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Uma breve história do movimento progressista: eugenia, drogas, Lei Seca e Ku Klux Klan
E a inspiração para a plataforma do socialismo

Os progressistas têm um jeito com as palavras que chega a ser realmente impressionante. Talvez tudo tenha começado quando eles roubaram, nos EUA, o termo 'liberal' dos libertários. 

Desde então, a coisa virou uma bola de neve e saiu totalmente de controle. 

De "justiça social", "identidade de gênero" e "pró-escolha" (exceto quando a escolha se refere a armas ou lâmpadas incandescentes), passando por vários "ismos" criados pejorativamente para rotular seus opositores, os progressistas são especialistas em tais feitos linguísticos.  

E embora os conservadores e até mesmo os libertários também, e infelizmente, utilizem várias frases triviais em vez de argumentos sólidos, os progressistas são os campeões invictos neste quesito.  

A melhor prova disso é o próprio termo progressista que eles utilizam tão excessivamente: quando se referem a uma medida que apóiam, tal medida é progressista; quando se opõem a algo, tal medida é reacionária.

Esta simples dicotomia é um enorme prazer para aqueles indivíduos incapazes de um raciocínio mais elaborado e que gostam de ver suas crenças resumidas em chavões simples, quase sempre partidários e rudimentares. 

No entanto, a ideia de que o progresso ocorre ao longo de algum gradiente entre o conservadorismo reacionário e o progressivismo é flagrantemente falaciosa.

O passado que os condena

Supor que o progresso ocorre em uma direção e que a reação ocorre na direção oposta é um tipo de pensamento unidimensional que não se sustenta após uma análise mais sensata.  

Por exemplo, os progressistas do início do século XX defendiam coisas (e se aliavam até mesmo a grupos religiosos) que os progressistas de hoje abominariam. 

Foram os progressistas daquela época que, em conluio com protestantes, agitaram pela aprovação da Lei Seca, e criticaram violentamente aqueles "conservadores econômicos que brigaram tanto para revogá-la", como relatou o historiador Daniel Okrent.  

O famoso progressista William Jennings Bryan foi um inflexível defensor da Lei Seca. Como observou seu biógrafo Paolo Coletta:

Bryan era a epítome da visão proibicionista: protestante e nativista, hostil às grandes corporações e aos malefícios da civilização urbana, dedicado à regeneração pessoal e ao evangelho social.  

Ele acreditava sinceramente que a Lei Seca contribuiria para a saúde física e para o aperfeiçoamento moral do indivíduo, estimularia o progresso cívico e acabaria com os notórios abusos relacionados ao comércio de bebidas.

A descrição acima parece mais com a de um conservador contrário à descriminalização das drogas, a quem os progressistas desprezam. 

Com efeito, se o assunto é drogas, foram os progressistas de antigamente que também aprovaram, nos EUA, a primeira lei federal de desestímulo ao comércio de drogas, Harrison Narcotics Tax Act, de 1914.  

Enquanto isso, o presumivelmente reacionário H.L. Mencken descreveu os defensores da Lei Seca como seres motivados por uma "aberração psicológica chamada de sadismo".

Foram organizações progressistas que apoiaram, em 1882 e 1924, leis de restrição à imigração de chineses. Vários sindicatos "progressistas" eram abertamente racistas, nativistas e nacionalistas.  

Até mesmo a segunda encarnação da Ku Klux Klan, no início do século XX, além de ser abertamente racista, também defendia várias reformas progressistasMargaret Sanger, sexóloga, feminista, defensora do aborto e heroína dos progressistas americanos, chegou a palestrar em um dos eventos da KKK.

Ela também foi uma defensora declarada da eugenia, assim como vários outros progressistas da época. Os principais proponentes de teorias sobre superioridade e inferioridade genética eram figuras icônicas da esquerda, de ambos os lados do Atlântico.

Na Europa, John Maynard Keynes ajudou a criar a Sociedade Eugênica de Cambridge. Intelectuais adeptos do socialismo fabiano, como H.G. Wells e George Bernard Shaw, estavam entre os vários esquerdistas defensores da eugenia.

Foi praticamente a mesma história nos EUA. O presidente democrata Woodrow Wilson, como vários outros progressistas da época, eram sólidos defensores de noções de superioridade e inferioridade racial. Ele exibiu o filme O Nascimento de uma Nação, que glorificava a Ku Klux Klan, na Casa Branca, e convidou vários dignitários para a sessão.

