mesmo sentido de que o Brasil passou a ser noticiado na imprensa chique estrangeira como estando sob um governo de "extrema-direita".

    É tudo espuma.

    O que governo polonês quer é a volta da pena de morte e a proibição de símbolos comunistas, o que já basta para causar uma súbita ardência anal no beautiful people ao redor do mundo.

    P.S.: o Partido da Lei e da Justiça já esteve no governo durante boa parte da década de 2000, e não fez nada de totalitário.
  • anônimo  27/06/2019 19:59
    Se ler o texto verá que o Lei e Justiça do começo dos anos 2000 era bem diferente do atual, justamente porque após a queda do avião que vitimou toda a cúpula do partido o comando foi assumido por pessoas de viés totalitário.

    Admito que não conheço nada do Lei e Justiça além daquilo que sai na imprensa (a qual em geral idolatra a venezuela e não sabe se referir à direita sem qualificá-la como "extrema"), porém, a Anne Applebaum, autora desse artigo, parece ser uma jornalista com boa reputação, tanto que é citada em vários textos deste site.
  • vastolorde  27/06/2019 22:17
    Se hoje em dia, um jornalista tem boa reputação, já é para ficar desconfiado, principalmente se esse jornalista trabalhou para jornais tipo Washigton Post.

    Para falar a verdade fico com o argumento do Nassim N. Taleb: ler jornais é total perda de tempo, o próprio não os lê desde os anos 90, e como disse também, não ficou desinformado.
  • Ninguem Apenas  28/06/2019 11:42
    Os livros de Anne Applebaum são excelentes, é uma das melhores historiadoras sobre o regime comunista russo e polonês. Se ela disse algo, é para se examinar pelo menos.
  • anônimo  07/10/2019 10:17
    Para quem acredita que o Lei e Justiça de hoje é o mesmo de 2000, recomendo a leitura de artigo publicado hoje no valor econômico.
    As medidas econômicas do partido parecem ter sido feitas diretamente pela Dilma e o pessoal da Unicamp:

    Com o ultra nacionalista PIS no poder a partir de 2015 houve uma mudança parcial na política econômica. O governo elevou os gastos sociais no que chamou de "reequilíbrio do modelo social"; passou a promover o consumo e aumentos salariais como motor da economia, ao custo de investimentos; aumentou o ceticismo em relação ao capital estrangeiro; foram anunciados planos de estatização, como no setor bancário, e apoio às empresas estatais. O governo também elevou a tensão com a UE, fonte de dezenas de bilhões de euros em financiamento de projetos de infraestrutura.

    O programa social "Família 500+", que paga 500 zlotys (cerca de R$ 520) por filho, deve expandir o consumo em 3% em 2020, contribuindo para o incremento da demanda interna. Pessoas com até 26 anos não pagam imposto de renda. E as promessas continuam. Os aposentados deverão ter um aumento na renda e a população em geral vai pagar 1% a menos de imposto de renda. O governo promete aumento salarial de 15% nos próximos quatro anos, num país com inflação anual inferior a 3% e taxa de desemprego de 3,8%.

    valor.globo.com/mundo/noticia/2019/10/07/polonia-acumula-riscos-com-populismo.ghtml
  • O Volta  27/06/2019 19:41
    Para provocar: Gorbachev não era reformista. O que ocorreu na URSS foi uma "glasnost", e o sentido dessa frase precisa ser mais bem entendido pelo ocidente.

    Se o comunismo caiu, como então se explica o fato de que a mídia e a academia do ocidente estejam totalmente dominadas por ideologias coletivistas?

    Recomendo a leitura do livro "Desinformation" do General Pacepa, desertor e ex-chefe do serviço de inteligência de Ceausescu. Ceausescu foi o piloto de teste da ação de desinformação chamada glasnost. E Pacepa foi um ator central nessa operação de influência dos serviços secretos do bloco comunista. O que é narrado ali vem de uma fonte primária. Alguém que conheceu Brezhnev, Antropov e fazia parte do núcleo duro dos regimes comunistas.
  • Teo  27/06/2019 19:47
    Já li esse livro. Foi recomendado pelo Olavo. Também acabei de ler "New Lies for Old", do ex-agente soviético Anatoliy Golitsyn.

    Em 1984 (!!!) ele já escrevia que o plano da KGB era "acabar" com o regime soviético apenas de forma aparente promovendo uma abertura parcial de mercado e uma democratização para abrir uma janela de comunicação (Subversão) com o Ocidente. Isso já era pensado desde o tempo de Stalin por Lavrentiy Beria.
  • Pobre Paulista  27/06/2019 20:03
    Ué? Os comunistas implantaram o capitalismo russo?
  • Marcelo  27/06/2019 20:06
    "Para provocar: Gorbachev não era reformista."

    Era sim. Mas ele era reformista no sentido de que tinha de fazer algumas reformas mínimas necessárias para tentar manter o regime socialista funcionando. Obviamente, não bastou.
  • Hoppe  28/06/2019 04:08
    O plano desde o começo era que o medo anti-comunista desaparecesse no ocidente. Para que então a dominação (que já havia começado) pudesse ser concluída sem ter um inimigo visível.

    Para combater essa estratégia, deve-se criar novos lugares iguais aos EUA no mundo, ou seja, grande território, grande população e capitalismo liberal. Mas só isso não bastaria, teria que remover fisicamente comunistas, socialistas, feministas, democratas e qualquer outro grupo subversivo para países europeus como a França que já é um caso perdido.

    Só que os próprios EUA não estão interessados nisso. Então fica nesse joguinho em que toda liberdade pode acabar a cada 4 anos.
  • Carlos Brodowski   27/06/2019 19:49
    "Uma certa noite, fiz o seguinte pedido: se há alguém nos ouvindo, pisquem suas luzes para mostrar que acreditam na liberdade. E então fomos para a janela. Durante horas, toda Varsóvia ficou piscando."

    Como descendente de poloneses, isso bombardeou meu coração de orgulho =)
  • Juliana  27/06/2019 21:58
    Uma das partes mais emocionantes!

