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A atual carestia dos alimentos é consequência de uma cega devoção ao sistema de metas de inflação
Políticas de metas de inflação são a causa, e não a solução dos atuais problemas

Comecemos com um exemplo simples que, no entanto, reflete exatamente o que está se passando na economia brasileira neste momento pandêmico.

Imagine uma economia em que haja apenas dois produtos: maçãs e laranjas. Vamos trabalhar apenas com o curto prazo.  Há 10 maçãs e 10 laranjas, e uma oferta monetária total de $20.  

Suponha que a interseção entre oferta de laranjas e demanda por laranjas determine um preço de $1,10 por laranja. Isso irá, simultaneamente, estipular o preço de cada maçã em $0,90.

(Se você multiplicar 10 laranjas por $1,10 e 10 maçãs por $0,90 terá um total de $20, que é a oferta monetária total da economia).

O preço relativo entre laranjas e maçãs reflete a demanda da sociedade por estes dois bens, sempre de acordo com sua relativa abundância — ou oferta.  

Agora, suponha que as preferências das pessoas se alteram e elas passam a demandar ainda mais laranjas e menos maçãs. Ou seja, a demanda por laranjas aumenta e a demanda por maçãs cai. Faltam laranjas e sobram maçãs.

O efeito de curto prazo será um aumento no preço das laranjas e uma redução no preço das maçãs (caso a oferta monetária se mantenha inalterada).  

Assim, suponha agora que o novo preço de equilíbrio seja de $1,20 para laranjas e $0,80 para as maçãs.  

Isso representa um aumento de 9% no preço das laranjas (de $1,10 para $1,20) e uma redução de 11% no preço das maçãs (de $0,90 para $0,80). 

Estatisticamente, essa alteração no padrão de consumo deveria levar a uma alteração no peso de cada item na cesta de consumo. No início, laranjas e maçãs tinham o mesmo peso, pois eram consumidas igualmente (10 de cada). Agora, sobram maçãs e faltam laranjas. Logo, laranjas deveriam passar a ter mais peso estatístico do que maçãs. Se isso for feito, o cálculo da inflação estará correto.

No entanto, se não fizermos essa alteração, e considerarmos que o peso dos dois itens na cesta de consumo das pessoas se manteve o mesmo — que é exatamente o que o IBGE fez; ou seja, o Instituto não alterou os pesos dos itens na cesta de consumo durante a pandemia (e, justiça seja feita, nem teria como) —, então temos que a economia está vivenciando uma deflação de preços de 2%, calculada como uma média ponderada dos dois bens (aumento de 9% nas laranjas, queda de 11% nas maçãs, ambos os itens sendo mantidos erroneamente com o mesmo peso na cesta de consumo).  

E tudo por causa de uma simples mudança na preferência das pessoas, mudança essa que não foi levada em conta pela agência que calcula a inflação de preços, que não alterou a cesta de consumo das pessoas — com o novo padrão de consumo, laranjas deveriam ter mais peso que maçãs.

(Ironicamente, o IBGE alterou a metodologia da cesta no fim de 2019, antes da pandemia. A alteração foi correta; porém, com a pandemia, ficou desatualizada)

Ato contínuo, em decorrência do fato de o índice oficial de preços estar agora apontando uma deflação, o Banco Central — que tem como principal política manter este índice de preços aumentando 4% ao ano — terá de reduzir a taxa básica de juros e expandir a oferta monetária (aumentar a quantidade de moeda na economia) com o objetivo de estimular a demanda e, com isso, encarecer ainda mais a laranja (ou evitar que a maçã caia de preço).

Agindo assim, ele tentará fazer com que o índice oficial de inflação ao menos volte para perto de 4%. 

E por que o Banco Central tem de atuar para encarecer as coisas? Por que ele tem de impedir que os preços caiam? Nenhum economista convencional sabe responder seriamente a essa pergunta, sem cair em contradição.  

É assim no mundo real

Embora extremamente simples, o exemplo acima ilustra exatamente o que o Banco Central brasileiro está fazendo nesta era de Covid-19. 

Por causa das quarentenas e do desligamento compulsório da economia efetuado por prefeituras e governos estaduais, a esmagadora maioria do setor de serviços foi fechada. A cesta de consumo do brasileiro foi profundamente alterada. 

Com poucas pessoas saindo de casa, a demanda por itens como passagens aéreas, passagens de ônibus, hotéis, turismo, vestuário, lazer, estacionamentos, ingressos de cinema e teatro, utensílios domésticos, móveis, toalhas, lençol, fronhas etc. simplesmente sumiu.

Com a queda global no preço do barril de petróleo e a forte redução na circulação de veículos, combustíveis baratearam. Com o fechamento das escolas e a adoção do ensino à distância, várias instituições ofereceram redução nas mensalidades.

Tudo isso pode ser comprovado nos gráficos abaixo.

Itens como artigos de residência, vestuário e transporte apresentaram a menor taxa de crescimento em 20 anos. (Observação: o gráfico está no formato de média móvel de 12 meses, o que significa que os valores se referem à média dos valores mensais para cada período de 12 meses).

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.37.09.png Gráfico 1: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços dos itens "transportes", "artigos de residência" e "vestuário

Observe que, no primeiro semestre, todos apresentaram deflação de preços.

Já a educação, embora não tenha entrado em deflação, apresentou uma queda fragorosa:

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.37.33.png

Gráfico 2: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços do item "educação"

Consequentemente, e dado que estes itens possuem um peso considerável na cesta de consumo criada pelo IBGE para calcular o IPCA, o Banco Central reduziu acentuadamente a SELIC (fazendo com que a taxa real de juros se tornasse negativa e menor até mesmo que a da Suíça) e atuou para expandir a oferta monetária, principalmente por meio do Orçamento de Guerra.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1). 

m1xselic.png

Gráfico 3: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, expansão da oferta monetária acelera.

Igualmente, a forte expansão monetária em conjunto com juros reais negativos depreciaram fortemente o real. O dólar encareceu.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio. 

selicxcambio.png Gráfico 4: linha azul, eixo da direita: taxa de câmbio (reais por dólar); linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é também quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão a taxa de câmbio cai (ou pára de subir). Quando a Selic cai, a taxa de câmbio sobe.

O real, até o início de outubro, foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo. Um feito.

Como consequência desta forte expansão monetária, desta forte redução dos juros e da ampla desvalorização da moeda, os preços em reais das commodities brasileiras negociadas no mundo e cotadas em dólares, como arroz, milho, soja e carne, subiram forte.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços, em reais, das principais commodities agropecuárias brasileiras, segundo dados do Banco Central: 

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 16.04.03.png

Gráfico 5: evolução dos preços das principais commodities agropecuárias.

Com os preços em reais em alta, as exportações de alimentos passaram a bater recordes. E isso gerou seu encarecimento, mesmo tendo havido recorde de produção

O gráfico abaixo mostra a taxa de inflação dos preços dos alimentos em comparação com os demais produtos da cesta do IBGE.

Captura de Tela 2020-10-16 a`s 15.43.27.png

Gráfico 6: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços dos itens "alimentos e bebidas", "transportes", "artigos de residência" e "vestuário"

Portanto, essa disparada dos preços dos alimentos se deveu, basicamente, a três fenômenos: 

1) auxílio emergencial de R$ 600 por mês para 67 milhões de pessoas, que está sendo feito majoritariamente via expansão monetária.

2) Isso gerou um aumento da quantidade de moeda injetada na economia pelo Banco Central.

3) E gerou também uma alta do dólar, a qual foi causada tanto pela injeção de moeda quanto pela pronunciada redução da Selic.

Já os preços dos materiais de construção também seguem batendo recordes, mas estes nem sequer entram no índice de preços ao consumidor.

Apenas mais um exemplo

Portanto, comparando-se ao nosso exemplo hipotético inicial, os alimentos e os materiais de construção são as laranjas, que tiveram aumento na demanda e subiram intensamente de preços. Já todo o resto da economia são as maçãs, que tiveram queda na demanda e relativa estabilidade nos preços.

O IBGE captou esse fenômeno, mas não alterou o peso de cada item nas cestas de consumo (e, como dito, nem teria como em tão curto espaço de tempo). E o Banco Central, que é guiado exclusivamente pelo resultado final do índice de preços, reagiu de acordo com seu objetivo de tentar encarecer tudo em 4% ao ano.

Para compensar a queda dos preços dos estacionamentos (vazios), das passagens aéreas (aviões parados), das diárias de hotéis (fechados) e das roupas (quase ninguém compra roupa sem ir à loja experimentar), o Banco Central injetou moeda a rodo para fazer subir outros preços e, com isso, manter a meta de carestia em 4% ao ano.

Consequentemente, acabou gerando uma brutal carestia nos alimentos, algo que todas as famílias sentem no supermercado. E nos materiais de construção. E ainda impediu uma salutar e necessária queda nos preços nos outros setores (em recessão com alto desemprego, custos devem cair para auxiliar uma recuperação mais rápida).

Todo o problema, portanto, está não apenas na devoção cega ao sistema de metas de inflação, como também na estipulação de um valor absurdamente alto para esta meta. Em outros países da América Latina, a meta de inflação é bem menor.

Ao passo que, no Brasil, o Banco Central tem como meta encarecer o custo de vida do brasileiro em 4% ao ano, no Chile, na Colômbia e no México essa meta é de 3%. No Peru, é de apenas 2% (veja a lista completa aqui).

Se, por exemplo, tivéssemos como meta 3% (quiçá 2%, como o Peru) em vez de 4%, a Selic não teria sido reduzida tanto quanto foi, e consequentemente não estaríamos vivenciando essa bizarra desvalorização do real e essa desumana carestia nos alimentos (em meio a uma pandemia e um alto desemprego).

Nosso padrão de vida estaria maior. E, ainda mais importante, não estaria sendo construído um cenário bombástico para o futuro. 

Eis a evolução dos preços no atacado: 

ipa.png

Gráfico 7: taxa média mensal, em um período de 12 meses, de inflação de preços no atacado

Com uma taxa média de 1,58% ao mês, estamos com um acumulado de quase 21% em 12 meses. Trata-se, simplesmente, da maior taxa da história do real. 

Se isso "vazar" para os consumidores (e ao menos uma parte irá vazar), um aperto nos juros poderá ser necessário no futuro — um aperto maior do que seria necessário caso a meta de inflação fosse mais civilizada.

Tal aperto poderá afetar a recuperação econômica.

Ter uma meta para o encarecimento do padrão de vida já é, por si só, algo bizarro e que não faz nenhum sentido. A meta ser alta é algo ainda mais bizarro. Mas a busca por essa meta levar ao encarecimento desnecessário itens essenciais beira o criminoso.

Apenas mais um caso de desarranjo econômico causado pela Banco Central, essa agência estatal responsável por planejar centralmente os preços chaves da economia.

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Leia também:

Políticas de metas de inflação são a causa dos problemas, e não a solução

Não faz sentido um Banco Central ter metas de inflação

O problema com o sistema de metas de inflação


autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • José Roberto  19/10/2020 17:46
    Ainda mais bizarro do que um governo ter como meta explícita a redução em 4% do poder de compra de sua população é o fato de economistas defenderem essa excrescência e dizerem que tal destruição do poder de compra é necessária para o crescimento econômico!

    "Se não destruirmos continuamente o poder de compra da moeda, ninguém investirá e ninguém consumirá!"

    Apenas mostra como intelectuais e acadêmicos são totalmente descolados da realidade do povo.
  • Andre Victor Teodoro  21/10/2020 11:16
    Prezado, José!

    É o que eu sempre falo. Esses acadêmicos e intelectuais ficam dia todo em suas salas e quartos, esquecendo , ou fingindo que não sabe do que se passa com o mundo atual. Na teoria a prática é outra.

    Forte abraço.
  • Guilherme  19/10/2020 17:51
    Uma coisa bizarra no atual cenário brasileiro é que economistas de esquerda se tornaram os mais fervorosos defensores da política monetária do atual governo, que é classificado por essa mesma esquerda como "conservador, ultra-liberal e reacionário".

    Isso é ainda mais explícito no Twitter. Os caras criticam tudo do atual governo, mas se derretem em elogios para o Banco Central.

    O que apenas mostra que o Brasil realmente não é para amadores.
  • Vladimir  19/10/2020 17:57
    Ué, mas a esquerda não tem do que reclamar. Ela passou toda a sua existência defendendo Selic zero, dólar caro e aumento das exportações. Exatamente tudo o que está sendo feito agora.

    Não tem como a esquerda criticar o atual arranjo sem cair em contradição.

    Como eu já disse em outro comentário, aquilo que o atual governo tem de mais criticável (a bizarra política monetária) é exatamente o que mais passa incólume para a oposição. E até mesmo para a mídia.