Reitores da Universidade de Stanford e do MIT estavam entre os vários acadêmicos defensores de teorias sobre inferioridade racial — as quais eram aplicadas majoritariamente aos povos do Leste Europeu e do sul da Europa, uma vez que, à época, era dado como certo o fato de que os negros eram inferiores.

Como observou o psicólogo e linguista canadense Steven Pinker:

Contrariamente à crença popular difundida por cientistas ideólogos, a eugenia foi, durante grande parte do século XX, uma das bandeiras favoritas da esquerda, e não da direita.  

Ela foi defendida por vários progressistas e socialistas, dentre eles Theodore Roosevelt, H.G. Wells, Emma Goldman, George Bernard Shaw, Harold Laski, John Maynard KeynesSidney e Beatrice Webb, Margaret Sanger e os biólogos marxistas J.B.S. Haldane e Hermann Muller. 

Não é difícil entender por que todos eles se alinharam a esta causa. Protestantes e católicos conservadores odiavam a eugenia porque a viam como uma tentativa das elites intelectuais e científicas de brincar de Deus. Já os progressistas adoravam a eugenia porque era um movimento em prol da reforma e contrário ao status quo.  

Para eles, a eugenia era um ativismo e não um laissez-faire; era uma responsabilidade social e não um individualismo egoísta.

A ironia

Quando se entende esse histórico, chega a ser irônico que conservadores e libertários sejam atualmente rotulados de eugênicos — mais especificamente, de 'darwinistas sociais' — pelos progressistas quando defendem a liberdade econômica.  

Também não é surpresa que o conservador católico G.K. Chesterton tenha escrito Eugenics and Other Evils, e que o grande Ludwig Von Mises tenha criticado a intervenção socialista dizendo que "… [um homem] se torna um peão nas mãos dos engenheiros sociais supremos. Até mesmo sua liberdade de criar sua prole será abolida pelos eugenistas".

E os nacional-socialistas — mais popularmente conhecidos como nazistas —, que foram os mais famosos defensores da eugenia? Eles definitivamente não eram progressistas, certo?  Afinal, seu professor de história garante que não.  

E, com efeito, a plataforma de 25 pontos do programa nazista defendia medidas verdadeiramente "anti-progressistas", como "estatização de todos os conglomerados... divisão dos lucros das grandes indústrias ... [e] um generoso aumento nas pensões".  

Se, por um lado, os nacional-socialistas não são hoje o exemplo seguido pelos atuais guerreiros da justiça social, por outro, é incontestável que eles representavam o completo oposto do que defendem os libertários e os conservadores.

Os progressistas de hoje

Em termos puramente políticos, o progresso é algo extremamente subjetivo.  

Por exemplo, na Dinamarca, os progressistas legalizaram a prostituição; já na Suécia, os progressistas a tornaram ilegal.  Podem ambos ser progressistas?  

Já em termos econômicos, científicos e tecnológicos, o progresso definitivamente existe. Ou ao menos é de se imaginar que exista. Porém, algumas pessoas muito progressistas acreditam que os luditas que quebravam máquinas representavam um "heróico movimento de resistência em prol dos direitos da classe operária". Ou seja, destruir tecnologia é igual a progresso. 

Há também os progressistas que se opõem aos atuais progressos tecnológicos, como os aplicativos de transporte e de entrega.

E o que dizer sobre a Revolução Industrial, a qual — não obstante várias dificuldades — elevou sobremaneira a renda per capita da população? Até hoje, há progressistas que ainda não aceitam os pontos positivos da Revolução Industrial.

E há aqueles que entendem por progresso o regresso às condições humanas vigentes nas sociedades tribais — cujos níveis de violência eram absurdos e apavorantes — de antes da Revolução Agrícola. O biólogo evolucionário Jared Diamond rotula a invenção da agricultura como "o pior erro da história da raça humana". 

Aliás, esqueça esses moderados. Vamos logo abolir toda a raça humana aderindo ao hiper-progressista movimento voluntário da extinção humana. Isso, sim, seria progresso…

Progredindo ao regresso

O que é o progresso e o que é reacionarismo dependem muito do ponto onde você começa e do ponto para onde quer ir.  

Se o objetivo é a igualdade — como muitos autodeclarados progressistas afirmam —, então qualquer progresso rumo a uma maior igualdade tem de ser considerado, é claro, um progresso. Se esse é o caso, então o comunismo tem de ser visto como a mais progressista de todas as causas.  