    Desejo que a Venezuela consiga se livrar e que o Brasil jamais precise chegar a esse ponto.
  • Vinícius Costa  27/06/2019 22:12
    Eu sou a favor de a Venezuela continuar socialista. Podem me chamar de sádico mas acho ótimo que seja assim.

    Infelizmente, apenas teorias não bastam para convencer as pessoas. Elas só se convencem pela prática. Elas tem que ver a coisa realmente acontecendo. E tá acontecendo aqui do lado.

    Aliás, digo mais: o fenômeno venezuelano talvez tenha sido determinante em desanimar milhões de pessoas a votarem no PT e no PSOL. Por mais incrível que pareça, a Venezuela pode ter nos salvado de virarmos socialistas.

    Se ela deixar de ser socialista, é certeza de que vão adotar uma social democracia tosca que vai apenas manter a economia estagnada. E aí, com o tempo, vai acontecer o inevitável: as pessoas vão culpar o capitalismo por essa estagnação, vão voltar a sonhar com o socialismo (pois a memória é curta) e aqui no Brasil ficaremos sem esse crucial exemplo em tempo real sobre o que é o socialismo na prática.

    Deixe tudo como está.
  • Revoltado  09/06/2021 13:47
    Infelizmente, apenas teorias não bastam para convencer as pessoas. Elas só se convencem pela prática. Elas tem que ver a coisa realmente acontecendo. E tá acontecendo aqui do lado.

    ====Isto teria seu valor pedagógico para socialistas de I-Phone, PSOLs ambulantes, que lamentavelmente votarão no Ladrão de 9 Dedos, mas infelizmente um número considerável deles possui passaporte e visto para certos países (dica: nenhum socialista) e quando o bicho pegasse pra capar, escapariam rapidamente. Na melhor das hipóteses, a longo prazo quem sabe pensariam como os cubanos que fugiram para a Flórida já nos anos 60 e 70.

    Aliás, digo mais: o fenômeno venezuelano talvez tenha sido determinante em desanimar milhões de pessoas a votarem no PT e no PSOL. Por mais incrível que pareça, a Venezuela pode ter nos salvado de virarmos socialistas.

    ====É bom que preces continuem a ser realizadas então, pois se foram úteis em 2018, que o sejam no ano vindouro, pois o estrago que o maldito lockdown fez na economia tem provocado um belo estrago na imagem do atual governo. Se nos EUA os socialistas tomaram o poder, com a força econômica que possuem, o que faz alguém pensar que o Brasil pode se salvar disso em 2023?
    Não consigo deixar de imaginar que a China promoveu toda essa bazófia em 2020 não fosse para desestabilizar o Ocidente, ainda mais sendo a única economia que cresceu (ao menos oficialmente) no ano passado, ao passo que o resto do planeta desinchou financeiramente. Se não foi para derrubar o Trump, como desejam agora fazer contra o Bolsonaro, seria pleo quê?
  • Andre  28/06/2019 13:29
    Há uma imensa diferença entre o povo polonês e o venezuelano refletida na situação de seus países e adivinhe só com qual destes povos o brasileiro se parece mais?
  • Insurgente  28/06/2019 17:06
    Me emocionei.
  • Revoltado  07/06/2021 19:48
    Isto me faz admirar os poloneses! Se eu tivesse esta ascendência, me orgulharia igualmente!

    E se eu tivesse a obrigação de estudar um idioma eslavo, seria a língua polonesa, sem dúvida, com seus gêneros animado e inanimado e meia-dúzia de declinações.
  • Alvaro  27/06/2019 19:59
    Mas a Polônia era manipulada por uma superpotência gigantesca. Já o Brasil e a Venezuela foram manipulados por uma pequena ilha falida.

    Que vergonha!
  • JP  27/06/2019 20:16
    Este trecho foi uma direta:


    "Obviamente, e ao contrário dos ocidentais de hoje, ninguém acreditava em nada do que dizia a mídia." :)
  • Eduardo B.  27/06/2019 21:47
    "Supostamente, essa ideologia deveria moldar o pensamento das pessoas; no entanto, a partir de certo momento, ela se tornou tão fraca e tão ridícula, que ninguém mais acreditava nela. Nem os governados, nem os governantes."

    Acho que esse é o ponto chave.

    Perguntem-se: qual a porcentagem de funcionários públicos que acreditam nas justificativas para o que fazem? E quantos acreditavam há 20 anos?

    Percebo cada vez mais uma descrença tanto da classe privilegiada (funças) quanto da classe explorada (pagadores de impostos) sobre as justificativas ideológicas para a existência dos privilégios.

    E isso é fundamental pro sistema ruir.
  • Yuri  27/06/2019 21:50
    Se você ler o artigo suprimindo as referências às Polônia vai jurar que está lendo sobre a Veneziela de hoje.

    O tempo passa mas os efeitos do socialismo continuam os mesmos.
  • Pedro_N  27/06/2019 22:25
    Que relato comovente!

    Por alguns momentos pensei estar lendo 1984 de George Orwel.

    Eu realmente espero que este sentimento anti-comunista/socialista permaneça na Polônia nas próximas gerações. Ah, como eu gostaria de ver esse mesmo sentimento no Brasil...
  • Revoltado  08/06/2021 20:31
    Também adoraria que este sentimento ganhasse cada vez mais corpo em nosso país.

    E em minhas preces, que a ojeriza não venha como ocorreu de fato na Polônia em questão, sob o jugo da ideologia da foice e do martelo e pela qual padecem Venezuela, Cuba e em escala menor, a Argentina.