    A mídia até faz um alardezinho para a alta dos alimentos, mas absolutamente nada fala contra a Selic. Você não encontra um puto de um jornalista que seja contra as recentes quedas da Selic e contra a atual política monetária. Não me lembro de outro Banco Central que tenha sido tão protegido e incensado como este. Deve ser o charme do Campos Neto.
  • anônimo  19/10/2020 18:04
    Essa é a desgraça de se ter uma imprensa e uma oposição incompetentes. Em vez de criticarem o essencial (condução da moeda), perderam-se no trivial (Queiroz e lojas de chocolates, cheques irrisórios pra Michelle, rachadinha de deputado estadual e dinheiro no cu) e com isso se desmoralizaram por completo.

    Se tivessem batido na política monetária ultra-heterodoxa lá atrás, a situação hoje estaria melhor. (Creio que a imprensa quer o "bem do país", certo?).

    Nunca antes na história desse país a oposição e a mídia foram tão amadoras.
  • Thiago  19/10/2020 20:09
    www.moneytimes.com.br/sidnei-nehme-tese-do-cambio-alto-e-juro-baixo-pode-se-revelar-insustentavel/


    A ficha já caiu até mesmo para o pessoal keynesiano. Acho que Chicago ficará com a última ficha.
  • Trader  19/10/2020 20:29
    O México tem grau de investimento, tem as contas públicas em ordem, a dívida pública é de meros 45% do PIB e sua "Selic" está em 4,25%.

    O Brasil não tem grau de investimento, as contas públicas estão em frangalhos, a dívida pública é de 75% (dados de 2019) e a Selic está em 2% (menos da metade da do México).

    É óbvio que a coisa aqui está fora do lugar. E as consequências em termos de moeda não poderiam ser outras.
  • Felipe  20/10/2020 01:44
    E, para humilhar ainda mais, o Obrador é defensor aberto de uma moeda forte. O peso mexicano não se desvalorizou com a sua eleição. Pelo contrário, ele se fortaleceu.

    Para a sorte dos mexicanos, ele é pragmático e não é pavoroso como um Chávez ou um Kirchner, apesar de simpatizante do socialismo.
  • Felipe  26/10/2020 01:53
    Os déficits mexicanos até que estão por enquanto satisfatórios. (e no ano passado eles entregaram superávit primário conforme o prometido, ainda que à risca)

    Agora vejam o do Brasil.

    Em um país, dez ministérios foram fechados, houve corte de subsídios na agricultura e nos salários dos burocratas. Em outro, um ministério foi recriado e por ora ninguém disposto a cortar os gastos. Qual o obstáculo, afinal?

    O risco maior é o México perder o grau de investimento, o que já aconteceu nesse ano com a Pemex.
  • Túlio  20/10/2020 01:03
    Sim. Esse mix de Selic irreal e Teoria Monetária Moderna está esfacelando o câmbio e provocando todos esses desastres. A esquerda, que sempre defendeu essa política monetária ultra-keynesina (juros baixinhos, expansão monetária insana e dólar caro), está compreensivelmente quieta. Qualquer crítica seria incoerência.
  • Capital Imoral  19/10/2020 18:34
    A hipnose do Brasil

    O Brasil vive uma grande hipnose, somos o país que eternamente irá depositar a esperança do futuro nas mãos de políticos e partidos. O interessante é que até os libertários entraram nesta hipnose, mais a frente irei comentar sobre isso. Muitos colocaram a mão no fogo por Bolsonaro e a "nova direita", e agora todos estão queimados – inclusive os liberais. Por que há uma mistura tão grande de decepção e ao mesmo tempo aposta política em novos candidatos no Brasil? Neste artigo irei comentar sobre o fator histórico que nos levou ao momento atual.

    Desde da eleição de Bolsonaro eu sabia que a liberdade que a nova direita vira-lata brasileira prometia era na verdade uma forma hipnose para se aproveitar das mazelas de um povo miserável de alma. Ora, o que é hipnose? É algo que nos tira do estado de consciência normal e muda nossa personalidade diante da própria natureza humana. É comum pessoas em estado de hipnose negar a realidade concreta e aderir a ideologias. O que ocorreu no Brasil foi a troca de ideologias.
    Um bando de caipiras iludiu o povo, assumiu o congresso e logo se acostumou a mamar dinheiro público. Entre um acontecimento e outro, a hipnose foi o fator de movimento esquadrinhado dentro das regras institucionais. É por isso que a cada quatro anos afirmamos: "Ele mudou tanto quando assumiu o poder!", como se fosse uma forma de justificar a nossa psique de que o problema está no indivíduo que assumiu o poder, e não no sistema que está por trás do poder. Se serve de consolo, vamos chamar os caipiras atuais mamadores de dinheiro público de "caipiras azuis", em oposição aos "caipiras vermelhos" do governo anterior, ao menos você terá a consolação de saber que mudou a cor. O Brasil nunca mudou de fato porque a hipnose política é a força motriz de nosso século.

    Dizem que socialistas são iludidos porque afirmam: "O socialismo não foi tentado de verdade"; mas será que o liberal republicano que diz: "A democracia representativa não foi tentada de verdade nas eleições passadas, portanto, votem em mim" é diferente do socialista que sempre obtêm o mesmo resultado? Sempre há uma ideia de que dessa vez será diferente. É um ciclo revolucionário que não sai do lugar. O problema é que no mundo das ideias não há ideias novas; há apenas ideias. O que você diz ser novo e revolucionário, como o liberalismo e a putaria ideológica, alguém já tentou e usou até enjoar. São mais de 200 mil anos de história; e você, com sua mediocridade histórica, consegue chegar no máximo até a Revolução Francesa. Isso diz muito sobre a nossa situação atual.

    A esperança política, como hipnose, é uma forma de ceder a hipocrisia, que sempre se renova, pois sempre há a esperança de fazer concessões em troca de um futuro mais livre, como se o futuro fosse nos redimir. Isso é pura ilusão. Essa ilusão está em toda parte e por todo lado. É por isso que o Instituto Mises ficou quieto em um dos momentos mais dramáticos da histórica recente do Brasil: Quando membros do STF decidiram abertamente prender e perseguir apoiadores de Bolsonaro. Não vou entrar no mérito desse pessoal ser apoiador de Bolsonaro, mas o fato é que os supostos "representantes da liberdade" se calaram, como os progressistas, diante do poder estatal. Onde estava Hélio Beltrião quando Sara Winter foi presa? Escrevendo artigo na Folha sobre Star Wars? Onde estavam todos neoliberais que pregam a liberdade de pensamento quando pessoas reais foram presas por pensar diferente? Talvez estivessem ocupadas demais pensando em comprar ouro na Órama Investimentos. A lei do silêncio, sempre molesta, se impõe para revelar nossa hipocrisia. A única liberdade que os neoliberais se importam é a de ficarem ricos; todo o resto são detalhes de quem "não quer construir".

    E quando resolvem se meter no mundo cultural, o resultado é um hospício contraditório de movimentos ideológicos onde a autodestruição é um princípio intocável de liberdade. "A liberdade individual, entendida como quebra de todos os tabus e restrições "obsoletas" ou "irracionais", produziu o mundo bizarro da política de identidade, da ideologia de gênero e do Estado controlador", diz Rodrigo Constantino{1}. É por isso que Felipe Neto Ancap{2} e a patota "livres pra valer" estão cada vez mais parecidos com membros do PSOL. São libertários que forjam os próprios grilhões.

    Por falar em Felipe Neto Ancap, é curioso constatar como todo brasileiro dá um jeito de se envolver com o estado, mesmo que indiretamente. Houve uma época, quando o Instituto Mises publicava bons artigos, em que os libertários sabiam que era mais fácil o sistema mudar suas convicções e valores do que você mudar o sistema. Ao menos os libertários tinham a dignidade de procurar crescer fora do estado. Mas o jeitinho brasileiro sempre impera. Felipe Neto Ancap é a imagem moderna do que sempre foi o Brasil; um país de malandros e manés. Ele se vende como evoluído, a frente do seu tempo, mas a verdade é que ele é só mais um malandro. E você, só mais um mané. A plataforma política libertária é mais um "esqueminha" para fortalecer a nossa eterna relação de lucros – para ele e seus eleitos - e prejuízos – para você. A liberdade irá vencer da mesma forma que a hipnose nunca irá acabar. Quando os caipiras laranjas finalmente assumirem o poder, dizem eles, será diferente. Não é mesmo? O jeito deles receberem mais de 30 mil reais é diferente.

    As cores mudam, mas a ideia, ilusória, de funcionalidade política permanece.

    Conclusão
    A hipnose política brasileira é fruto de um pensamento utilitarista que nasceu com a Revolução Industrial. Em algum momento a vida deixou de ser direcionada para questões elevadas e familiares, e se tornou um conjunto de leis, a princípio, utilitárias, mas posteriormente, revolucionárias. E isso nos levou ao momento atual em que vivemos a eterna revolução que não sai do lugar, pois o homem é medíocre e deposita suas esperanças em coisas, não no entendimento real e individual dos problemas. Porque o entendimento real significa deixar as próprias impressões e tendências (ideologia) para encarar fatos independentes e pessoas reais de carne e osso – como Sara Winter. A lei do silêncio não existe quando o espírito é verdadeiro. A política é um meio ilusório para resolver problemas reais pois te coloca num escopo utilitário de códigos de conduta. Somente encontramos a verdade quando a nossa inteligência se adéqua a realidade. Por isso Felipe Neto Ancap e os caipiras laranjas são limpinhos e viados. Eles se vendem como a solução de problemas complexos da mesma forma que o seu smartphone se vende como meio para enviar mensagens. O código ideológico materializa a alma deles da mesma forma que o código fonte diz para enviar mensagens. É tudo muito bonito, mas não é humano. Você sabe que um problema humano não pode ser resolvido por um meio utilitário. O seu smartphone é muito bom para enviar mensagens, mas talvez ele não salve o seu casamento. O código ideológico é elegante e racional, mas ele não vai pagar o Mucilon dos seus filhos. É nesse momento que você desperta da hipnose.

    {1} A crise do liberalismo, Rodrigo Constantino: www.youtube.com/watch?v=BtCGoDFcz94

    {2} Raphael Lima, Ideias Radicais.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Leitor Antigo  19/10/2020 19:41
    Opa, seja bem-vindo de volta, Capital Imoral. Estávamos com saudades.

    Devido à sua ausência, creio que você perdeu os referidos artigos, que previram exatamente o que viria a ocorrer:

    www.mises.org.br/article/3124/quem-vigia-o-stf

    www.mises.org.br/article/2934/na-censura-as-supostas-fake-news-a-maior-vitima-e-a-responsabilidade-individual

    www.mises.org.br/article/3254/o-cientificismo-gerou-os-novos-iluminados--e-estes-adulteraram-o-direito-e-a-economia

    Saudações e não suma.
  • Régis  19/10/2020 19:41
    Sei lá, eu não consigo ter simpatia por essa tal Sara Winter. Eu até acredito que sua "conversão ao conservadorismo" é genuína, mas essa moça foi a que mais fez pelo avanço do feminismo e da misandria no país. As dessecrações que a organização Femen fazia de símbolos religiosos foram obras dela. O avanço do modus operandi feminista também.

    Hoje, ela está apenas pagando pelos pecados.
  • Leal  20/10/2020 10:38
    Capital (i)moral, reli seu texto algumas vezes e não consegui encontrar nada nele para discordar.
    Obrigado pelo ponta-pé!
  • Lee Bertharian  20/10/2020 16:27
    E não é que, no final das contas, o Capital Imoral é filósofo mesmo?
    Sempre desconfiamos...
  • Motorista do Sr. Mises  22/10/2020 14:25
    Taí, inaugurou um novo conceito de hipnose (q na verdade é um partidarismo frouxo com uma velha roupagem de dissonância cognitiva -- aquela tendência de acreditar q o Lula é preso politico e nao mais um mascate do Paraíso Perdido de Milton); vendeu a chave para uma nova seita e se travestiu de messias metafísico, aquele q jamais dá as caras na TV, mas sempre tem um truque de prestidigitaçao na manga -- bem típico de populistas neoliberais (keynesianos) e progressistas de gaveta (psolistas).
    Ou seja, de tanto se refestelar na nova roupagem e fazer uso da auto hipnose, nosso velho sacerdote dos oprimidos VIP (os bons e velhos socialistas de iPhone) pouco a pouco vai ganhando ares de libertário em franca expansão e ja ate abriu uma consultoria num movimentado shopping de Sao Paulo. Tudo movido a hipnose. De tão liberal praticamente já pode vender ingressos para cruzeiros liberais e participar de swing em alto mar.
    Capital Imoral é o novo Doria besuntado de pasta de amendoim orgânico. Capital Imoral alardeia q a boa e velha massagem peniana precisa de aditivos. Tudo movido a hipnose e pastas de dente sabor menta. Pq elas dão frisson. Pq elas elevam os espíritos dos incautos.
    Quando leio essas merdas entre uma troca de pneus fico pensando q um dia vou comprar uma ilha particular e nunca mais vou voltar pra cidade grande.
  • Nunes  19/10/2020 18:59
    Sexta-feira passada o governo anunciou que zeraria as tarifas de importação do milho e da soja (atualmente em 12%) até o primeiro trimestre de 2021.