E, com efeito, o comunismo assim foi considerado por vários intelectuais do passado.  

Karl Marx via a história como uma marcha já pré-determinada do progresso: o comunismo primitivo levou à sociedade escravocrata que levou ao feudalismo que levou ao mercantilismo que levou ao capitalismo que levará ao socialismo que finalmente levará ao comunismo pleno.  

Ademais, a União Soviética, a China e outros regimes comunistas sem dúvida nenhuma executaram um número considerável de reacionários e contra-revolucionários. Para eles, isso foi um progresso.

Para concluir

Felizmente, o comunismo está politicamente morto há três décadas, e nenhum progressista de hoje teria a mais mínima simpatia por absolutamente nenhum aspecto deste regime sanguinário. 

Certo?


autor

Andrew Syrios
é co-fundador da empresa de investimentos imobiliários Stewardship Properties. É mestre em Administração pela Universidade do Oregon e também bacharel em História.

  • Caio  22/09/2020 17:51
    Boa Tarde!

    Na verdade, Progressistas são exatamente regressistas.

    "Foi praticamente a mesma história nos EUA. O presidente democrata Woodrow Wilson, como vários outros progressistas da época, eram sólidos defensores de noções de superioridade e inferioridade racial. Ele exibiu o filme O Nascimento de uma Nação, que glorificava a Ku Klux Klan, na Casa Branca, e convidou vários dignitários para a sessão."
    Tem um vídeo no Youtube que fala exatamente que o Partido Democrata era quem apoiava a escravidão nos EUA.
    www.youtube.com/watch?v=Na7j8nIfhbs
  • Paulo  23/09/2020 16:59
    Exatamente Caio. Eu acho que nós devemos adotar as mesmas técnicas deles... o termo mais adequado seria "regressistas". Se nós começarmos a usar os termos corretos, em breve essa guerra cultural pode ser equilibrada.
  • Banho Gelado  22/09/2020 18:10
    Felizmente, o comunismo está politicamente morto há três décadas, e nenhum progressista de hoje teria a mais mínima simpatia por absolutamente nenhum aspecto deste regime sanguinário.

    Certo?

    Stálin não foi a reencarnação de Lúcifer, diz historiador que influenciou Caetano Veloso
    www1.folha.uol.com.br/poder/2020/09/stalin-nao-foi-a-reencarnacao-de-lucifer-diz-influenciador-de-caetano-veloso.shtml
  • Yamaguchi  22/09/2020 19:22
    Nunca vi algo "politicamente morto" ter tanto espaço, apoio, simpatia e adeptos assim.

    Sem dúvidas um caso de ideologia zumbi, morreu mas continua atormentando a humanidade.
  • Revoltado  23/09/2020 14:06
    Inclusive daqueles que teriam suas vidas ceifadas pela mesma...
  • Tulio  22/09/2020 18:11
    Gostei da ironia final...
  • Luiz  22/09/2020 19:00
    "Felizmente, o comunismo está politicamente morto há três décadas, e nenhum progressista de hoje teria a mais mínima simpatia por absolutamente nenhum aspecto deste regime sanguinário.

    Certo?


    Tem ironia ai... rss

    Ao contrário, o comunismo moderno nunca esteve tão vivo e ditador de atos humanos. Um exemplo são as ações 'POLITICAMENTE CORRETAS', uma camisa de força a liberdade de pensamento. Evidentemente, essa ferramenta, descaradamente, não tem tem aplicação a ideologia comunista. O interessante e inexplicável é como uma ideologia, que escraviza, inclusive, a mentalidade de um povo, consegue tanta adesão, tanta simpatia. Chega dar a impressão de que a humanidade verdadeiramente não anseia pela liberdade.
  • Humberto  22/09/2020 19:01
    Todo progressista é e sempre foi, em todo e qualquer lugar, um regulamentador da vida alheia e da economia.