    E como já recomendou o apóstolo Paulo, devemos orar sem cessar, pois o que não falta são deslumbrados com tais idéias, com sabor progressista, ao estilo PSOL, que encanta membros das classes abastadas por aqui, além do esquerdismo natural que as mulheres carregam.
  • sandra  28/06/2019 02:17
    Eu testemunhei isso. Estive na Polônia em 1986 e voltei em 2017. Quase não reconheci as cidades que havia visitado.
  • Daniel  28/06/2019 02:47
    Boa noite sei que não tem haver com o artigo mas tenho uma pergunta. É uma pergunta absurda e psicopata eu sei. Imagine que eu sou um bilionário dono de vários prédios na Times Square. Dinheiro pra mim é mato e estou afim de fazer o caos. Instalarei telões gigantes em todos os meus prédios e colocarei vídeos de um homem estuprando um bebê em todos os meus prédios. Os prédios são meus e eu faço o que eu quiser. Nesse caso ninguém poderia me impedir legalmente correto? (Lembrando: Não estou nem aí pras consequências econômicas desse ato doentio e minha identidade como dono dos prédios também estaria protegida de algum modo.)
  • Danilo  28/06/2019 05:49
    Atualmente moro na Polônia em Wroclaw, capital da Baixa Silesia. Não tenho a mínima dúvida que a Polônia dos anos 80 descrita no texto, não se parece com nada com a atual Polônia em que vivo. Acredito que todos os brasileiros que vivem aqui irá exaltar os mesmos pontos, custo de vida, segurança, educação, saúde, infraestrutura, transporte público e cultura.
  • Revoltado  07/06/2021 16:30
    Acredito que a única coisa que a Polônia da época tinha era uma relativa liberdade cultural; podia-se comprar Coca-Cola e Pepsi e ouvir música ocidental na época. Dizem que em 1985, o Iron Maiden se apresentou por lá e nas paradas musicais deles, Michael Jackson já figurava em seu topo; no futebol, o jogador Boniek já jogava com Michel Platini e Paolo Rossi na Juventus, quando o Calcio era o campeonato mais rico do mundo. Imagino ser isto a única coisa boa que o polonês oitentista podia usufruir.
  • Milton Friedman Cover's  28/06/2019 10:41
    Maravilhoso texto! Sempre admirei a Polônia e a sua resistência e luta contra os nazistas durante a horrível ocupação na Segunda Guerra. E admiro muito o Papa, Santo Papa, João Paulo II. Ele sofreu nas mãos do nazismo e do comunismo o que fez dele um grande adversário dos dois sistemas que se encontram até nas cores vermelhas. Tem um ótimo filme sobre a vida dele, basta buscar no YouTube. Está completo lá. Como está no texto, o Papa, Reagan, Thatcher, foram fundamentais para a derrubada do comunismo na Europa. Claro que no caso polonês a resiliência e força do povo foi crucial para a vitória. Sobre a imprensa mundial, hoje quase toda vermelha, afirmando que o atual governo de lá é de extrema direita, como cita um leitor acima; é comum hoje em dia. Fazem isto aqui, contra o governo Bolsonaro, e o excelente ministro, Paulo Guedes, etc. É duro ver pessoas que se guiam pelo que escrevem, falam, jornalistas das grandes mídias! Hoje, por exemplo, afirmam que a popularidade do presidente Bolsonaro caiu, por causa das denúncias, etc. Tudo mentira para fazer a cabeça dos menos interessados em buscar a verdade. Como seria bom poder multiplicar o artigo de hoje em milhões espalhados em todos os lares! É preciso implantar as reformas socioeconômicas do ministro Paulo Guedes, isto, agora, para aprofundá-las mais adiante. Que a Polônia seja exemplo a ser seguido sempre. Essa agenda das esquerdas ( feminismo, aborto, ideologia do gênero, etc....), tem que ser contestada com rigor e persistência. A Igreja Católica é referência na luta contra o comunismo, socialismo. Claro que falo na IC sem teologia da libertação e outros grupos internos que vão contra as tradições iniciadas com Cristo e mantidas pelos seus apóstolos e líderes cristãos como o Papa João Paulo II. Esquerdismo, nunca mais! Abraços.
  • Felipe Mello  28/06/2019 20:01
    Muito obrigado pelo excelente artigo!
  • Jairdeladomelhorqptras  28/06/2019 20:13
    Pessoal,
    A história da Polônia é bastante trágica.
    Durante todo o século XIX a Polônia como unidade política autônoma não existiu. Fora dividida entre o Império Russo, a Prússia, (depois Império Alemão unificado) e o Império Austro-Húngaro ainda no final do século XVIII. E só recuperou sua identidade política ao final da II Guerra, em 1918.
    Foi a população que mais sofreu na II Guerra. E acabou nas garras da União Soviética. A grosso modo, podemos dizer que por 200 anos, os Poloneses só encontraram paz e tranquilidade nestes últimos trinta anos que o texto descreve.
    Abraços
  • Red man  28/06/2019 21:55
    Enquanto isso, a África agoniza de fome.
  • Heitor  28/06/2019 23:04
    Com o histórico deles não dava pra ser diferente:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2420
  • Jose Antonio Mariano  28/06/2019 23:02
    A II Guerra Mundial, para a Polônia, durou 30 anos. Ao longo da guerra, os poloneses tiveram de lutar contra nazistas, stalinistas, ucranianos, lituanos e, as vezes, "contra" as potências ocidentais. Aguardem o livro "Enquanto formos vivos, a Polônia não perecerá - A Polônia nos campos de batalha da II Guerra", apenas um vislumbre do que esse país sofreu nas mãos de alemães e soviéticos...!
  • Renato  30/06/2019 01:52
    Eu tenho uma teoria de que na II GM, a Rússia de Stálin estava do mesmo lado da Alemanha de Hitler, da Itália e do Japão. Alguma coisa que nunca saberemos pelos livros de história, levou Stálin a unir forças com a Europa, mas só foi a II GM acabar e o mapa da Guerra Fria já estava desenhado. Esses ditadores comunistas, nazistas e fascistas, que no final são todos da mesma ideologia, tinham como objetivo dominar a Europa e a Ásia, em um governo de controle e repressão da população, tal como é hoje na Coréia do Norte e de certa forma na China também que não engana com seu "livre mercado" expansionista e predatório.
  • Claudia   01/07/2019 13:01
    Caro amigo, já existem materiais a esse respeito. O livro Stalin's War de Ernst Topitsch é um exemplo. A URSS usou a Alemanha nazista como ponta de lança.
  • Fábio dos Santos  29/06/2019 01:07
    Tenho algumas dúvidas:
    1 - Um anarcocapitalista pode defender que o estado combata crimes como o homicídio por exemplo?
    2 - Eu poderia vender bebidas alcoólicas para uma criança no ancapistão?
    3 - Negociar, fazer trocas voluntárias com um bandido seria antiético?
    4 - Como impedir (ou quais são os meios de impedir) que o estado ressurja em um ancapistão?
    5 - Como ficariam os setores da música e dos esportes em um ancapistão, sabendo que não estão representando o estado?
    6 - O ancapistão poderia revidar com a mesma força do poderio estatal em caso de invasão?
    7 - E a questão da imigração, deixaríamos os muçulmanos (por exemplo) entrarem, sabendo que há cidades que o acolheriam?
    8 - Como evitar a relativização da propriedade, ou seja, evitar que um pisão na grama seja equivalente a um estupro?
    9 - Haveria um "controle" de armas no ancapistão? Por exemplo, muçulmanos e satanistas poderiam obter armas? Alguém moraria ao lado de um vizinho que possui uma granada com mil foguetes?