    Milho subiu hoje 3% na B3.

    Já era. Com o dólar a esse nível, zerar tarifa não mais adianta. Agora, sobrou apenas elevar juros para tentar revalorizar a moeda.
  • Jojo  20/10/2020 09:04
    Por que Guedes ficou tão burro? É dele mesmo, ou algum assessor infectou a cabeça dele?
  • Thiago  20/10/2020 13:51
    Guedes já falou várias vezes que acha que moeda fraca gera desenvolvimento e industrialização. Se isso acontecer, será a primeira vez na história do mundo.

    O problema é que um chicaguista de 70 anos jamais irá mudar de ideia. Principalmente um orgulhoso como ele.

    Bolsonaro terá muita sorte se o que estão fazendo esse ano não explodir em 2022, ou então terão que tentar maquiar as coisas pra não atrapalhar nas eleições.
  • Imperion  20/10/2020 15:33
    Vai ter muita sorte se nao explodir em 2021
  • Tesla  20/10/2020 16:54
    De onde tiram que moeda fraca gera desenvolvimento?

    É incrível como esse velho está denegrindo o liberalismo. E vai destruir a economia assim.
  • Imperion  20/10/2020 21:29
    Os políticos insistem nessa falácia pra poder gastar os tubos. Pra acabar com o rombo de um trilhão, tem que cortar gastos estatais.

    Se isso acontecer, vai ter menos a disposição deles pra sujarem com chocolate enquanto escondem no traseiro.
  • anônimo  20/10/2020 22:31
    De onde tiram que moeda fraca gera desenvolvimento?

    Dá só uma olhada no nível dos "argumentos" pró moeda fraca que postaram em um fórum:



    "Dólar alto só é ruim para quem ganha em reais e gasta em dólares. Para a gente, que ganha em reais e gasta em reais, não faz diferença. Essa percepção de que se o 'poder de compra com o dinheiro que está parado na poupança, no título', caiu ou não, tem um nome, se chama 'índice de inflação'. E nunca esteve tão baixo. 'ah mas alimentos e eletrônicos e importados subiram e nada mais me importa'. Então cria o seu índice pessoal e vá reclamar com o IBGE ou a FGV.

    Só reclama de dólar alto o pessoal que ficou chateado porque as viagens para Disney ficaram mais caras."

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    "Real forte só serve para ajudar a classe média a comprar seus produtos importados e fazer suas viagens para o exetrior. Real desvalorizado incentiva o agronegócio e a indústria. O que é mais importante: os setores produtivos da economia ou o bem estar da classe média alta?"

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    "O setor têxtil foi destruído nos anos 90 por conta do real supervalorizado. Além disso a indústria mecânica, automotiva, química, de celulose, entre outras ganham com o real desvalorizado. A indústria não vem sofrendo desde 2014 ela vem sofrendo há décadas, por diversos motivos, infraestrutura precária, energia cara, real valorizado, etc

    -----

    "A China manteve por décadas o Yuan artificialmente baixo, com câmbio fixo forçado para a desvalorização da própria moeda, para garantir que os seus produtos fossem mais baratos do que quaisquer concorrentes no mundo, no comércio internacional. Para ajudar as exportações. O oposto do que defendem os economistas da Disney. O Brasil está colhendo frutos desse fenômeno de forma natural, com câmbio flutuante, e de quebra corrigindo a verdadeira distorção anterior, que eram os juros elevados."

    -----

    "Não aguento mais esse mimimi de dólar alto porque mexe com alguns hábitos de consumo de uma minoria. Dane-se. A inflação não mexeu por causa do dólar alto, se tivesse mexido era outra conversa. Em geral o dólar alto é benéfico para a economia.

    Agora fica esse mimimi de gente fazendo malabares pra não falar que tá irritadinha porque certos hábitos supérfluos tão prejudicados. Dane-se de novo.

    Isso se não for gente que ganhava dinheiro fácil com juro alto e tem vergonha de assumir que queria isso outra vez, em detrimento de todo o resto da sociedade. E aí, dane-se três vezes."

    -----

    "Com a exceção dos alimentos (o que é temporário), os produtos em geral não tem ficado mais caros, tanto que a inflação tem estado em níveis baixíssimos. Dólar subindo porque a inflação está subindo é um fenômeno completamente diferente de dólar subindo porque os juros estão caindo com inflação baixa."

    -----

    "É falso dizer que moeda desvalorizada prejudica indústrias que só vendem no mercado interno. A indústria nacional que depende de insumos importados concorre com produtos prontos importados. Quando o dólar sobre de 2,50 para 5,00 os produtos prontos importados sobem 100% de preço, enquanto para a indústria nacional os preços sobem menos, pois outros custos como energia ou mão de obra crescem acompanhando a inflação local. Na verdade, essa indústria agora poderia ter capacidade de exportar e competir no exterior. Em muitos casos, essas indústrias nada mais são do que destruidoras de riquezas que se apropriavam do dólar barato sem adicionar nenhum valor. A falência delas e fim de seu lobby é um milagre pro Brasil."

    -----

    "Se alguém não retirou patrimônio do Brasil com dólar a 1,80 e inflação a 5%, tirar agora com dólar a 5,30 e inflação 1-2% a pessoa tem problemas mentais. Mas realmente cada um é livre, a estupidez do disneymaniaco é a felicidade de quem exporta ou do investidor estrangeiro."
  • Gabriel M  21/10/2020 05:36
    O anônimo jogou essa trolha aí de arjumentos e caiu fora. Quem acompanha o site meio que já sabe de cor as respostas.

    "Dólar alto só é ruim para quem ganha em reais e gasta em dólares. Para a gente, que ganha em reais e gasta em reais, não faz diferença. Essa percepção de que se o 'poder de compra com o dinheiro que está parado na poupança, no título', caiu ou não, tem um nome, se chama 'índice de inflação'. E nunca esteve tão baixo. 'ah mas alimentos e eletrônicos e importados subiram e nada mais me importa'. Então cria o seu índice pessoal e vá reclamar com o IBGE ou a FGV.

    Só reclama de dólar alto o pessoal que ficou chateado porque as viagens para Disney ficaram mais caras."

    1 - Como já dito diversas vezes aqui no site, o peso dos itens que compõem o IPCA perdeu a sua referência, na medida em que, com a pandemia, o consumo das pessoas mudou totalmente. A não alteração do peso dos itens pelo IBGE é algo que está puxando o IPCA para baixo do que ele estaria caso a mudança fosse feita.

    www.mises.org.br/article/3302/a-atual-carestia-dos-alimentos-e-consequencia-de-uma-cega-devocao-ao-sistema-de-metas-de-inflacao-

    2 - O IPCA mede a inflação para famílias que ganham até 40 salários mínimos. Há índices específicos para as famílias de mais baixa renda, como o IPC-C1, e ele se encontra 45% mais alto que o IPCA, sendo que muita da diferença se dá pelo aumento expressivo dos preços dos alimentos, os quais por sua vez subiram em muito por conta da desvalorização cambial. Ou seja, dizer que a desvalorização do câmbio só afeta quem tem compromissos em moeda estrangeira é uma completa estupidez. É algo digno de se caçar o diploma, se proferido por um economista.

    agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-10/inflacao-para-familia-com-renda-mais-baixa-sobe-para-089-em-setembro

    "Real forte só serve para ajudar a classe média a comprar seus produtos importados e fazer suas viagens para o exetrior. Real desvalorizado incentiva o agronegócio e a indústria. O que é mais importante: os setores produtivos da economia ou o bem estar da classe média alta?"

    1 - Incentivar o agronegócio até que vai, mas a indústria? Em que lugar esses que afirmam tal coisa estiveram nos últimos 20 anos? Os melhores momentos da produção industrial brasileira se deram em momentos no qual o real se apreciava; já os piores, no qual ele se desvalorizava.

    2 - De 2011 até o fim de 2019, o real desvalorizou de US$1,65 para US$4,00. Uma desvalorização de quase 150%. Já os juros selic caíram de aproximadamente 11% para 4%.

    A produção industrial por acaso bombou no período? Não! Ela se encontrava, no fim de 2019, abaixo dos níveis de 2011. O mesmo para as exportações.

    ibb.co/S3cSnzV

    ibb.co/MfPx3r9

    No que serviu, afinal, essa destruição da moeda? Ao meu ver, apenas para expôr ao ridículo os adeptos de tal tese. Se alguém ainda continua acreditando nessa baboseira depois dos fatos baterem tão forte assim na cara, nada mais pode ser feito pelo cidadão.

    3 - Moeda forte, além de servir para o mero consumismo, serve também para importar bens de capital a preços baratos, modernizando as empresas, assim possibilitando o aumento de produtividade da economia como um todo. Foi o que ocorreu no Brasil dos anos 1990. Moeda forte serve também para atrair investimentos estrangeiros diretos, gerando assim emprego e renda no país, e esses dificilmente vêm quando o poder de compra da moeda local é surrupiado a todo instante.

    "O setor têxtil foi destruído nos anos 90 por conta do real supervalorizado. Além disso a indústria mecânica, automotiva, química, de celulose, entre outras ganham com o real desvalorizado. A indústria não vem sofrendo desde 2014 ela vem sofrendo há décadas, por diversos motivos, infraestrutura precária, energia cara, real valorizado, etc"

    Engraçado, o tal real "supervalorizado" destruiu a indústria têxtil, logo uma das que têm menos concorrência no país (no setor de calçados, por exemplo, apenas cerca de 5% da oferta doméstica é suprida por importados), mas não destruiu a indústria automotiva, de máquina e equipamentos, de geradores e transformadores, de eletrodomésticos e a farmacêutica. Todas elas tiveram expansão em sua produção da ordem de 80%+ entre 1996 e 2011 (época marcada majoritariamente por um real forte).

    ""A China manteve por décadas o Yuan artificialmente baixo, com câmbio fixo forçado para a desvalorização da própria moeda, para garantir que os seus produtos fossem mais baratos do que quaisquer concorrentes no mundo, no comércio internacional."

    Afirmação já desmentida trocentas vezes nesse site. A moeda da China, hoje, é mais apreciada do que era em 1995. Já imaginou se o mesmo tivesse ocorrido por aqui? Já teria acontecido no mínimo um infarte coletivo dos adeptos da vilipendiação da moeda.

    ibb.co/sbfmZxb

    ""Com a exceção dos alimentos (o que é temporário), os produtos em geral não tem ficado mais caros, tanto que a inflação tem estado em níveis baixíssimos."

    IPA mensal:

    ibb.co/7y8QSkj

    IPA acumulada em 12 meses:

    ibb.co/cgQ2P8K

    É simplesmente a maior inflação mensal da história do real!

    Em tempo: produtos agropecuários subiram 50% em 12 meses. Produtos industriais, 20%. Matérias primas brutas, inacreditáveis 57,54%. Bens finais, 15%.

    portalibre.fgv.br/sites/default/files/2020-10/igp-10_fgv_press-release-resumido_out20_0.pdf

    Toda essa encrenca do IPA (gerada em grande parte pela desvalorização do câmbio) está começando a vazar forte para o IPCA. A inflação de alimentos foi a primeira a estourar porque, obviamente, alimentos foram um dos únicos itens que continuaram a ter demanda forte durante a pandemia. Adivinhe o que vai ocorrer quando a demanda pelos outros bens da economia retornar? É preciso ter nobel em economia pra saber?

    "É falso dizer que moeda desvalorizada prejudica indústrias que só vendem no mercado interno. A indústria nacional que depende de insumos importados concorre com produtos prontos importados. Quando o dólar sobre de 2,50 para 5,00 os produtos prontos importados sobem 100% de preço, enquanto para a indústria nacional os preços sobem menos, pois outros custos como energia ou mão de obra crescem acompanhando a inflação local. Na verdade, essa indústria agora poderia ter capacidade de exportar e competir no exterior.

    Faltou só combinar com a realidade. Como já mostrado, o real se desvalorizou quase 150% em menos de uma década, e nada da produção industrial e das exportações explodirem. Pelo contrário, estão em nível inferior ao de 2011.

    "Se alguém não retirou patrimônio do Brasil com dólar a 1,80 e inflação a 5%, tirar agora com dólar a 5,30 e inflação 1-2% a pessoa tem problemas mentais. Mas realmente cada um é livre, a estupidez do disneymaniaco é a felicidade de quem exporta ou do investidor estrangeiro."