    E essa é a parte mais branda da filosofia deles.
  • Revoltado  23/09/2020 14:05
    Exemplo de como amam regularizar a vida alheia:

    Prostituição tida como ilegal nos EUA (à exceção de Nevada); nos estados mais progressistas de fato, como Califórnia ou Nova York, a polícia põe nas esquinas à noite agentes femininas à paisana apenas para "caçar" os potenciais clientes da transação.
    Cito esses estados, em particular, pois o vetor à proibição seria a influência do feminismo de modo a combater a "objetificação da mulher" (como se homens não fossem objetificados como caixa-automáticos ambulantes pelas mesmas que não hesitam em parasitar alguém chamando-o carinhosamente de sugar-daddy)
    Em San Francisco mesmo, o infeliz pego, além de ser multado, deve assistir a uma palestra em que ex-garotas de programa o humilham psicologicamente, na melhor das hipóteses.
    Em Buffalo (estado de NY), além de multado e preso, ainda aparece com rosto e nome completo no noticiário das filiadas locais das grandes redes (ABC, NBC e CBS)
    Não à toa sinto vontade baixar o calão até ficar rouco quando vejo uma estadounidense queixando-se de quão sua vida de mulher é difícil.
  • Imperion  23/09/2020 18:14
    E toda essa regulamentação empurra a prostituição pras casas de "mercado negro" (tráfico). O que acaba obrigando o consumidor a financiar exatamente os exploradores cafetões. 
  • Revoltado  23/09/2020 18:27
    Dentro dos EUA mesmo, o "programa" é caríssimo, via sites de acompanhantes. Algo em torno de US$ 1.000 ao menos; estrelas pornôs cobram comumente o dobro disso.

    Em casas de strip-tease, diferente daqui, não existe um local "reservado" à relação como conhecemos. Com muita sorte (e muita mesmo) pode-se negociar algo a mais com sua stripper preferida (pagando um valor elevado, obviamente).

    Graças a Supreme Court, a menos que um dos juízes mude o entendimento a algo similar ao Brasil ou Europa (embora hoje eu seja contra legalizar, pois dá poder ao Estado)
  • Revoltado  23/09/2020 19:30
    Permitam-me um adendo, que havia me esquecido anteriormente:

    Considero a prostituição como um excelente exemplo de livre-mercado, pois valores são atribuídos, em ao menos 90% das vezes o cliente "sai ganhando", digamos. As mais competentes, profissionais (incluiria aqui liberais, sensuais e carinhosas) ganham uma clientela fixa ou um número maior doutros potenciais interessados, ao passo que as medíocres e mal-educadas são punidas pela lei do mercado pelos mesmos clientes.
  • Ludovico  22/09/2020 19:03
    "O que significa ser 'reacionário'? E 'progressista'?

    Não se deve condenar objeções a políticas insensatas, assim como não se deve enaltecer medidas que estabeleçam o caos.

    Nada deveria ser aprovado só por ser novo, radical ou por estar na moda. A 'ortodoxia' não é um mal, se a doutrina defendida pelos 'ortodoxos' é correta e consistente.

    Quem é contra os trabalhadores: os que querem reduzi-los ao nível existente na Rússia ou os que querem elevá-los aos padrões norte-americanos? Quem são os 'nacionalistas': os que querem submeter sua nação aos nazistas ou os que querem preservar sua independência?"



    Ludwig von Mises, em "Intervencionismo - Uma análise econômica".
  • Neto  22/09/2020 19:04
    Sugiro, que também que é muito bom:

    Parem de achar que "reacionário" é ofensa
  • Marcos  22/09/2020 19:23
    É fato que "progressista" está passando a ter uma conotação negativa, assim como "fascista" e "nazista".

    Em breve, os esquerdistas terão de adotar uma nova nomenclatura e passarão a nos xingar de "progressistas", assim como fizeram com o "fascista" e "nazista".
  • Humberto  22/09/2020 19:37
    Ué, já estão fazendo exatamente isso com o termo "liberal" aqui no Brasil.

    O que tem de social-democrata no Twitter que passou a se auto-rotular de "liberal" é inacreditável. Até uns 4 anos atrás, "liberal" era xingamento. Durante todos os governos do PT, "liberal" era um termo depreciativo e caluniador. Hoje, os mesmos que antes xingavam os outros de "liberais" passaram a jubilosamente se auto-rotularem de "liberais".

    Está acontecendo aqui o mesmo que já ocorreu nos EUA: o sequestro do tempo "liberal" pela esquerda.
  • Bruno  22/09/2020 19:44
    Não é só com o termo liberal não. Já tem esquerdista se chamando de libertário. Se os libertários continuarem bobeando, vão perder essa também.
  • Estado o Defensor do Povo  22/09/2020 20:00
    Já temos também o termo anarco-capitalista, eles jamais vão adotar esse, senão vai ficar meio óbvio, alguém se intitulando de capitalista e sendo contra o capitalismo.