    São apenas dúvidas que eu tenho, agradeço se alguém responder.
  • Ninguém Apenas  29/06/2019 19:48
    1 - Com certeza. Se realmente houver agressão contra inocentes (hoje a segurança e a justiça são monopólio do governo), a única coisa a se fazer é utilizar esse serviço. Se a produção de alimentos fosse estatal, só sendo muito idiota para ser contra as pessoas comerem por causa disso.

    2 - Não existe "o ancapistão", da mesma forma que não existe "o governistão". Tudo vai depender das leis regionais e da lei privada que existirão em cada região. Assim como hoje um país pode permitir, outro pode se opor. A verdade é que é impossível saber o futuro, tudo vai depender das vontades e ideias de seus habitantes.

    3 - Essa pergunta é uma pergunta armadilha. A verdade é que dentro do que hoje é chamado "movimento libertário" existe muita discussão acerca desse ponto. Pessoalmente eu acredito que depende de cada caso, mas explicar profundamente seria demais para esse comentário.

    4 - Nesse ponto eu concordo com o que o Kogos disse, se a civilização realmente considerar moral a agressão e tirar vantagem do outro a qualquer custo (zero de altruísmo), um Estado acabará por ser inevitável.

    No fim, nada nessa vida é garantido, é necessário que haja muita vigilância e desejo de manter a civilização de governanças privadas para evitar isso, mas se as pessoas (e as forças armadas) realmente querem a volta do Estado... paciência. Tal situação provavelmente provocaria uma guerra civil.

    5 - Tá de zoas né?

    6 - Pessoalmente, a maioria dos libertários responderia "Sim", mas eu não realmente acredito que empresas privadas preocupadas somente com o lucro lutariam até a morte e esgotamento dos recursos contra uma invasão de enormes batalhões de um poderoso Estado.

    No entanto, isso não significa que exércitos privados (até mais poderosos que os Estatais) não possam existir. Na minha visão, seria necessário que os combatentes, os financiadores e a população tenham ambos as mesmas crenças, ou seja, ambos realmente queiram defender a sua "nação", "região" ou "cultura" a qualquer custo.

    Na minha opinião (é opinião, não é fato), o localismo seria muito importante para permitir essa situação de defesa contra exércitos estatais.

    Mas a realidade é que nada nessa vida é garantido, nem com Estado e nem sem. Nos dias de hoje, você acha que o governo da Georgia e seus exércitos estatais teriam poder para enfrentar uma invasão da Rússia por exemplo?

    7 - A resposta é a mesma da pergunta 2.

    8 - Bom, quem tiver paciência que desenvolva o assunto, essa pergunta eu não responderei.

    9 - A resposta é a mesma da pergunta 2.


    Desculpa se a resposta não foi realmente o que você queria, mas imagino que até mesmo aqui no site muitos não concordarão comigo. De qualquer forma estou aberto a debates. Quem quiser adicionar algo, á vontade.
  • Carlos  30/06/2019 19:42


    1 - Um anarcocapitalista pode defender que o estado combata crimes como o homicídio por exemplo?

    Um anarcocapitalista analisa ações individuais. Estado é, para eles, uma ficção. Então falar que Estado existe é, dadas as premissas anarco-capitalistas, nonsense. Mas isso não impede de efetuar juízos de valor acerca de ações específicas, pouco importa o sujeito que as leve a cabo. Se não me engano o próprio Hoppe já exultou a ação de alguns estados Europeus que agiram com violência para reprimir a imigração muçulmana. Não porque ele aprove Estados, mas ele aprova a ação.

    2 - Eu poderia vender bebidas alcoólicas para uma criança no ancapistão?

    Claro. Apenas para ponderação: anarco-capitalistas põem muito relevo na responsabilidade individual. Se você, vendedor da bebida alcoólica, sabe que o consumo do seu produto pode causar danos a um indivíduo que, a seu julgamento, não tem o discernimento necessário para sopesar as consequências de suas ações, seria ético efetuar essa venda? Não seria de bom tom informar ao consumidor infantil dos danos que podem ocorrer com a sua propriedade (seu corpo) caso consuma? E, mesmo depois de tudo isso, a resposta provavelmente será positiva. Um porre homérico costuma ser, também, bom professor.

    3 - Negociar, fazer trocas voluntárias com um bandido seria antiético?

    No ancapistão a conduta criminosa ("bandidos") só se deve à ofensa do princípio de não-agressão contra a vida e a propriedade privada. Se os bandidos assumem essa definição, porque diabos você faria qualquer troca voluntária com quem sabe que não respeita as bases fundantes do ancapistão?

    4 - Como impedir (ou quais são os meios de impedir) que o estado ressurja em um ancapistão?

    Em termos muito simplórios, impedir que alguém detenha o monopólio da coerção.

    5 - Como ficariam os setores da música e dos esportes em um ancapistão, sabendo que não estão representando o estado?

    Iriam muito bem obrigado, como muitos artistas e alguns desportistas já o fazem em alguns países. Quando desaparece o ônus da estrovenga chamada Estado sobram recursos para todo o resto. E a nossa espécie adora música e esportes.