    Depende das circunstâncias. Se quem está no poder não vê nenhum problema em dólar a 7 ou 8 reais e, ao contrário, até advoga por isso, então não é nenhuma insensatez tirar o seu patrimônio de um lugar antes que ele perca ainda mais valor em moeda forte. Só gente do naipe de Bresser Pereira e Luis Oreiro para achar que isso é alguma estupidez. Mas o engraçado mesmo é achar que um cenário onde a moeda é detonada constantemente é alguma alegria para o investidor estrangeiro. Só mesmo sendo do naipe de Bresser Pereira e Luis Oreiro.
  • Heitor  19/10/2020 19:26
    Boa tarde!

    Forte exportação de soja, milho, arroz e feijão faz preços explodirem e traz de volta a ameaça da inflação

    www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/267971-forte-exportacao-de-soja-milho-arroz-e-feijao-faz-precos-explodirem-e-traz-de-volta-a-ameaca-da-inflacao.amp.html

    "É uma situação contraditória. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do planeta, mas, em razão da exportação acentuada de grãos, terá que importar essa mesma matéria-prima (soja, milho e arroz) – pagando preços maiores – para manter setores essenciais do agronegócio, como o seu gigantesco parque agroindustrial.

    "Parece um contrassenso", mostra o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) Enori Barbieri. "Estamos exportando grãos e importando esses mesmos grãos por preços maiores para produzirmos carnes e outros alimentos"."


    Consequência direta de uma Selic irreal que desarrumou artificialmente a taxa de câmbio. Maravilhas do intervencionismo.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  20/10/2020 01:04
    Esperar o quê do país onde a banana é quem come o macaco?
  • O Sábio  19/10/2020 19:31
    Inflação é que nem medo ou ansiedade, ngm gosta, mas é necessária e funcional, desde que não exagerada. E sua ausência, assim como daquelas duas primeiras, é patológica.

    Em outras palavras, pra uma economia, inflação é um salutar oleosinho que não deixa as engrenagens econômicas emperrarem.

    E digo mais, esse aumento de alimentos vejo como passageiro. Seus preços são mesmos voláteis. E nosso maior risco ainda é de inflação muito baixa por falta de demanda, não de inflação fora de controle.
  • Realista  19/10/2020 19:42
    Por quê? Por que seria necessário retirar paulatinamente o poder de compra da moeda para a economia funcionar bem? Gentileza responder com detalhes.

    Após dar sua resposta sobre a pergunta acima, gentileza explicar também qual deveria ser o valor anual da perda do poder de compra da moeda, e por que tal valor e não nenhum outro.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  20/10/2020 17:41
    Sim, mas claro! Nada melhor para apimentar o caldo de uma recessão e desemprego generalizado algumas doses de inflação para deixar tudo mais gostoso não é mesmo? Recessão com inflação, um combo que gera uma iguaria perfeita. Por que você não manda um currículo pro Paulo Guedes? É de assistentes assim que ele está precisando...
  • O Felipe  19/10/2020 20:16
    Enquanto aqui os preços sobem mais de 20% no atacado, vamos comparar com outros países:

    - Estados Unidos: deflação de preços ao produtor.

    - Equador: deflação de preços ao produtor.

    - México: inflação, mas muito mais civilizada do que no Brasil.

    - Noruega: deflação ainda mais forte.

    - Itália: deflação.

    - Uruguai, que nem lockdown direito impôs: disparou, mas a inflação ao produtor está caindo e a de agosto está menor do que aqui. Provavelmente graças à pancada dos juros feita por eles recentemente.

    No Peru quase não houve carestia. (Aqui é o índice, e não a taxa de crescimento).
  • Leandro  19/10/2020 20:22
    Mas há um lado positivo nisso tudo: a Teoria Monetária Moderna já está aceleradamente caindo em descrédito.

    Afinal, se ela gera essa carestia toda em um ambiente de severa recessão, imagina então em um ambiente de economia normal?

    No final, quem poderia imaginar que imprimir moeda e desvalorizar câmbio geraria carestia, né?


    P.S.: o lockdown pode explicar uma parte da carestia de itens como materiais de construção, pois fábricas foram fechadas. Mas não explica a carestia de alimentos, pois a produção no campo não apenas nunca parou, como também a safra está batendo recorde.

    Portanto, a explicação para a carestia dos alimentos é câmbio (desvalorizado pela Selic irreal) e a adoção da Teoria Monetária Moderna.
  • Regirock  19/10/2020 20:45
    "Com uma taxa média de 1,58% ao mês, estamos com um acumulado de quase 21% em 12 meses. Trata-se, simplesmente, da maior taxa da história do real.

    Se isso "vazar" para os consumidores (e ao menos uma parte irá vazar), um aperto nos juros poderá ser necessário no futuro — um aperto maior do que seria necessário caso a meta de inflação fosse mais civilizada."

    Ouço muito falar sobre o aumento na "curva de juros" poderia alguém explicar o que isso significa? e também se é certo entender que o BC está "represando os juros" e que terá que aumentar bem mais no futuro, e quais seriam as consequências disso?
  • Trader  19/10/2020 21:09
    "Ouço muito falar sobre o aumento na "curva de juros" poderia alguém explicar o que isso significa?"

    São os juros de longo prazo. Juros para janeiro de 2022, 2023, 2024 … 2035.

    Se você plotar em um gráfico as taxas de cada um, tem-se uma curva.

    Eis um bom artigo aqui:

    www.mises.org.br/article/2971/a-melhor-ferramenta-para-se-prever-uma-recessao-nos-eua-a-inversao-da-curva-de-juros

    Recentemente, os juros de longo prazo no Brasil (com vencimento em todas as datas futuras) subiram forte (após estarem em prolongada queda), pois houve deterioração de expectativas quanto à inflação futura e quanto ao tamanho dos futuros déficits do governo (o que coloca em cheque sua própria solvência).

    "e também se é certo entender que o BC está "represando os juros" e que terá que aumentar bem mais no futuro, e quais seriam as consequências disso?"

    Ele pode represar os juros longos comprando títulos longos. De certa forma, o Orçamento de Guerra liberou o BC a fazer isso. Mas, obviamente, trata-se de um artificialismo que não tem como durar.

    As consequências seriam uma maior oferta monetária (o BC tem de emitir moeda para comprar títulos longos e, com isso, aumentar seus preços e, logo, reduzir seus juros) e, assim, uma maior pressão sobre os preços no futuro.
  • Trader  19/10/2020 21:18
    Vale também ressaltar que o Banco Central sofreu captura regulatória, perdeu sua autonomia e hoje segue ordens da Fazenda, e faz exatamente tudo aquilo que Guedes quer.

    Guedes determinou que é para gastar pouco com os "rentistas", e o BC obedeceu. O BC agora faz política fiscal: ele estipula a Selic visando a gerar o menor gasto possível para a Fazenda em termos de serviço da dívida.

    Hoje, portanto, quem manda no BC é a Fazenda (seria o equivalente a Meirelles aceitando ordens de Guido Mantega). A preocupação atual do BC é exclusivamente com política fiscal.
  • Yamaguchi  19/10/2020 23:21
    Até a China que é utilizada como exemplo por 11 em cada 10 defensores da destruição da moeda já está mudando o rumo:

    China sinaliza mudança na política cambial para fortalecer o yuan e ajudar a desenvolver a demanda doméstica

    www.scmp.com/economy/china-economy/article/3100814/china-signals-shift-stronger-yuan-exchange-rate-policy-help

    Detalhe que a matéria chama os 10% de desvalorização que a moeda chinesa sofreu nos últimos 5 anos de "depreciação significativa".

    Enquanto isso o Real só no ano de 2020 já desvalorizou quase 30%.

    Imagina se o Brasil tivesse copiado a famosa "política de desvalorizar a moeda" da China? O real estaria hoje na casa dos 3,90.

    Também quero uma desvalorização cambial dessa aqui no Brasil.
  • Guilherme  19/10/2020 23:44
    A China nunca praticou desvalorização sistemática da moeda. É um daqueles mitos que alguém inventou e, estranhamente, pegou.

    A China não apenas manteve a moeda estável, como, aliás, a manteve com poder de compra crescente — e, com isso, atraiu capital estrangeiro produtivo.

    A moeda da China, ao contrário do que afirmam os sábios, está em constante [u]valorização[/link] em relação às outras. E desde 1995.

    Isso mesmo: a China opera com um câmbio semi-fixo desde 1995: ora o renminbi se valoriza em relação ao dólar, ora se mantém fixo. Veja o gráfico, que mostram quantos renminbis são necessários para se comprar um dólar.

    E essa política monetária de valorização da moeda foi um dos grandes chamarizes para as indústrias estrangeiras ali se estabelecerem: com uma moeda em constante valorização, quem produzir na China e remeter os lucros para a matriz no exterior ganhará duplamente: alem dos lucros, ganhará também com a apreciação da moeda chinesa (a qual poderá comprar muito mais dólares quando a empresa estrangeira for remeter dólares para sua matriz; explicado em detalhes aqui).

    Moeda forte, portanto, é chamariz para o estabelecimento de indústrias estrangeiras.
  • Felipe  20/10/2020 01:52
    Por isso que o renminbi tem se fortalecido nesse ano (sim, ele se valorizou nesse ano em relação ao dólar, junto com moedas sólidas como o franco suíço). Nesse aspecto, o Politburo é esperto: uma moeda porcaria afundaria a economia chinesa. Não sei realmente quem que comanda a política monetária lá, porque a moeda se valoriza desde os anos 90.

    Desde o fim de abril de 2020, o renminbi só tem se valorizado. A cotação atual está por volta de 6,69 renminbis por dólar, valor próximo ao de 31 de janeiro de 2019, 2 de julho de 2017 e 31 de agosto de 2016.

    Tem gente que ainda fica surpreso sobre a decisão da Sony tirar fábricas do Brasil por ser incapaz de competir com a China (e com a Coreia do Sul). Claro que, além do câmbio, há outros fatores envolvidos nessa decisão de investimento. Por mais que a China seja um país grande, a sua pauta de importações também é grande e muitos insumos utilizados na indústria também são importados. Hoje eles são uns dos principais beneficiados das exportações brasileiras de commodities, como a soja e a carne.

    E o renminbi se valorizou por volta de 4% nesse ano em relação ao dólar, chegando nesse quesito perto do iene japonês, o qual se valorizou 2,74%. Acho isso bastante interessante. Eis o gráfico comparando com o franco suíço e com a libra esterlina. Gráfico comparando o renminbi em relação ao ouro. Será que a China quer desafiar o dólar, diante desses dados?

    Agora, além disso, uma pergunta dentro do mesmo assunto: será que viveremos aquele cenário incrível de dólar se valorizando fortemente em relação ao ouro, como ocorreu entre 1980 e início dos anos 2000, ou isso é impossível? Para mim foi um grande feito, uma moeda fiduciária conseguir se valorizar por tanto tempo em relação ao ouro. Paul Volcker tem seus defeitos (o Greenspan eu não conheço quase nada, mas ele me parece ser também supply-sider), mas ele inegavelmente acabou com a inflação. Falta alguém assim aqui no Brasil.

    Mudando de assunto, alguém sabe se tem como eu configurar a desvalorização cambial no Trading View para, por exemplo, exatamente entre as datas xx/xx/xxxx e yy/yy/yyyy, ao invés de ter a opção só pelo mouse? Parece que não achei nada. Se alguém souber de outro site, eu agradeço.
  • Vitor  20/10/2020 02:15
    O mais patético que toda essa ideia que precisa haver inflação é baseada em "se não haver números maiores nos preços, fica difícil quantificar crescimento econômico". É pura lógica keynesiana de "números maiores são algo bom" que os neoclássicos adotaram com gosto.
  • Leandro  20/10/2020 02:43
    É exatamente por isso que a mensuração do PIB é falaciosa.

    A equação do PIB mede apenas o valor monetário (preço) de todos os bens e serviços finais que foram comprados e vendidos dentro das fronteiras do Brasil em um dado ano.

    Só isso.

    Portanto, o que os economistas chamam de "crescimento econômico" mensurado pelo PIB de um ano para o outro nada mais é do que aumento do valor final (preço) das transações monetárias de um ano para o outro. Esse resultado nominal é dividido por um questionável deflator de preços, para se obter o PIB real.

    Só que esse deflator pretende unificar em um só valor todas as inflações de absolutamente todos os produtos específicos que foram transacionados na economia, cada um em volumes distintos.

    Ou seja, utiliza-se um valor geral para itens com características diferentes. É claro que não tem como ser algo acurado.

    E é aí que surge espaço para todos os tipos de truques.

    Por exemplo, quanto maior for a injeção de moeda na economia, maior será o volume de gastos — e consequentemente maior será o "crescimento econômico" mensurado pelo PIB nominal. Mais dinheiro gera mais gastos, o que gera maior "crescimento econômico".

    E aí vem o pulo do gato: se, de um ano para o outro, o volume de dinheiro na economia aumentar, e isso levar a um aumento no volume de gastos, mas, por algum motivo, os preços aumentarem pouco (o que significa que o deflator será baixo), então haverá um significativo aumento no PIB. 