    Ou então, adotemos o termo "voluntarista" (~_^)b
  • Skeptic  22/09/2020 21:09
    Falar a real, "libertário" era um termo no Brasil para anarquistas de maneira geral faz muito tempo. Se importou o termo libertário dos EUA sem necessidade, pois aqui liberal ainda significava liberal clássico.
  • 4lex5andro  23/09/2020 17:18
    O que ajudou a confundir isso, foi a reverberação negativa - a mídia de sempre e também as bancas do MEC - em cima do termo ''neoliberal''.

    E daí pra ser associado, pela maioria desinformada (em tempos ainda pré-internet) foi rápido e de modo que o conceito ''liberal'' no Brasil ficou muito atrelado a pixação em cima do ''neoliberal''.

    Logo, pareceu interessante à direita liberal clássica, quase inexistente no Brasil, importar o têrmo usado nos Eua, ''libertarians'' e translitera-lo para o pt-br ... e eis o ''libertário'' ou ''libertarianismo'' incipiente, mas altivo e guerreiro, existente hoje no Brasil.
  • Lucas  23/09/2020 19:57
    Se importou o termo libertário dos EUA sem necessidade, pois aqui liberal ainda significava liberal clássico.

    Por aqui, liberal se tornou sinônimo de "minarquista", ou seja, o pessoal que defende apenas a diminuição do estado, mas não a sua extinção, por acreditar que o estado seja necessário em determinadas áreas. Com isso, o pessoal que discorda disso e defende que o estado não é necessário para coisa alguma, passou a se intitular libertário.
  • Skeptic  24/09/2020 17:40
    Claro, com tanto "liberal" preocupado com desigualdade, políticas identitárias e outras aberrações fica difícil definir o que é um liberal segunda a tradição clássica. (Não que um liberal não possa se preocupar com esses temas, claro que pode, mas há um movimento muito exagerado em cima disso, parece que querem mais o respeito da esquerda do que fazer um investigação séria)
  • Imperion  22/09/2020 21:15
    Nova moda da esquerda é falar que é liberal, mas falando mal do neoliberalismo. Piada.

    Agora são eles que oferecem a liberdade para as pessoas, libertando-as das mazelas do capitalismo, libertando-as da desigualdade. Dizem que o homem não pode ser livre se outro tem mais que ele. Na lógica, o outro é mais livre e deve se tirar liberdade dele para quem tem menos obter mais liberdade.

    Segundo eles, liberdade é limitada e tem que ser redistribuída com políticas de redistribuição de "liberdade". Mesmo argumento da redistribuição de renda. Mera troca de palavras.

    Na lógica distorcida deles, pra vc ser livre, é necessário tirar a liberdade de quem tem, pois esta impede a sua. Ou, "a liberdade de um, é a sua escravidão".

    E o argumento supremo deles sempre foi que o indivíduo deve se submeter ao estado, para que sua liberdade não se sobreponha à dos outros.

    No fundo, eles apenas pegam o conceito de liberdade e o deturpam.
  • rraphael  22/09/2020 22:56
    "Já tem esquerdista se chamando de libertário. Se os libertários continuarem bobeando, vão perder essa também. "

    por mim podem se pintar de azul e se chamar de blue men's group que eu to pouco me f*

    eu sou pro-individuo e pro-capitalismo, sigo principios e valores
    rejeito rotulos, coletivismos e camisas ideologicas
    irrelevante pra mim a questao liberal-libertario-ancap "de direita", eu discuto ideias e nao o rotulo que a pessoa gosta de se pintar

    por conta da sociedade atual transformar tudo em um grande clubismo desde cedo o individuo se sente obrigado a um pick-side
    e como consequencia as pessoas comuns acham que tem que pensar da forma que o clube A , B ou C determinam
    nao por acaso quando adolescente eu me sentia uma pária politica pois nao conseguia me submeter a nenhum grupo