    6 - O ancapistão poderia revidar com a mesma força do poderio estatal em caso de invasão?

    Seria melhor definir o que é invasão. Aqui no Rio de Janeiro não existe Estado Brasileiro, existem os enclaves da máfia tradicional (milícias) e dos narcotraficantes. A máfia que adorna os uniformes da Polícia Militar é apenas mais preguiçosa que as outras duas: cobra proprina de ambas para não encher o saco de quem detém o poder nesses territórios. Então, em termos reais, já fomos invadidos, faz tempo, por organizações à la Estado faz tempo.

    De outra forma, e isso, é claro, é opinião minha, o ancapistão não teria como repelir o esforço organizado de um bando de tiranetes que espolia o gado leiteiro do seu território. A "raison d'être" do ancapistão é conflito quase zero, e os existentes, solucionados entre as partes dentro de padrões que elas mesmas escolham. Nesse estado de coisas não há um real interesse em gastar mundos e fundos inventando e/ou adquirindo meios para matar pessoas.

    7 - E a questão da imigração, deixaríamos os muçulmanos (por exemplo) entrarem, sabendo que há cidades que o acolheriam?

    Imigração é um problema se você adota a noção de um território "público", em que a gangue Estatal dita as regras. Perde o sentido no ancapistão, pois nele não há propriedade pública, apenas privada. Então é uma questão que seria definida a nível individual, de acordo com a cabeça de cada proprietário.

    8 - Como evitar a relativização da propriedade, ou seja, evitar que um pisão na grama seja equivalente a um estupro?

    Simples: um pisão na grama não é, nem nunca foi, igual a um estupro. Numa população que adote as bases anarco-capitalistas esse cenário que você descreveu é um absurdo. E o pisão na grama aconteceu por quê? Acaso o proprietário do gramado foi relapso ao ponto de não cercar sua propriedade? Viajou e um bando de adolescentes bêbados resolveu fazer uma festinha no seu quintal? Não há como fazer grandes generalizações como você coloca. Cada caso tem circunstâncias específicas que os diferenciam de quaisquer outros. Há que se ver o que ocorreu de fato, e decidir qual a reparação necessária, em cada caso.

    9 - Haveria um "controle" de armas no ancapistão? Por exemplo, muçulmanos e satanistas poderiam obter armas? Alguém moraria ao lado de um vizinho que possui uma granada com mil foguetes?

    a) Claro que NÃO.
    b) Claro que SIM. Um adendo para ponderação: indivíduos doutrinados desde muito cedo à aniquilação do indivíduo em prol da manada, ou por adotarem a sociopatia ou psicopatia como um meio de vida, iriam para o ancapistão? Seria uma tortura existencial para eles viverem em um local que é, efusivamente, contra o cerne de suas crenças / distúrbios mentais.
    c) A critério do indivíduo.
  • O estrangeirista  01/07/2019 15:22
    A resposta pra todas as suas perguntas, se resume em uma só: tudo se baseia no bom senso comum. Se ele não existir, o sistema não funciona. E se isso fosse realmente viável, esse sistema não precisaria ser implantado, ele seria vigente desde o início, por puro bom sendo comum.
  • O Liberal  29/06/2019 13:29
    Desde o início da humanidade temos a existência de um estado. Mesmo nos tempos tribais, ansiamos por uma organização social. O libertarianismo me parece uma bagunça, e com vários pontos bem questionáveis. Como a "propriedade intelectual" para mim. Se uma pessoa tem uma ideia, o produto desenvolvido é dela e ela tem exclusivamente os direitos sobre a ideia. O libertarianismo diz que "ideia" não tem propriedade. Ex: se uma empresa farmacêutica cria um remédio, os direitos sobre a fórmula são da empresa. Mas o libertarianismo diz que a ideia é de todos.
    Foquei nesse ponto. Mas tem vários outros que não concordo. Sou "Conservador em temas sociais e liberal na economia" sei que isso pode ser contraditório até mesmo na semântica. Mas "essa é a minha ideia e acabou porra"....kkkkkk. Mas eu respeito todas a ideias.


    Ps: acho que vai demorar algumas várias décadas para o libertarianismo começa a ser levado a3 sério
  • Paulo Lima  30/06/2019 16:59
    Descobri o IM a menos de um mês. Seus artigos são simples para leigos como eu, e bem escritos. Desconstroem muitas falácias que ouvi a minha vida toda!
  • Entreguista  30/06/2019 18:05
    Eu ja acredito que nunca vamos nos livrar do estado 100% assim como tambem nao acredito no comunismo 100% porque o povo pode sim passar fome,mais os donos do regime sempre vivem acima do povo. Nao existe igualdade em lugarvnenhum,isso é mentira comunista. Por isso sou a favor de estado minimo,combater burocracia e existencia de novas estatais,nunca deixar o estado crescer. Esse é o caminho. O estado nao precisa de controle de armas,drogas,combustiveis,alimentos e etc. Sou favoravel a um estado minimo so na justica,seguranca e protecao a deficientes. De resto o mercado resolve. Simples assim.
  • Rodolfo Andrello  01/07/2019 13:34
    O relato dos radialistas deu um nó na garganta.
  • Antonio  12/07/2019 12:55
    O povo polonês tem muita grandeza. Lutaram "só" contra os tiranos alemães e russos. É a nação que eu mais admiro .
  • Valdir Marques de Souza  26/07/2019 22:44
    Vida longa à Polônia, a nação mais sóbria do decadente continente europeu, o PiS está fazendo um magnífico trabalho no combate ao globalismo e em defesa do povo polonês.
  • Emerson Luis  28/07/2019 17:37

    Apenas "soldados rasos" da esquerda realmente acreditam que o socialismo visa mesmo tudo o que o discurso diz que ele busca (e nem todos). Quando mais alto na hierarquia "igualitária", mais consciente os socialistas são de que a narrativa é apenas pretexto para obter poder total e que vai gerar apenas escravidão e miséria.