    Ou seja, por algum tempo, é perfeitamente possível fazer a economia "crescer" utilizando simplesmente o artifício da injeção monetária. Caso o aumento dos preços seja pequeno, o deflator será baixo, e consequentemente o crescimento será expressivo. 

    Tal artifício pode funcionar excelentemente em uma democracia, principalmente em ano de eleição. Keynesianos sabem perfeitamente disso. E é por isso que vendem aos políticos essa ideia de que ter como meta aumentos constantes de preços é bom, importante e necessário.

    Em troca deste conselho (o qual justifica juros baixos e expansão do crédito, e ainda dá um passe livre para uma moeda fraca), ganham cargos nos governos e prestígio na academia.

    Quando se entende essas artimanhas do PIB, fica mais fácil intuir por que é perfeitamente possível haver um enorme aumento no PIB sem que nada tenha sido produzido, isto é, sem que tenha havido aumento na riqueza. De mesma forma, é perfeitamente possível o PIB ficar inalterado de um ano para o outro e, ainda assim, ter havido um enorme aumento na quantidade de bens e serviços produzidos. Tudo vai depender do volume de gastos e do deflator.
  • Matheus S  20/10/2020 23:15
    "De mesma forma, é perfeitamente possível o PIB ficar inalterado de um ano para o outro e, ainda assim, ter havido um enorme aumento na quantidade de bens e serviços produzidos. Tudo vai depender do volume de gastos e do deflator."

    Isso é uma dúvida eu que sempre tive. Se o PIB ficar inalterado de um ano para o outro por conta da oferta monetária constante, como quantificar o aumento dos bens e serviços no mesmo período se o volume de gastos é o mesmo?

    Uma outra coisa que eu também nunca entendi é o deflator do PIB. Poderia nos ajudar com essa questão e se possível, indicar onde posso estudar esse deflator.
  • Felipe  20/10/2020 13:04
    Muito bom o artigo. Os textos do Anthony são muito bons. Esse fenômeno eu lembro que o Leandro Roque falou também.

    Sinceramente, esse tripé macroeconômico é uma grande porcaria. Pelo menos, quando o real era atrelado, a taxa de inflação de preços era bem menor. A pena é que esse regime é instável e é amigo de ataques especulativos. Só funcionaria se fosse como em Cingapura, onde não tem controle de juros. Ou poderíamos tentar o caminho do Peru (que foi liberar a circulação do dólar), ou do Equador (que foi dolarizar) ou de Hong Kong (que foi o Currency Board). Na teoria o regime flutuante parece lindo (e geralmente "funciona" nos países desenvolvidos), mas na prática por aqui o câmbio é extremamente volátil. Para ele funcionar, a equipe econômica teria de ter uma postura hawkish e essa meta de inflação precisaria reduzir.

    Falando nisso, recentemente houve eleições na Bolívia e o aliado do Morales ganhou. Vamos ver como ficará o boliviano com eles. Acho que não houve ataque especulativo lá também pelo fato de os juros não serem manipulados pelo governo (lá recentemente os juros subiram).

    Agora, uma dúvida: a equipe econômica do FHC no segundo mandato era desenvolvimentista por qual motivo? Leandro disse isso certa vez, fiquei curioso.
  • Felipe  20/10/2020 15:28
    Olhem que legal, achei este artigo analisando os bancos centrais ao redor do mundo. Curiosamente, o banco central brasileiro foi bem-avaliado.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  20/10/2020 17:19
    Segue um trecho do artigo:

    "Roberto Campos Neto has built on the reputation of his predecessor, Ilan Goldfain, maintaining a conservative monetary policy geared to keep inflation under control. The Central Bank of Brazil (BCB) has continued to set historic nominal-rate lows for the Selic at 2% and is expected to do continue doing so in the coming months. Meanwhile, a slow economy has kept inflation near historic lows."

    Pelo visto eles não frequentam muito os supermercados daqui pra afirmar que a inflação está sob controle...
  • Estado máximo, cidadão mínimo  20/10/2020 17:31
    Ah, sim, o banco central bananeiro recebeu uma nota"A" na avaliação ficando na frente de países como EUA, Equador, dentre vários outros. Soquei a mesa dando gargalhadas aqui.
  • Leandro  20/10/2020 19:07
    "Agora, uma dúvida: a equipe econômica do FHC no segundo mandato era desenvolvimentista por qual motivo? Leandro disse isso certa vez, fiquei curioso."

    Confesso que não me lembro de ter dito isso. Mas a afirmação, em si, é correta.

    A Fazenda, comandada por Pedro Malan, era até razoável. Já o Banco Central de Armínio Fraga foi um desastre.

    De janeiro de 1999 a janeiro de 2002, o IPCA variou entre 6% e 8%.

    Ao fim de 2002, estava em 12%.

    O dólar foi de R$ 1,20 para R$ 3,99.

    A base monetária — sob total comando do BC — mais do que dobrou.

    A gestão da moeda foi tão calamitosa que os tucanos nunca mais chegaram perto da presidência.

    Aí entrou Lula, que de bobo não tinha absolutamente nada, e entregou o comando da moeda a um ortodoxo, que, com carta branca, operou juros sem dó e derrubou o IPCA (que caiu de 17% para 3%) e o câmbio (de R$ 3,99 para R$ 1,60).

    A combinação desses dois fatores gerou um bem-estar impossível de ser quantificado.

    Com moeda forte e poder de compra relativamente estável, a popularidade de Lula garantiu a seu partido 13 anos de poder (o qual viria a perder exatamente por voltarem destruir a moeda com adoção, a partir de 2012, de políticas monetárias heterodoxas).

    Quem afirma que Lula se tornou popular apenas pelo Bolsa Família tem de explicar como seria possível o Bolsa Família ter algum valor caso fosse adotada uma política monetária expansionista com inflação continuamente alta.

    A popularidade de Lula tem uma causa específica: Henrique Meirelles.

    Tanto é que, depois que ele saiu do BC, a heterodoxia imperou, a economia degringolou e, como consequência, o partido de Lula foi praticamente dizimado do cenário político.
  • Felipe  20/10/2020 21:10
    Leandro, você falou aqui (deste artigo):

    "Ótimo achado, Juliana.

    Beira o inacreditável a ignorância econômica da imprensa. Pelas perguntas sobre câmbio, o jornalista claramente desconhece que não há absolutamente nenhum plano de estabilização econômica -- ou seja, para se acabar com a hiperinflação em um país -- que não passe por uma política de câmbio fixou ou semi-fixo (como foi o caso do real).

    O jornalista desconhece a necessidade de se acumular reservas estrangeiras para então lastrear sua nova moeda nessas reservas. Ele acha que é possível um país com um histórico de 20 anos de hiperinflação simplesmente criar uma moeda nova do nada, sem lastro nenhum, e fazer tal moeda será totalmente aceita no mercado internacional. Ele realmente acha que é possível você, após 20 anos de hiperinflação, simplesmente inventar uma moeda nova e deixá-la flutuar livremente (até ela desabar).

    De resto, FHC parece que só entendeu o básico da teoria econômica (moeda forte é popular) após ter sido apeado do poder com popularidade baixíssima. Foi dar ouvidos a economistas desenvolvimentistas (que assumiram o controle no seu segundo mandato) e se estrepou. Por causa disso, sua popularidade até hoje não se recuperou. E tudo pode ser resumido nessa sua constatação:

    "Agora, curiosamente, a população gostava mais daquele câmbio [o semi-fixo]. Minha popularidade foi altíssima no primeiro mandato, e caiu muito no segundo. Tudo o que os economistas acham bom, que foi feito no segundo mandato, a população não acha. A população viveu melhor quando o real estava mais apreciado. O nível de renda média familiar da população subiu [...] no primeiro mandato, 30%. E, no segundo, caiu 10%. É curiosa a diferença entre a percepção que se tem das coisas e o que acontece de fato.""


    E veja que interessante... vendo as taxas de juros do período e a inflação da época, dá para concluir de que realmente eles não deram pancada alguma nos juros. Analisando a parte cambial, após o disparo a R$ 2,02 o dólar, o real só ficou mais forte por alguns meses... depois veio o estouro da bolha das empresas pontocom e o cenário eleitoral. Realmente não tem como sair bem de um mandato assim.

    E é verdade: se o real estivesse na privada no governo Lula, o Bolsa Família em si teria pouquíssima relevância, seria como se hoje o governo desse R$ 50 mensalmente para famílias de baixa de renda.

    Entretanto, o que decepciona é que os bancos estatais no governo Lula expandiram muito o crédito, o que explica o IPCA frequentemente acima dos 3 %, apesar do real forte. Claro, para um país de câmbio flutuante como o Brasil e herdando os anos do FHC, estava uma maravilha. No governo Temer tivemos um IPCA bastante baixo e alguns meses até com deflação de preços ao produtor, talvez nunca ocorrido na história do Brasil desde a Caixa de Conversão.

    Se o Bolsonaro cuidasse da moeda, ele seria reeleito no primeiro turno com certeza. Que tal imitar um pouco o Reagan?

    PS: Você conhece algum site onde eu consiga fazer um gráfico comparando várias taxas de câmbio? Eu uso o Trading View mas o problema é que eu quero comparar várias taxas de câmbio em simultâneo e colocando entre duas datas exatas, mas fica impreciso e não dá, só para para mexer usando o zoom do mouse.
  • Trader  20/10/2020 21:31
    No TradingView não tem como selecionar datas específicas. Realmente, tem de ser no mouse.

    Não conheço outra plataforma que faça um comparativo tão completo quanto o TradingView (com exceção dos terminais Bloomberg, é claro. Mas você tem de pagar para alugar).
  • Felipe  20/10/2020 22:58
    Então vai ser assim mesmo, se não houver jeito.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  20/10/2020 17:10
    Dando uma olhada no Facebook hoje, deparei com um link de uma matéria da bbc sobre as filas para conseguir alimentos em São Paulo. Inacreditável os comentários que li. "Como que "só" com seis meses de lockdown as coisas chegaram nessa situação, que sisteminha mais frágil.". "Absurdo uma empresa não aguentar seis meses fechada e ir à falência."

    Quase ninguém tocava no assunto da moeda e da Selic. Volta e meia aparecia um energúmeno falando do dinheiro no reto do imbecil lá ou dos cheques da maria-funça-público. A imprensa bananeira consegue mais uma vez fazer o que sabe de melhor, deixar o brasileiro mais tanso. Será que o bananil chega até 2022?

  • rraphael  20/10/2020 18:26
    e ainda querem o controle a informaçao e deixar a grande midia como unica fonte de "verdade"
    socorro ...
  • Jojo  20/10/2020 22:23
    Eu fico estarrecido com a burrice do Guedes. Sério, e olha que já o defendi por mais de 1 ano.

    Será que ele não consegue perceber que moeda fraca é anti-popular, não traz desenvolvimento nem no curto-prazo, e beneficia pouca gente? O cara está enterrando o governo, denegrindo a imagem do liberalismo, manchando sua imagem e prejudicando a vida de milhões de pessoas.

    A burrice não é acreditar em moeda fraca, a burrice é SE RECUSAR OUVIR OS OUTROS E VER O QUE ESTÁ ACONTECENDO.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  21/10/2020 02:44
    Pois é. Com uns liberais desses conduzindo o país, os soças brasileiros já podem se aposentar e ir curtir a vida em Orlando ou Paris com a cabeça tranquila. Se parar pra pensar hoje o Brasil já virou um Cuba: povo fazendo filas quilômetricas pra conseguir a esmola do auxílio emergencial, que mal vai dar pra satisfazer as necessidades alimentares; com o dólar a seis reais, viramos uma ilha isolada, pois ficou impossível juntar algum dinheiro pra se mandar daqui. Bom trabalho Paulo Guedes!!!
  • Tesla  21/10/2020 03:24
    E o pior é que se tirarem o Guedes, os militares irão colocar um cara muito pior no lugar. Vão trocar um velho cabeça dura, por um economista da Unicamp.

    O futuro deste país é se tornar a Argentina. É quase uma profecia autorrealizável.
  • Cuca Estival  20/10/2020 22:51
    Leandro fala de juros altos como se isso fosse garantir prosperidade! Pelo contrário, juros altos aumentam o serviço da dívida pública.
  • Leandro  20/10/2020 23:36
    "fala de juros altos como se isso fosse garantir prosperidade!"

    Espantalho. Não defendo juros altos, mas sim juros realistas definidos pelo mercado.

    E falo contra, aí sim, juros reais negativos e menores que os da Suíça.

    Esses, sim, garantem destruição do poder de compra da moeda. Nem mais é teoria. Já estamos na prática.

    "Pelo contrário, juros altos aumentam o serviço da dívida pública."

    Isso nem é verdade. Se o resultado dos juros baixos forem uma inflação de preços mais alta, então os títulos públicos atrelados ao IPCA terão um custo maior. Essa obviedade, curiosamente, quase nunca é levada em consideração pelos apóstolos do "corta-corta".