    pior ainda eh que a definicao dos "clubes" muda de acordo com as conveniencias, com os interlocutores, um adversario num debate sempre te fantasia de acordo como ele imagina o vilao perfeito a partir da otica dele mesmo e nao pela definicao classica de como voce se ve
    na imprensa marrom entao... vixe, ou voce eh do grupo ou vira tudo extrema-direita
    e enquanto continuar essa briga por roupagem as ideias vao continuar completamente alheias
  • Revoltado  23/09/2020 16:34
    Depois que feministas ligadas ao partido mais corrupto que este país tem visto se autodeclaravam "mulheres do grelo duro" (expressão que teria custado a cabeça socialmente de qualquer sujeito conservador/liberal), em solidariedade ao Nine Fingers, quando das escutas realizadas em 2016, não é de duvidar-se que ocorrerá o mesmo com o termo "progressista".
    Aproveitemos enquanto podemos usá-lo para depreciar os amantes do PC...
  • Juliano  22/09/2020 20:18
    Nos EUA, os progressistas já falam abertamente, em rede nacional, que terão de "explodir todo o sistema", mudar completamente as leis eleitorais (pois o povo não vota como eles querem), e trocar à força toda a suprema corte americana.

    Se não acreditam e acham que estou exagerando, vejam:

    twitter.com/RNCResearch/status/1308233534272831488
  • Revoltado  22/09/2020 20:18
    Então lhes contarei algo agora:

    Já vi gente em rede social, tempos atrás, que já chamei aqui de "PSOL personificado", alegando nesses quizes sobre política/economia, considerar-se "socialista libertário"!

    OK, esperarei vossas risadas esgotar-se após lerem isto que expus acima.

    Pois é, eis um conceito que deve ser parente do "quadrado redondo" e mesmo do "judeu nazista" ou quem sabe, mesmo do "satanista cristão"... LOL
  • Skeptic  22/09/2020 21:07
    Quem quer rir?

    Why the Gold Standard Is the World's Worst Economic Idea, in 2 Charts

    www.theatlantic.com/business/archive/2012/08/why-the-gold-standard-is-the-worlds-worst-economic-idea-in-2-charts/261552/
  • Matheus S.  23/09/2020 11:52
    Como ele aparentemente refutou o padrão-ouro em dois gráficos, isso demonstra o quanto a mídia pode influenciar negativamente um determinado assunto e/ou pessoa.

    O primeiro gráfico:

    Período de 1919 - 1931.

    Chega a ser risível.

    O primeiro argumento é o motivo de ele colocar justamente esse período? Por qual razão não colocar outros períodos?

    O segundo argumento é também justamente o período que ele exemplificou. Veja bem o período do começo dos anos 20, foi justamente o cenário de depressão que poucos conhecem, mas creio que a maioria dos leitores do Mises já conhecem a história econômica dessa depressão. Pois bem, em 1920, e resumindo ao máximo, o Dow Jones caiu quase metade(de Nov de 1919 a Agosto de 1921) e o desemprego disparou para cerca do dobro. Tudo isso enquanto os preços desceram 18% e o PIB contraiu 6,9% - de acordo com os números do governo americano.

    Qual foi a reação do governo federal? A administração cortou o orçamento em metade. As taxas do IRS foram cortadas para todos os escalões. A dívida estatal (não o déficit, note-se!) foi cortada em 1/3. E o FED, criado pouco tempo antes, não expandiu a base monetária nem de outro modo pôs em perigo o padrão-ouro.

    Que conclusões tirar? Para muitos, nenhuma: foi um episódio. Para alguns contudo, a comparação entre esta crise e a seguinte, com respostas diametralmente opostas e resultados também diametralmente opostos, fica a lição da história, para que não estejamos condenados a repetir os erros do passado.

    O presidente dos EUA em exercício naquele tempo tentou abordar a crise de uma forma a ter uma deflação inteligente, atacando os gastos governamentais, diminuindo os impostos e reduzindo a dívida pública, isso por si só estimulou a poupança e a economia na esfera privada e a recuperação foi muito mais rápida e sólida do que a crise subsequente.

    Logo, no primeiro gráfico, pode-se observar bem a deflação causada nesse período relatado.

    Estranhamente, ele desconsiderar essa estabilidade que conseguiram em questão de meses.

    O período posterior ao ano de 1921, a política monetária expansionista foi a principal causa dos "loucos anos 20", reduzindo os juros em quase metade, e depois de toda aquela febre expansionista, o FED começou a aumentar os juros interrompendo o fluxo de expansão que estava ocorrendo até aquele determinado período, o começou da crise de 1929.