    * * *
  • Willian Partica   13/10/2019 13:39
    Precisava ajeitar a página para que os gráficos, fotos e outras ilustrações apareçam quando aberto no celular...
  • Nelson Travnik  29/12/2020 20:42
    Esqueceram de um fato que colocou a Polônia frontalmente de encontro a ideologia comunista. Refere-se ao massacre de Katyn, perpetrado por ordem de Stalin onde 5.700 soldados e oficiais poloneses, rendidos, desarmados foram assassinados nessa região. Outros 5.300 foram enviados para a Sibéria e nunca mais se soube deles. Um crime monstruoso sem paralelo na história da 2ª Guerra. Existe um filme que relata toda a brutalidade e mostra as mortes. Não sem razão pois que os poloneses detestam o comunismo e lá qualquer símbolo é proibido. O partido também é proibido. A Polônia bem como os outros países que foram dominados pela União Soviética, é um exemplo vivo do fracasso econômico e desmesurada tirania e opressão desse regime.
  • Boaz Cesar Ribeiro  19/02/2021 00:56
    Parabéns pela matéria.
    Sinceramente, é difícil conceber e absorver a realidade que, em plena atualidade, ainda haja pessoas que acreditem nesse câncer chamado socialismo. Algo claramente comprovado por tudo que é país que tentou que isso é uma ilusão que leva uma nação a pobreza, faz parar no tempo, destrói uma economia e gera miséria. A história fala por si, só olhar para a realidade de países que vivem esse regime e para aqueles que já viveram e se liberaram, como a Polônia. Mesmo assim, o que impressiona é haver pessoas que defendem piamente essa loucura, principalmente no Brasil.
  • Jão   01/03/2021 17:37
    E, pensar que hoje temos um papa ignorante, que parece achar o comunismo e todas essas asneiras belo. PQP, dá até vontade de chorar lendo o artigo. Devia ser distribuído e lido por todo mundo, principalmente os mais jovens.
  • Z%C3%83%C2%A9zinho  05/06/2021 15:42
    "Os gerentes das lojas e as pessoas que trabalhavam em restaurantes e no sistema de transporte simplesmente não tinham nenhum incentivo para serem solícitos ou mesmo gentis com os clientes. O cliente era apenas um estorvo, e eles não ganhavam nada nesta interação. O serviço prestado era ou ríspido ou apático."

    Tem um filme polonês dos anos 80, chamado "MIS" (Urso) que retrata bem essa situação.

    Nos restaurantes os pratos e talheres eram parafusados na mesa para evitar o roubo. Numa cena um senhor foi a uma loja compar algo e a funcionária com cara de poucos amigos disse rudemente. "Estou comendo!"
  • Persio  06/06/2021 12:28
    Parabéns pelo artigo, Instituto Mises!
    Os poloneses dos anos 80 foram HERÓIS. Espero que o Brasil tenha aprendido a lição, e não caia na armadilha do "Paraíso Socialista".
  • Revoltado  06/06/2021 13:22
    Só teremos tal certeza se não tivermos de ver em 1o de janeiro de 2023 um cachaceiro semi-analfabeto recebendo a faixa presidencial.
    Os vizinhos portenhos lamentavelmente demonstraram ainda não ter aprendido a respeito e já se lê relatos de alguns vindo morar aqui devido à situação precária que a Argentina padece.
  • Jeferson Vasquez  06/06/2021 19:24
    #escrutínio público.
  • Constatação  06/06/2021 17:28
    A coisa que menos vi na foto do açougue foi do que mais deveria haver num açougue. Emblemático.
  • Revoltado  07/06/2021 16:26
    Reparei o mesmo, colega.

    Havia mais carne na foto seguinte, em que porcos eram encontrados no porta-malas de um carro da época que no açougue de Varsóvia, propriamente dito.
  • WMZ  06/06/2021 19:14
    *** Off-Topic***

    O Lula foi ruim para o rentismo? Ou foi bom? Os petistas falam que o Bolsonaro é dos "rentistas"
  • Trader  06/06/2021 20:28
    Ninguém foi mais pró-rentismo do que Lula e sua Selic acima de 14%, em média. Tesouro IPCA pagava IPCA + 8,20% (hoje paga 4%) e prefixado curto era de 13% para cima (hoje é de 8%).

    Inclusive, há vários que defendem sua volta exatamente por causa dessa memória. Qualquer pessoa com um milhão de reais no banco aplicado no CDI tirava 12 mil por mês.
  • Felipe  06/06/2021 21:05
    Pois é, apesar que dá saudades do Meirelles e de seu discurso falando de que a moeda é o patrimônio nacional e o seu objetivo era em manter a sua estabilidade. O que estragou é que os bancos estatais estavam expandindo muito o crédito, por isso que o IPCA ficava sempre alto. Outra questão é que as commodities encareceram muito em meados de 2008 (ao menos em dólares, atingindo alta histórica; ao passo que em reais elas subiram, mas não chegaram à uma alta histórica).
  • anônimo  06/06/2021 20:34
    banqueiro e rentista fizeram a festa na decada petista
    justamente 2 tipos que a esquerda vive fingindo que odeia mas vive lambendo atras das cortinas
  • Revoltado  07/06/2021 16:33
    Fato!
    Sem contar o quanto agradam o establishment com suas campanhas progressistas. Quando não é o Itaú incentivando mulheres que nunca foram proibidas a empreender com coreografia composta por leões-marinhos de aparência feminina, temos o Bradesco, indignado que sua AI (que atende por Bia) seja insultada e "assediada", enquanto atende de forma medíocre a clientela.
  • Introvertido  07/06/2021 18:49
    " temos o Bradesco, indignado que sua AI (que atende por Bia) seja insultada e "assediada", enquanto atende de forma medíocre a clientela."