    De resto, o serviço da dívida do governo é causado pelos déficits. Se não quiser gastar com serviço da dívida, é só cortar gastos e começar a ter superávits nominais. Aí sua preocupação com o serviço da dívida se torna cadente.

    Por fim, gostaria de entender exatamente como uma destruição da moeda compensa essa eventual (e nada garantida) redução no serviço da dívida. Compensa ter IPA-M de 20% (e Tesouro IPCA com gastos crescentes) para, em troca, ter um aumento marginalmente menor nos gastos com o Tesouro Selic?

    Quem diz que sim, tem de provar essas duas coisas: tem de provar que o aumento com o Tesouro IPCA é irrisório e tem de provar que inflação de preços continuamente mais alta compensa uma redução no aumento com os gastos do Tesouro Selic (não há queda nos gastos com a dívida; há, na melhor das hipóteses, redução no ritmo de aumento).
  • Felipe  21/10/2020 00:12
    Mas os juros mais baixos não diminuem o custo de rolar a dívida governamental todo ano? Já vi gente aqui falar isso, pelo menos. Caso agora der uma pancada nos juros para, por exemplo, 8 % ao ano, qual seria o impacto?

    Outra coisa que estamos vivenciando é uma alta na taxa de juros de longo prazo. Essa taxa de juros de longo prazo ficou alta diante da maior expectativa de inflação no futuro. Há títulos governamentais assim também, não é?
  • Trader  21/10/2020 02:59
    "Mas os juros mais baixos não diminuem o custo de rolar a dívida governamental todo ano?"

    A Selic influencia diretamente apenas no título Tesouro Selic. Uma Selic menor faz com que o valor deste título — que aumenta diariamente de acordo com a taxa Selic — passe a crescer a um ritmo menor.

    De resto, alterações da Selic, por si só, não afetam em nada os valores pagos pelos títulos que pagam juros semestrais (cuja taxa é fixada). Também não afetam diretamente os valores pagos por Tesouro IPCA e Prefixados. As taxas destes são determinadas pelas condições de mercado, mais especificamente de acordo com risco fiscal e expectativas de inflação (as quais tendem a ser maiores com Selic menor).

    Com efeito, uma redução dos juros pode até mesmo aumentar as despesas com o serviço da dívida no curto prazo. Quem opera Tesouro Direto sabe disso: se os juros caem, os títulos se valorizam. E aí que fizer resgate antecipado ganha uma taxa muito maior do que a taxa inicialmente acordada. Logo, se o investidor resgatar antecipadamente para embolsar estes ganhos, os gastos do Tesouro serão maiores que o antecipado.

    "Outra coisa que estamos vivenciando é uma alta na taxa de juros de longo prazo. Essa taxa de juros de longo prazo ficou alta diante da maior expectativa de inflação no futuro. Há títulos governamentais assim também, não é?"

    Sim. Os prefixados e os Tesouro IPCA aumentaram a taxa. Com efeito, estão maiores hoje do que estavam em todo o segundo semestre do ano passado. E com a Selic menor.

    É isso que os leigos não entendem: reduzir Selic, por si só, não garante nada. A Selic hoje está bem menor do que estava ano passado (2% contra 6,50%). Nos entanto os juros dos títulos públicos estão maiores hoje do que estavam com a Selic mais alta.
  • Felipe  21/10/2020 13:10
    Se não me engano, você falou que a SELIC mais baixa é mais popular pois diminui as despesas com os juros da dívida em questão de bilhões e por isso é atrativo. E quanto à essa notícia abaixo?

    "Corte da Selic faz governo economizar R$ 68,9 bi com juros da dívida pública"
  • Trader  21/10/2020 14:37
    Escrito na reportagem exatamente o que eu falei:

    "Por trás desses dados, está a queda consistente da Selic após agosto de 2016. Naquela época, a taxa básica estava em 14,25% ao ano. No fim de 2018, caiu para 6,5% e, no fim de 2019, ficou em 4,5% ao ano. Como boa parte do custo da dívida brasileira está ligada à Selic, quando a taxa básica cai, o juro pago pelo País também recua."

    Qual exatamente é a dúvida?
  • Felipe  21/10/2020 15:41
    Você falou aqui:

    "De resto, alterações da Selic, por si só, não afetam em nada os valores pagos pelos títulos que pagam juros semestrais (cuja taxa é fixada). Também não afetam diretamente os valores pagos por Tesouro IPCA e Prefixados. As taxas destes são determinadas pelas condições de mercado, mais especificamente de acordo com risco fiscal e expectativas de inflação (as quais tendem a ser maiores com Selic menor).

    Com efeito, uma redução dos juros pode até mesmo aumentar as despesas com o serviço da dívida no curto prazo. Quem opera Tesouro Direto sabe disso: se os juros caem, os títulos se valorizam. E aí que fizer resgate antecipado ganha uma taxa muito maior do que a taxa inicialmente acordada. Logo, se o investidor resgatar antecipadamente para embolsar estes ganhos, os gastos do Tesouro serão maiores que o antecipado. "


    Isso não contradiz a notícia? Com a SELIC menor, os gastos caem de um lado e sobem de outro, seria isso?
  • Trader  21/10/2020 17:15
    Vejo que você não domina o assunto. Você nunca operou Tesouro Direto, certo?

    Há o Tesouro Selic, os prefixados (LTNs), o Tesouro IPCA (NTN-B Principal), os prefixados com juros semestrais, e o Tesouro IPCA com juros semestrais.

    Apenas o primeiro (Tesouro Selic) é diretamente afetado pela Selic. Selic cai, a rentabilidade diária passa a crescer mais devagar. Selic sobe, rentabilidade diária passa a crescer mais rápido.

    Não consigo ser mais claro do que isso.

    Atualmente, apenas uma parcela de toda a dívida brasileira está em Tesouro Selic (algo entre 20 e 30%). Esta é a fatia que é afetada diretamente por alterações na Selic.

    Todo o restante da dívida não é necessariamente afetada por alterações na Selic, pelos motivos que já expliquei no comentário anterior.

    Portanto, desenhando: uma redução na Selic garante apenas que o Tesouro Selic passa a crescer mais devagar. Logo, garante apenas que a parcela da dívida pública atrelada ao Tesouro Selic passe a crescer mais lentamente. E só. Qualquer outra afirmação é puro achismo.
  • Felipe  21/10/2020 19:32
    Realmente não e não sei se seria ético investir em títulos governamentais.

    Mas, de qualquer forma, essa economia de R$ 68,9 bilhões então se refere somente ao Tesouro Selic?
  • Cuca Estival  21/10/2020 15:55
    Sua explicações ficou mais clara, obrigado.
  • Aod  21/10/2020 03:01
    — Juro baixo vai trazer o crescimento econômico!
    — Desvaloriza o câmbio e a indústria renasce!
    — Dá incentivo fiscal e acabam as desigualdades regionais!

    O Brasil é o campeão das soluções fáceis para problemas complexos.
  • Felipe  20/10/2020 23:02
    "Haiti's currency is suddenly strong against the dollar. For many, that's disastrous."

    O que vocês acham que pode ter causado essa súbita (e absurda) valorização no gourde haitiano? Vale lembrar que lá o gourde é atrelado ao dólar e os haitianos podem também usar dólares. Quais os impactos?

    As razões abaixo seriam o suficiente?

    "Among them: the Bank of the Republic of Haiti's ongoing attempt to control what it has called the speculation in the currency exchange market; its decision to inject $150 million into the economy between Aug. 10 and Sept. 30 to buy back gourdes, and the public announcement by the bank's governor, without specifying the reasons, that millions of dollars of penalties had been imposed against two commercial banks.

    Several political interventions on the side of both the government and opposition are also being cited as possible contributing factors to the rising currency."


    Vocês acham que um dia a mídia tradicional irá defender moeda forte?
  • Vinicius  21/10/2020 01:55
    Alguém pode por favor falar da curva de juros, vi alguns traders dizendo que estão tão inclinada que é perigoso o BC subir juros e o juro longo cair.
  • Trader  21/10/2020 02:59
  • Felipe  21/10/2020 13:14
    "101% de Dívida/PIB - O Brasil indo rumo a falência"

    Paulo Guedes não prometeu cortar gastos? Cadê?
  • Jojo  21/10/2020 16:24
    Confesso que estou extremamente desapontado com o Guedes. O cara é uma aberração até pra um chicaguista.

    1 - O que ele privatizou? Ao invés de agir de forma rápida e sem alarde midiático, AINDA EM 2019, o pavão quis bater de frente com os parasitas do Congresso sobre questões que não eram de urgência. Tinha que ter privatizado tudo o mais rápido possível primeiro, pra depois ir para outros assuntos da mesma forma. Resolver primeiro o que está ao seu alcance pra depois negociar com os outros poderes.

    2 - O que ele cortou? O Guedes parece não ter a mínima vontade de cortar gasto nenhum, desde o começo. Tudo o que ele fez até agora foi ter aprovado uma reforma da previdência meia-boca, ter privatizado algumas coisas, elevar impostos e desvalorizar a moeda. Corte de gastos? Vamos pegar leve pra não sabotarem mais o governo.

    3 - Desvalorização da moeda. No início, achava fielmente que Guedes estava usando o artifício da moeda desvalorizada pra vender as reservas e abater a dívida (como a Rússia fez nos anos 90). E isso se reforçou no final do ano, quando a dívida caiu quase 20%. Mas veio o Covidão, um cenário ideal pra fazer isso, e nada. Ou seja, ele entregou uma moeda lixo porque realmente acredita que uma moeda fraca é a solução pra algum problema. Não aprendeu absolutamente nada com o Temer.

    4 - E a cereja pra completar a m*rda, a CPMF. Esse imposto é um leviatã que irá destruir a economia em pouco tempo. Irá começar com 0,5% e terminar como uma transação de Bitcoin. Burocratas perceberão que agora há uma nova fonte pra sugarem e elevarão os gastos até onde não puderem mais. Pra ter noção do que ele está defendendo, NEM OS MAIORES PARASITAS NACIONAIS QUEREM ISSO.

    E isso porque ele se diz "liberal". Não quero nem imaginar o que ele faria se fosse um Mantega.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  21/10/2020 17:26
    O socialista Fernando Henrique Cardoso poderia dar aulas pro Guedes sobre privatização. Olha em que ponto chegamos.
  • Felipe  21/10/2020 19:35
    E olhe que as privatizações do FHC nem foram tão boas assim (na época dele eu não sei se precisavam de aval do Congresso) Algumas privatizações deram trabalho para fazer, como a do Banespa, que teve de haver envolvimento do governo federal.

    As melhores foram as do Collor e o do Itamar, que não criaram agências reguladoras. Aliás, é uma surpresa o mesmo governo que confisca poupança, privatizar estatais e abrir o mercado às importações.

    Há muitas coisas que o governo pode fazer para cortar gastos, sem precisar de STF e do Congresso. Por exemplo, fechar agências reguladoras. Fechou alguma? Na verdade criou até mais um ministério e agora a expectativa é que a Anatel regule os Correios, caso ocorrer a privatização.

    Enquanto isso, no México, o governo socialista fecha dez ministérios e corta subsídios ao setor agrícola...
  • Papa  21/10/2020 22:30
    A real é que Guedes não é liberal P*RR@ nenhuma. O que ele fez de liberalismo? Privatizar meia-dúzia de estatais que ninguém lembra, não fechar agência reguladora nenhuma, não reformular burocracias, destruir a moeda, é liberalismo?

    Com um ministro da economia assim, pra quê oposição? Ele faz exatamente o que os ministros da Dilma faziam. Era preferível votar no Ciro Gomes ou Haddad. Iam fazer a mesma coisa, mas pelo menos não se rotulariam como liberais.

    Eu sinceramente não sei o que está passando na cabeça do Guedes. O socialista FHC deve ter privatizado mais do que ele.
    E antes que falem que Bolsonaro está com uma plataforma mais populista em 2020 (o que é entendível), as privatizações seriam a melhor forma de manter o populismo, já que a maioria das estatais são literais cabides de emprego que ninguém nem conhece.

    Mas o principal problema de verdade é a Moeda e os Gastos. Isso sim irá destruir o governo, e se bobear antes de 2022. Guedes irá enterrar o governo, o liberalismo e o país de uma vez, se ninguém dar uma sacudida no velho. E falo isso como um brasileiro que não quer virar uma espécie de refugiado como os sírios e venezuelanos.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  21/10/2020 17:03
    Esse governo falou, falou, falou, mas não reduziu nada de cargos e salários no funcionalismo público, não privatizou nem uma muda de samambaia até agora, não se coça pra diminuir a estrutura tributária (fez agora um remendo pro povo não morrer de fome simplesmente), simplesmente está imprimindo moeda e gastando com auxílio emergencial (vai ser a muleta eleitoral deles pelo visto).