    Qual foi a resposta? Diferentemente dos governantes do período de 1920-1921, foram anos de intervenção econômica. Logo, não há sequer a possibilidade de se ter estabilidade nesse cenário. E a própria deflação desse período foi diferente do período de 1920 a 1921.

    O segundo gráfico:

    A maioria dos leitores do Mises não devem se surpreender do motivo de não ter tido inflação no período posterior a crise de 2009. Houve aumento da inflação monetária, mas não da oferta monetária, logo não há motivos para se acreditar que teria inflação.
  • Felipe  23/09/2020 14:01
    Esse bom senso quase não vemos hoje. Basta verem o Brasil de agora.
  • Matheus S.  23/09/2020 18:53
    Pois é.

    Apesar de quem bom senso no Brasil é algo totalmente ilusório.

    Eu fico imaginando o cidadão que viveu os períodos inflacionários e os planos desastrosos dos governantes para tentar mitigar a hiperinflação, e mesmo essas pessoas tendo vivido a olho nu todos esses planos desastrosos, ainda terem coragem de defender regulação estatal, controle de preços e etc.

    É a prova cabal de que o bom senso no Brasil é inexistente ou quase inexistente.

    Eu realmente não espero muita coisa dos políticos brasileiros, mas do resto da sociedade ainda tenho esperança.

    Esses argumentos devem e tem que ser combatidos.
  • Skeptic  24/09/2020 17:37
    Muito bem!

    Curiosamente ele usou um gráfico da época da Primeira Guerra Mundial e depois do Padrão Ouro-Câmbio e não de antes, do Padrão-Ouro Clássico. Escolheu um período muito mais turbulento.

    Sobre o segundo gráfico, é aquela velha confusão causada por achar QEs criam necessariamente hiperinflações, culpa também de alguns economistas austríacos que defenderam isso.
  • Skeptic  24/09/2020 17:46
    Agora uma piada mais sem graça, o presidente Jair Bolsonaro publicou um vídeo patético do Celso Russomanno tentando justificar o aumento do preço do arroz e a intimação da justiça aos supermercados.
    Veja apenas se tiver estômago pra tanto populismo econômico:



    Segundo o presidente é "uma aula de humildade e conhecimento".
  • Igor  22/09/2020 23:27
    A terminologia usual da linguagem política é totalmente estúpida. O que é esquerda e o que é direita? Por que Hitler é de 'direita' e Stalin, seu amigo até 1941 e contemporâneo, de 'esquerda'?

    Quem é 'revolucionário' e quem é 'conservador'? Quem é 'reacionário' e quem é 'progressista'? Reação contra políticas pouco inteligentes não deve ser condenada e progresso em direção ao caos não deve ser elogiado, nada deve ser aceito apenas por ser novo, radical e estar na moda.

    'Ortodoxia' não é um mal se a doutrina em que o ortodoxo se baseia é válida.
  • Imperion  23/09/2020 13:19
    Surgiu na revolução francesa. Na esquerda da assembleia ficava os representantes do populacho, que queriam a divisão dos bens da sociedade e na direita, os representantes dos nobres, que queriam ficar com seus bens privados.

    Daí que nasceu essa divisão: normalmente, os socialistas ficam à esquerda e os defensores da propriedade privada, à direita. Conservadores que queriam manter o status ficavam à direita. Os revolucionários, à esquerda.

    Mas é apenas uma relação com a revolução francesa. Esquerda e direita normalmente se misturam e normalmente a esquerda é contra mudanças que vão contra a distribuição de renda (é conservadora quando tá no poder).

    Em politica então são rótulos que vc inventa pra "classificar" os outros.
  • Ex-microempresario  23/09/2020 14:14
    Praticamente todos as "definições" políticas hoje são tratadas como elogio de um lado e xingamento do outro.

    De um lado tem "esquerda", "progressista", "socialista", "defensor da justiça social", "politicamente correto": tudo auto-elogio e sinalização de monopólio da virtude, enquanto idolatram Stalin e Fidel.

    Mas do outro lado tem "direita", "conservador", "cidadão de bem", "patriota", que pelo discurso parece um leitor de Bastiat e Hume, mas é só um rabugento que têm saudade do Médici e do Geisel.

    O que ambos têm em comum é o amor por um governo enorme que mande em tudo, e a certeza de que estão sempre certos em tudo.

    No fundo, certo estava Spinoza: o que todo homem mais busca é que todos sejam obrigados a gostar do que ele gosta e proibidos de gostar do que ele não gosta.


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