    Eu vi sobre isso na TV, aparentemente algumas feministas ficaram indignadas devido ao fato de que algumas AIs com vozes femininas estão sendo "Insultadas e assediadas" e não estão revidando, ou seja, gente sem o que fazer que gosta de polemizar tudo em nome do politicamente correto, e o fato de que á mídia dá atenção para coisas banais assim mostra bem o fato óbvio do quanto ela é seletiva em suas notícias.
  • Johannes  07/06/2021 14:39
    Vocês andam acompanhando a situação política na Europa? Na Alemanha o AfD, partido de extrema direita que é abertamente antidemocrático e tem vários membros filiados à movimentos neonazistas ganha cada vez mais apoio, mesmo apesar das intensas campanhas de mídia contra o ódio e o extremismo. Cenário similar se observa na Escandinávia, onde partidos de extrema direita só sobem nas eleições, e isso tudo ocorre no meio de uma pandemia, onde inclusive já foi comprovado que governos de esquerda e de centro performaram muito melhor no combate ao vírus do que governos de direita e liberais. Nos EUA a situação é similar, o Biden até agora mostrou muito mais serviço do que o Trump, e mesmo assim o segundo ainda retém um número assustador de seguidores, o Brasil dispensa comentários.

    Pois bem, esse crescimento assustador de movimentos violentos e extremistas coincide exatamente com a expansão da internet e a proliferação de fake news e desinformação em massa, as redes sociais, por meio de um fenômeno chamado de "echo chambering" faz com que os usuários não tenham contato com pontos de vista contrários, o que causa a formação de bolhas e a cada vez maior extremização de todos os pontos de vista. Devido à sua natureza descentralizada, a internet permite que pessoas sem o mínimo preparo saiam escrevendo e espalhando matérias, muitas vezes com fatos distorcidos ou mal interpretados, antes da internet, jornalismo era profissão para pessoas formadas, com formação não só jornalística mas também humana, hoje qualquer um sai por aí escrevendo baboseiras e influenciando milhares de pessoas.

    Pois bem, gostaria de deixar aqui alguns pontos para os senhores refletirem:

    1: Será que não caberia talvez algum tipo de regulação? Vejam bem, eu não sou apoiador da ditadura chinesa, mas o modelo deles de "soberania da informação" me parece bastante interessante, lá somente artigos escritos por pessoas formadas em jornalismo são permitidos, além disso, os artigos são formalmente verificados e devem atender à uma série de critérios antes que possam ser publicados . Além disso, a privacidade online não é um direito absoluto, os dados são muito bem protegidos de empresas abusivas mas colocados à disposição da polícia, sendo assim autores de fake news podem ser rastreados e lavados à justiça. Será que um modelo inspirado nisso porém adaptado ao contexto democrático não seria interessante para o Brasil?

    2: É de conhecimento público que as redes sociais hoje já capturaram a maior parte das interações humanas, sendo assim, vocês acham justo que as mesmas sejas administradas de forma privada e sem qualquer controle? Para mim, isso parece desumanizador no mínimo. Pra mim, à partir de um determinado número de usuários as redes sociais deveriam ser tratados como espaços públicos e administradas de acordo com a legislação. O que vocês acham?

    É isso, deixo aí estes questionamentos.
  • Alberto  07/06/2021 15:27
    Nunca falha: sempre que um partido ou mesmo um político é rotulado de "extrema-direita" pela mídia (observe que o rótulo "extrema-esquerda" nunca é utilizado), pode saber que se trata simplesmente de um partido ou de um indivíduo que fala coisas sensatas (isto é, politicamente incorretas) sobre imigração e cultura.

    Sério, nunca falha.
  • Revoltado  07/06/2021 16:18
    Sim, e a Polônia foi alvo não muito tempo atrás desta rotulação quando seu presidente ou primeiro-ministro respondeu em inglês que não receberia nenhum daqueles refugiados à época da crise migratória de 2015. Eis o óbvio: a terra do Papa João Paulo II não apareceu (não que me recorde) em nenhum noticiário em relação a sofrer ataques terroristas, ao contrário da França, Grã-Bretanha e Alemanha.
    Ainda fui taxado de "sem empatia" por amigos na época que critiquei o descontrole em aceitar o tais refugiados sírios; poucos meses depois, tiveram de calar a boca perante mim! (risos)
  • Cobaia  07/06/2021 16:31
    Caro Johannes

    Percebo que possui dificuldades em ser claro e conciso, então fiz um esforço para tornar seu texto mais próximo daquilo que informaria melhor os leitores. O resultado está logo abaixo:

    Vocês andam acompanhado a situação política na Europa? Na Alemanha o AfD, que ousa ser antidemocrático e tem vários membros filiados à movimentos neonazistas, ganha cada vez mais apoio mesmo com o esforço da mídia, esta última com campanhas contra o ódio e o extremismo que não estejam alinhadas com as pautas esquerdistas. Cenário similar se observa na Escandinávia, onde partidos não esquerdistas só sobem nas eleições, e isso tudo ocorre no meio de uma pandemia! Como ousam não cair em todo o terrorismo psicológico e se submeterem aos movimentos e governos esquerdistas, únicos capazes de resolver tal desastre! Nos EUA a situação é similar, o Biden até agora mostrou ser esquerdista e, pasmem, os direitistas ousam em não mudar de lado! Blasfêmia! O Brasil dispensa comentários.
    Pois bem, esse crescimento assustador de questionamentos à hegemonia esquerdista e consequente violência do bem daqueles que jamais deveriam ser questionados coincide com a expansão da internet e a proliferação de novas fontes de informação não filtradas pela soberania esquerdista, por meio de um fenômeno chamado de heresia, em que as pessoas descobrem fatos alternativos sobre a esquerda, socialismo, comunismo, etc, e se afastam desta fé que tanto fez bem para aqueles que a professam. Devido à sua natureza descentralizada, a internet permite que pessoas antes bloqueadas pelo establishment possam difundir novas informações e isso é um problema para a fé socialista. Antes da internet, jornalismo era apenas para aqueles treinados em serem militantes socialistas, e isso era o melhor para todos, agora qualquer um pode blasfemar e afastar milhares de pessoas do bom caminho.
    Pois bem, gostaria de deixar aqui alguns pontos para os senhores refletirem:
    1:Será que não caberia controle estatal? Veja bem, não apoio a ditadura chinesa pois não sou eu que ganho com isso, mas o modelo de controle completo estatal da informação me parece bem interessante, lá somente artigos escritos por pessoas comprometidas com a fé socialista são permitidos, além disso, os artigos são previamente censurados para evitar qualquer engraçadinho que ouse sair da linha. Além disso, não deveria existir privacidade, com os dados devidamente arquivados e prontamente disponíveis aos planejadores centrais, de tal forma que eventuais fanfarrões sejam devidamente suicidados antes que causem estragos relevantes. Será que um modelo inspirado nisso porém sem explicitar que é controle estatal com as bênçãos da fé socialista seria interessante para o Brasil?
    2:É de conhecimento público que as redes sociais hoje já são mais relevantes que a mídia tradicional já sob a fé socialista, sendo assim, vocês acham justo que elas possam existir sem o controle estatal? Para mim, isso é um atentado à fé socialista e uma grande perda de controle. Para mim, à partir do momento que eu quiser, as redes sociais devem imediatamente serem controladas pelo estado e administradas por uma estatal. O que vocês acham?
    É isso, deixo aí estes questionamentos.