    Três vivas pro militar sindicalista e pro chicaguista keynesiano que juntamente com a garota de programa apaixonada e o traficante viciado, são as bizarrices que só o Brasil consegue produzir.
  • Jojo  21/10/2020 18:59
    O governo até privatizou, mas foi totalmente insuficiente. Tinha que privatizar TUDO o mais rápido possível e sem alarde. Sem ficar dando entrevista a todo momento, sem ficar batendo boca com socialista, fazer tudo rápido e depois de feito que os jornalistas fariam alguma matéria indignados com o entreguismo bolsonarista.

    Alguns dinossauros como Petrobrás é impossível e Correios, difícil. Mas o grosso é tudo cabide de emprego que nem o governo federal lembra que existem.

    Privatizar é até fácil, por isso não é pra perder tempo com isso. O verdadeiro problema que deveriam ter perdido tempo é CORTE DE GASTOS e REFORMULAÇÃO DA BUROCRACIA. São temas que nenhum funça parasita vai dar o braço a torcer. A própria reforma da previdência também é um tema complexo, mas podem arrastar com a barriga como fizeram. Daqui 10 anos fazem outra e pronto.
  • rraphael  21/10/2020 22:53
    biroliro falou que ia fechar a EBC, além de não fechar chegou lá e colocou os cupinchas dele
    sequer de uma exugada

    o estado brasileiro é tanta teta farta que não tem um político burocrata que abra mão
    essa conversa de que congresso isso ou aquilo é piada , quem foi eleito que apresente tudo que precisa, se o congresso depois não aprovar pelo menos jogou a responsabilidade pro outro lado
    realmente perderam tempo de conversinha dizendo que tem que fazer tudo mais ou menos por conta de apoio
    isso é o jogar para a torcida

    todo mundo lembra a dilma até tentou comprar apoio, abrir o cofre, mas nem a base dela quis por a cabeça a premio quando a sociedade perdeu a paciência

    a pergunta que fica é se quem cai primeiro é o biroliro ou o guedes, pois nao adianta imprimir dinheiro e dar na mao de desempregado se esse dinheiro mal da pra trocar por comida
  • Ex-carioca  22/10/2020 13:51
    Olha lá o vagabundo sindicalizando mais uma vez para a sua classe (para o delírio dos concurseiros)

    2k vagas para PF:
    noticiasconcursos.com.br/concursos-previstos/urgente-bolsonaro-autoriza-concurso-da-policia-federal-2020-com-2-mil-vagas/

    2k vagas para a Policia Rodoviaria:
    blog.grancursosonline.com.br/concurso-prf-bolsonaro-confirma-edital/

    Isso mesmo. Cresça mais o Estado. Principalmente na área estatal mais coercitiva, igual fez o Chavez. Quero ver quem vai tirar a comida do cão raivoso mais tarde. Maduro nem ousa e, por conta disso, é marionete do estado policial instalado na Venezuela.

    Se você quiser entender como funciona o exercício das instituições policialescas, veja a história dos pretorianos, o verdadeiro poder por trás do trono:
    brasil.elpais.com/brasil/2017/12/28/cultura/1514469132_803437.html
  • WMZ  21/10/2020 17:26
    Mas por que enfraquecer a moeda não atrai investimento estrangeiro? Uma dúvida

    Uma coisa é enfraquecer para 8, para atrair o estrangeiro, mas não deixar passar de 8 e deixar a moeda se valorizar naturalmente, pelo reaquecimento da economia (a economia se reaquece e as exportações ficam mais competitivas, logo, a demanda pelo real vai aos poucos aumentando, já que os estrangeiros estão comprando mais as nossas mercadorias, e a moeda se refortalece)

    Outra coisa é deixar a moeda sair do controle, ou seja, de 8 ela pular para 9, depois para 12, depois para 100, etc. Aí sim, aí o investimento estrangeiro passa a não compensar já que não há uma mínima previsibilidade de quanto será o lucro já que todo dinheiro está derretendo.

    Imagino que o monetarismo prega a primeira opção.

    Chegou a crise, desvaloriza a moeda, o investimento estrangeiro vem e a moeda se refortalece rapidamente sem apelar para aquelas maluquices keynesianas

  • Gustavo  21/10/2020 18:01
    Quem é que iria arriscar seu capital em um país cujo governo abertamente destrói o poder de compra da população?

    Que poder aquisitivo terá essa população para consumir os produtos criados e vendidos pelos investidores estrangeiros?

    Aliás, como você garante que a desvalorização chega a um teto, e depois dali a moeda volta a se valorizar?

    Mais: como é que o investidor terá a garantia de que, assim que ele entrar, as desvalorizações acabam?

    Dica: pare com essa tara de achar que dá pra comandar uma economia como se ela fosse um experimento de laboratório, com todas as variáveis perfeitamente controláveis.

    De resto, gentileza apontar um exemplo prático disso. Mostre:

    a) um único país que desvalorizou a moeda, e com isso atraiu investimento estrangeiro, e em seguida voltou a valorizar a moeda.

    b) comprove que um eventual aumento do investimento estrangeiro ocorreu por causa de (a).


    P.S.: não se preocupe com o item (b). Você nem sequer passará de (a).
  • WMZ  22/10/2020 09:48
    "Quem é que iria arriscar seu capital em um país cujo governo abertamente destrói o poder de compra da população?"

    Faz sentido. Eu pensei: se o país está em crise e como solução ele está desvalorizando a moeda, com a intenção de atrair o capital estrangeiro, então o investidor estrangeiro não precisa se preocupar quando o governo desvaloriza a moeda, já que o dinheiro dele está fora do país.

    Mas está errado: o dinheiro dele está fora do país mas, o obviamente, o dinheiro dos outros que investiram no passado está dentro e se o primeiro colocar o dinheiro no país, é sensato ele pensar: "e se o governo desvalorizar novamente? Os outros que investiram no passado se deram mal! E se no futuro o governo fizer a mesma coisa comigo? Acho melhor eu cair fora" Até porque, os investimentos sensatos serão de longo prazo.


    Entretanto, chega uma pergunta: mas se for na bolsa de valores?

    O investidor tira e coloca dinheiro quando ele quiser. Não precisa construir nada, só trazer os seus dólares? Se tudo "der no ruim", basta pular fora


    "Que poder aquisitivo terá essa população para consumir os produtos criados e vendidos pelos investidores estrangeiros?"

    A população está desempregada, os empregados perderão o seu poder de compra mas, pelo menos, os desempregados terão emprego

    "Aliás, como você garante que a desvalorização chega a um teto, e depois dali a moeda volta a se valorizar?"

    Eu não garanto nada. Mas porque quando entrou o Meirelles a confiança do mercado aumentou?

    E imagino que, ao desvalorizar a moeda nacional, o estrangeiro pode pensar assim: "com qualquer trocado de pinga eu posso especular na Bovespa e, talvez, lucrar...se não lucrar, ok, tá valendo"

    "Mais: como é que o investidor terá a garantia de que, assim que ele entrar, as desvalorizações acabam?"

    Basta o governo adotar medidas que valorizam a moeda. O Meirelles pode explicar melhor.

    É um ciclo: chega a crise, desvaloriza a moeda, capital estrangeiro entra, moeda revaloriza...
  • Gustavo  22/10/2020 14:23
    "Entretanto, chega uma pergunta: mas se for na bolsa de valores? O investidor tira e coloca dinheiro quando ele quiser. Não precisa construir nada, só trazer os seus dólares? Se tudo "der no ruim", basta pular fora"

    Se houver uma súbita desvalorização cambial enquanto ele estiver na bolsa, ele se estrepa todo.

    Acho que você está com dificuldade de entender por que a desvalorização cambial destrói o investidor estrangeiro. Sugiro este artigo, que traz um exemplo extremamente didático:

    www.mises.org.br/article/3052/o-investimento-estrangeiro-so-vira-quando-a-moeda-for-estavel--historicamente-nao-e-o-nosso-caso

    "A população está desempregada, os empregados perderão o seu poder de compra mas, pelo menos, os desempregados terão emprego"

    Não entendi seu salto de lógica. Como os desempregados terão empregos na atual situação, dado que foi mostrado que não haverá investimentos?

    "Eu não garanto nada. Mas porque quando entrou o Meirelles a confiança do mercado aumentou?"

    Explicado aqui.

    www.mises.org.br/article/2694/como-o-governo-brasileiro-transformou-uma-recessao-em-uma-profunda-depressao

    "E imagino que, ao desvalorizar a moeda nacional, o estrangeiro pode pensar assim: "com qualquer trocado de pinga eu posso especular na Bovespa e, talvez, lucrar...se não lucrar, ok, tá valendo"

    De novo: você está com dificuldade de entender por que a desvalorização cambial destrói o investidor estrangeiro. Sugiro este artigo, que traz um exemplo extremamente didático:

    www.mises.org.br/article/3052/o-investimento-estrangeiro-so-vira-quando-a-moeda-for-estavel--historicamente-nao-e-o-nosso-caso
  • Imperion  22/10/2020 19:03
    E a bolsa de valores? Ações de exportadores sobem. E dos que produzem pro mercado interno caem.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  21/10/2020 19:22
    Simples. Pela razão de o Brasil ser sim um grande exportador, mas não de produtos de valor agregado, mas de soja e carne basicamente. Existe alguma Samsung brasileira? BMW? Oracle? Não, né?

    Além disso, temos uma população de duzentos milhões sendo que oitenta porcento possui baixíssimo poder de compra graças, justamente, à incensada moeda desvalorizada. E aí? Junte com burocracia soviética e tributação kafkiana e mão de obra indisciplinada e nem o mais louco dos empresários se aventuraria nessa, a não ser os com costas-quentes com o governo.

    Por essas e outras acredito que essas privatizações não acontecerão. Correios mesmo, sem chance. E caso ocorram, serão adquiridas por empresas nacionais, que como mencionado, geralmente possuem conexão com o governo (políticos da iniciativa privada) e que prestariam péssimo e caro serviço tal qual como já é prestado pelo governo. O bananil é um mundo à parte.
  • Analista de Risco  22/10/2020 12:11
    E como aqui nada é feito da maneira correta, naturalmente toda e qualquer privatização que vier a acontecer será financiada com o dinheiro baratinho do BNDES.
  • Imperion  22/10/2020 00:08
    Investimento estrangeiro basicamente é trocar dólar por real. Você comprou real, ele desvalorizou, vc perdeu. Vc vai ter que ganhar no empreendimento o que perdeu. Então o lucro tem que ser alto só pra compensar a perda.
  • Iván  21/10/2020 17:47
    Na Argentina, forças militares estão nas ruas para proibir as pessoas de comprarem dólares. Surreal.

    twitter.com/Alerta140/status/1318963157717700611
  • Papa  21/10/2020 19:01
    Argentino tem mais que se lascar mesmo. Igual boliviano.
  • Angelo Viacava  22/10/2020 10:44
    Eu entendi que impressão de dinheiro é inflação monetária e que carestia é aumento dos preços ao consumidor, mas tem um ponto que eu não consigo ligar. Por favor, me ajudem. Se as pessoas perderam empregos, diminuíram suas rendas, como este dinheiro impresso a mais chega às suas mãos para circular?
  • Thales  22/10/2020 14:28
    Auxílio Emergencial e Orçamento de Guerra.

    Ademais, não é verdade que houve "perda de renda". Com efeito, exatamente por causa dos programas acima, ela subiu:

    www.cnnbrasil.com.br/business/2020/08/19/renda-sobe-poupanca-dispara-a-peculiar-recessao-da-pandemia-no-Brasil

    De resto, aqueles que mantiveram seus empregos, acabaram poupando mais (não tinha muito no que gastar à época da quarentena). E aí, agora, com mais dinheiro guardado, todos estão gastando mais. Boa parte está fazendo reformas em suas casas. Minha prima é arquiteta. Diz ela que, pela primeira vez em sua carreira, começou a rejeitar clientes. Era tanta demanda para reformas de casa, que ela não tinha como atender.
  • Ângelo Viacava  23/10/2020 09:01
    Auxílio emergencial de R$600 para quem perdeu emprego de R$1500 ou mais, por exemplo, não gerou mais dinheiro circulando. E quem gastou poupança própria em reformas não usou dinheiro estatal.
  • Régis  23/10/2020 15:20
    Quem perdeu o emprego ganhou o auxilio emergencial de R$ 600 mais o seguro desemprego. Certamente ultrapassou os R$ 1.500.

    E quem não tinha nada passou a ganhar R$ 600. É uma brutal diferença.

    A faxineira daqui de casa (interior do ES) recebeu R$ 1.200 por mês do governo (ela tem dois filhos e é mãe solteira, então tem direito a R$ 600 por filho).

    Só que ela é juntada com um cara, que é autônomo. Ele também recebeu R$ 600.

    E ambos continuam trabalhando e mantendo seus proventos.