    Saudações
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  07/06/2021 16:31
    Se você concorda com a "soberania da informação" chinesa e a vê como confiável só por causa de ser praticada por diplomados na área não sei o quê você está fazendo por aqui. Três vivas para o grande timoneiro Mao! VIVA! VIVA! VIVA!
  • Artista Estatizado  07/06/2021 16:37
    Esse comentário é assustador. Revela um autor provido de um grau de sociopatia digno dos mais asquerosos serial killers da história.

    Essa gente é extremamente perigosa e, se necessário, matará todos os que lutam por liberdade, sem pestanejar.
  • Revoltado  07/06/2021 19:37
    tenho para mim que a postagem do Johannes deva ser ironia...
  • Introvertido  07/06/2021 16:57
    O vocabulário dá esquerda é realmente fascinante, criaram o tal termo "Neoliberal" para os defensores de livre mercado, também deturparam á palavra "Liberal" em diversos países e á transformaram em uma forma de se referir aos progressistas, e por último agora surgiu do nada o tal termo "Extrema-direita", que se tornou uma forma de se referir aos reacionários e anti-progressistas, de uma forma que aparente ser pejorativa, já que á esquerda e a mídia frequentemente relaciona esse termo com
    coisas relacionadas com o fascismo, como já dizia Lenin "Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é"". Ficou muito mais fácil para á esquerda e a mídia vilanizar qualquer um que discorde eles.

    O método de manipulação e de propaganda dá esquerda é realmente brilhante, enquanto nós, liberais, nos recusamos á utilizar esses mesmos métodos, e é por isso que nós nunca iremos vence-los nesse campo.
  • Revoltado  07/06/2021 19:31
    É porquê liberais e conservadores zelam pela etimilogia correta do vernáculo, ao contrários dos canhotos, adeptos da distorção lingüísitca, coisa que Orwell percebeu em "1984", divulgando o conceito da Novilíngua.
  • Apropriado  07/06/2021 23:12
    Me irrita profundamente que chamam esses idiotas canhotos de 'liberals' (liberais) nos EUA. Os verdadeiros liberais (nós) são péssimos para fazer marketing.

    Então sinto falta de um nome apropriado para chamarmos eles, e Neocomunistas?
  • Burgo  08/06/2021 00:16
    Pois bem, esse crescimento assustador de movimentos violentos e extremistas coincide exatamente com a expansão da internet e a proliferação de fake news e desinformação em massa, as redes sociais, por meio de um fenômeno chamado de "echo chambering" faz com que os usuários não tenham contato com pontos de vista contrários (...)

    Pelo contrário, a internet é o que possibilita às pessoas terem contato com pontos de vista contrários. Eu posso ler sobre algum assunto em um site e buscar um ponto de vista contrário em outro site. Eu posso ler um site afirmando algo e outro site argumentando contra isso. O acesso a todo tipo de informação é livre.

    Agora vamos aos veículos tradicionais da mídia. Você já viu o Jornal Nacional, a Folha de S. Paulo, o Estadão e afins apresentando pontos de vistas opostos sobre um assunto e sem fazer juízo de valor? Vamos pegar o assunto da pandemia, por exemplo, que é bastante atual: você já viu alguns desses veículos de comunicação mencionados apresentarem pontos de vista opostos a respeito do lockdown? Do tratamento precoce? Da vacinação? Não, pelo contrário, não só apresentam uma única visão e consideram como "errado" tudo o que for dito em contrário! E o mesmo se aplica a vários outros assuntos. E depois é a internet quem não expõe as pessoas a pontos de vista contrários?

    Veja só: antes da popularização da internet, quando rádio, TV, jornais e revistas eram as únicas fontes de informação, as pessoas tinha opiniões praticamente parecidas. Pois eram expostas a apenas um ponto de vista sobre um assunto. Isso sim era uma "câmara de eco". O que a internet promove é exatamente o contrário do que você está afirmando. Na internet não existem "donos da verdade". Diferentes pontos de vista sobre determinado assunto podem coexistir e as pessoas são livres para agir conforme suas próprias convicções, desde que não imponham seus pontos de vista sobre os demais.

    E regular mídia e impor controles sobre meios de comunicação é isso: é partir do princípio que só existe um ponto de vista correto sobre cada assunto, impor esse ponto de vista sobre os demais e impedir a expressão de pontos de vista contrários.
  • Revoltado  08/06/2021 12:26
    E regular mídia e impor controles sobre meios de comunicação é isso: é partir do princípio que só existe um ponto de vista correto sobre cada assunto, impor esse ponto de vista sobre os demais e impedir a expressão de pontos de vista contrários.

    ====Sonho que os canhotos ainda mantêm, em especial o partido mais corrupto que este país tem visto!
    Ferve o sangue só de imaginar que há pessoas que teimosamente declaram votar no cachaceiro semi-analfabeto em 2022. Infelizmente convivo (não apenas via Internet) com gente assim, sejam parentes ou colegas de trabalho.
    Quanto aos primeiros, o coração dói ainda mais, pois é como se não acessassem a Rede Mundial, pois baseiam sua visão de mundo conforme o que diz a Globo. Só não defendem o aborto por questões religiosas. De resto, é progressismo correndo junto ao sangue pelas veias. É lamentável poder fazer pouco a respeito.


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