    Em suma: ela disse que nunca teve uma renda tão alta. Só de auxílio, entraram R$ 1.800 por mês pra eles.

    Você acha que a explosão na aprovação de Bolsonaro, mesmo em meio a toda esta alta nos alimentos, veio de onde?
  • Imperion  24/10/2020 22:25
    Sim. Queda na oferta da economia e nos salários = menos demanda. Menores compras. Daí ocorreu essa queda nos preços.

    Daí os governos imprimiram dinheiro. Agora a economia volta ao que tava com mais dinheiro circulando (mais inflação).
    Sorte que os ruralistas não pararam. Quem vive na roça não precisa ficar em casa. Por isso foi recorde a produção rural.

    Agora calcule: se mesmo assim tá tendo inflação, então o governo errou mesmo a mão.
  • rafael isaacs  22/10/2020 13:31
    E a conclusao da pesquisa da FGV que diz que a renda dos trabalhadores caiu 20,1% na pandemia influencia em algo?
  • Thales  22/10/2020 14:31
    Os que ficaram desempregados, sim. Mas, no agregado geral, a renda aumentou. Óbvio: pessoas que recebiam bolsa família e pessoas que nem sequer tinham renda nenhuma passaram a receber R$ 600 por mês.

    www.cnnbrasil.com.br/business/2020/08/19/renda-sobe-poupanca-dispara-a-peculiar-recessao-da-pandemia-no-brasil
  • rafael isaacs  22/10/2020 15:35
    "Também provável é que esse grupo de superpoupadores de ocasião esteja concentrado especialmente nas classes de rendas mais altas."
    o consumo entao so aumentou nas classes mais baixas, esse consumo foi basicamente pra alimentaçao e pagamento de dividas? os mais pobres conseguiram poupar?
  • Imperion  22/10/2020 20:36
    O consumo aumentou principalmente entre os que nunca trabalharam. Receberam dinheiro emergencial somente porque tinham CPF. Trabalhador que teve salário diminuído, ou foi mandado embora, teve menos recursos durante a Covid, então só pode ter consumido menos.
  • rraphael  22/10/2020 17:31
    mágica, é só imprimir notas de 1 milhão e sair distribuindo que todos seremos milionários. profissão : bolsista.
    vai , brasiu-iu-iu
  • Imperion  22/10/2020 19:02
    Ocorreu que os trabalhadores e empresários foram obrigados a parar e isso diminuiu a oferta nesses setores. Isso influi na inflação.
  • Felipe  22/10/2020 15:54
    Atualizando os preços ao produtor... nesse mês de setembro, mais uma alta histórica em 17 anos: 26 %.

    Enquanto isso...

    - Queda de 1,3 % na Colômbia;
    - 8,46 % no Uruguai;
    - Queda de 1,6 % no Equador;
    - 0,4 % nos Estados Unidos;
    - 4,5 % no México;

    Preciso falar alguma coisa?
  • Felipe  22/10/2020 16:14
    Interessante que a meta de inflação do Banco Central dos Estados do Oeste Africano é bastante baixa, de 2 % ao ano com 1 % para mais ou para menos.

    Isso explica a baixa inflação vivenciada na Costa do Marfim (são vários países que estão sob esse banco central). Está com inflação de países desenvolvidos. Além disso, a moeda deles, o franco CFA do Oeste Africano, é atrelada ao euro. Atualmente os juros estão em 4 %. O M2 deles também está mais civilizado.
  • Felipe  24/10/2020 01:24
    Falando de desvalorização, nesse ano a nossa moeda foi uma das campeãs nesse quesito. Não apenas se desvalorizou em relação ao dólar, ao euro, à libra esterlina, à coroa sueca e ao iene japonês, mas também o real se desvalorizou em relação ao boliviano, peso uruguaio, peso chileno, peso colombiano, peso mexicano, guarani paraguio, renminbi, rúpia indiana, rand sul-africano e ao rublo russo (anos atrás, o real brasileiro ainda ganhava do rublo, o que não acontece mais).
  • Felipe  25/10/2020 13:04
    "Governo lança programa para eliminar 2 mil normas trabalhistas"

    Eu fico me perguntando quantas normas trabalhistas existem.
  • Thiago  23/10/2020 13:03
    www.oantagonista.com/economia/ipca-15-tem-maior-alta-desde-1995/


    Falei em algum comentário de outro artigo que a inflação galopante do IPCA ainda chegaria esse ano. Ta aí, já ta batendo recorde da história do Real.

    O problema começa agora, a subida dos juros vai aumentar a incerteza da solvência do país e isso manterá o dólar alto.

    Aí vem a m* : Juros mais altos, cambio alto e inflação alta.


    A Dilma está com inveja.
  • Carlos Alberto  23/10/2020 15:24
    Antes, a alta era só nos alimentos. Agora está generalizada. Artigos de residência e vestuário em forte aceleração. Apenas educação segue segurando o índice (óbvio, escolas estão fechadas). Quando houver reajustes e quando o setor de serviços voltar totalmente, abraço.

    IPCA-15 tem alta de 0,94% em outubro

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 0,94% em outubro, 0,49 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada em setembro (0,45%) e maior resultado para um mês de outubro desde 1995, quando o IPCA-15 foi de 1,34%.

    Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em setembro. A maior variação (2,24%) e o maior impacto (0,45 p.p.) vieram do grupo Alimentação e bebidas, que acelerou em relação ao resultado de setembro (1,48%).

    Transportes teve alta de (1,34%) a segunda maior contribuição no índice do mês (0,27 p.p.).

    Já a segunda maior variação veio dos Artigos de Residência (1,41%), cujos preços subiram pelo sexto mês consecutivo.

    O único grupo a apresentar queda em outubro foi Educação (-0,02%).

    Os demais ficaram entre as altas de 0,14% em Despesas Pessoais e de 0,84% em Vestuário.
  • Felipe  23/10/2020 18:59
    Em algum momento a conta da farra chega.
  • anônimo  23/10/2020 19:28
    ATÉ QUANDO CIRO GUEDES IRÁ MANTER NOSSA MOEDA COMO LIXO DESVALORIZADO?
  • Felipe  24/10/2020 01:49
    O índice de commodities em reais está em alta histórica, nos maiores valores desde maio de 2004. Aquela queda que tivemos nesse começo de ano provavelmente foi devido ao início dos lockdowns.
  • Felipe  26/10/2020 13:12
    Vocês acham que seria melhor usar uma espécie de deflator nesses dados históricos, ou não faria sentido algum?
  • Imperion  26/10/2020 16:15
    Ficaria ate melhor.
  • anônimo  24/10/2020 17:33
    Já que o Governo, especialmente o Congresso, é incapaz de cortar seus gastos, Paulo Guedes deveria ao menos entregar o mínimo de estabilidade da moeda. Isso está totalmente nas mãos dele. Mas não, ele vai lá e destrói o poder de compra da moeda sem dó porque fielmente acredita que destruir o poder de compra da população é o segredo para o enriquecimento.

    A destruição do Real começou como uma crença econômica e agora não vai embora porque serve para continuar pagando os funcionários do Estado. O Brasil voltou aos anos 80. Parabéns, Ciro Guedes.
  • Felipe  24/10/2020 22:55
    É mais ou menos o que houve no governo Temer. Houve alguma estabilidade na moeda (até deflação nos preços ao produtor), apesar dos déficits explosivos (para ser justo, até houve algum controle nos gastos e ele herdou a bomba).
  • Felipe  26/10/2020 20:33
    "Agora é o Morgan Stanley que diz para os estrangeiros comprarem reais"

    O que vocês acham? Haverá uma valorização do real? Seria um novo "cisne negro às avessas", como ocorreu após o vazamento da reunião do Bolsonaro?

  • Trader  26/10/2020 20:38
    Não com juros reais negativos e menores que os da Suíça. Se a Selic for para, digamos, 4,50% (o que não é absolutamente nada de outro mundo), aí talvez dê pra vislumbrar um dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80.
  • Felipe  26/10/2020 21:18
    Fico surpreso por eles recomendarem comprar reais. Será que é só por causa do risco do Biden ganhar? Eu ainda acho que o Trump tem boa chance de ser reeleito.

    Eu lembrei agora de quando o Bill Gross passou a comprar títulos brasileiros (o que se não me engano ocorreu no começo do governo Lula).
  • Imperion  26/10/2020 22:59
    Talvez eles ganhem 2 por centro com títulos brasileiros, caso o binden laden ganhe. Mas uma coisa é lucrar agora, outra coisa é manter os títulos depois.

    Não vi ninguém falando "compre o títulos brasileiros, mas mantenha!"


    "Se vc produzir, eles comprarão!"
  • Meirelles  27/10/2020 15:41
    Bolsonaro começa a sentir as consequências da Teoria Monetária Moderna:

    Bolsonaro defende que parte da soja fique no Brasil para não afetar preço do óleo

    Por Estadão

    "O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (27) que, se o setor produtivo da soja exportar todo o produto para o mercado internacional, poderá desajustar o preço do óleo da commodity.

    O consumidor final tem se deparado com a alta dos preços do óleo no mercado interno, o que tem pesado inclusive nos índices de preços. Segundo o presidente, que se encontrará nesta terça à tarde com o setor produtivo da soja, liderados pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a produção brasileira "tem de ficar um pouquinho (de soja) no Brasil".

    "Se não ficar, bagunça o preço do nosso óleo de soja aqui", disse Bolsonaro, antes reunião do Conselho de Governo, no Palácio da Alvorada. Na pauta, está prevista a discussão sobre a perspectiva para a próxima safra, mas o encontro ocorre em um momento que o preço da soja tem batido recordes e já provoca impacto na inflação dos alimentos."

    Ou seja: os caras destroem a moeda e agora reclamam que que quem produz quer vender para quem oferece moeda mais forte.

    Insisto o que já venho repetindo aqui: quem continua no real sob a atual política monetária ulta-keynesiana do Banco Central está implorando para ser esbulhado.
  • Felipe  27/10/2020 18:29
    Precisam distribuir o livro "Currency Boards for Developing Countries" para eles.
  • Felipe  27/10/2020 21:46
    Falando nisso, nos EUA estão vendendo estoques antigos ainda.

    É verdade que, ao passo que lá eles estão vendendo estoques de anos atrás, aqui tudo que é colhido já é vendido? Se isso ocorre, qual o motivo? Alguém da agropecuária brasileira deve saber sobre isso e explicar.
  • rraphael  27/10/2020 19:33
    fica claro no discurso que o governo vai continuar desfacelando a moeda local
    como o biroliro nao quer ser cornetado por inflaçao , produtores e comerciantes que vao responder pela furia do povao do 600tao
  • Felipe  29/10/2020 15:13
    "Capítulo decisivo para despolitizar a moeda, diz Guedes sobre BC autônomo"

    Curioso ver o que o Paulo Guedes disse sobre isso. O que acham?
  • Felipe  29/10/2020 17:27
    "Copom decide manter juros básicos em 2% ao ano"

    E assim o real brasileiro vai continuar se desvalorizando em relação ao peso colombiano, ao peso chileno, ao peso mexicano, ao boliviano, à rúpia indiana, ao rublo russo... Voltamos para a Era Dilma.

    O pior é que os juros de longo prazo continuarão altos para os investimentos produtivos, já que com essa baixa nos juros, a expectativa de inflação no futuro fica maior.
  • Felipe  29/10/2020 19:57
    Existe alguém no meio mainstream que critica isso? Até o Jornal Nacional admitiu que a culpa da alta dos preços da carne se deve ao dólar mais caro, falando da soja e do milho, cotados na moeda. E aí eles falaram que, apesar disso, isso é bom para a balança comercial (provavelmente por causa do crescimento das exportações de carne)...
  • Lucas  29/10/2020 22:04
    Existe alguém no meio mainstream que critica isso? Até o Jornal Nacional admitiu que a culpa da alta dos preços da carne se deve ao dólar mais caro, falando da soja e do milho, cotados na moeda.

    Até agora não vi ninguém criticar. Todos falam da alta do dólar, mas ninguém fala - ou questiona - o que causou essa alta. E, sinceramente, não espero ninguém do mainstream criticar os juros artificialmente baixos. Estão todos calados.

    A única figura da oposição que criticou os juros baixos foi o... Lula! Obviamente, foi daquela maneira demagoga que lhe é peculiar (ou alguém esperava uma crítica sólida e bem fundamentada?), dizendo que a redução da Selic foi inócua, pois não se traduziu em uma redução de custos para o povo brasileiro.
  • Felipe  31/10/2020 21:34
    Resolvi ler esse artigo sobre a tal "recuperação em 'V'".

    Achei legal até o texto e ele até falou da fraqueza que o Brasil foi em 2019 (aqui alertado por vários leitores também). O nosso crescimento foi broxante... os Estados Unidos, país já rico e desenvolvido, cresceu mais nos últimos anos do que o Brasil, que ainda é pobre.


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