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Como a cobrança de bagagem aérea ajudou os brasileiros do interior
E, sim, os preços caíram - até o petróleo disparar

A proibição da cobrança de despacho para bagagens em viagens aéreas voltou a ser tema após a Câmara dos Deputados aprovar projeto retornando a proibição. Ontem, o Senado também ratificou o projeto.

O argumento é que o impacto da bagagem no preço da passagem aérea é pequeno, de forma que os consumidores não sentiram grandes benefícios da medida, aprovada em 2016. Afinal, boa parte do preço da passagem está atrelado ao petróleo e ao dólar.

Embora isso não seja economicamente verdadeiro (mais sobre isso abaixo), vale ressaltar que o maior impacto positivo da liberação da cobrança ocorreu na indústria na aviação regional.

Um dos exemplos é o da minha cidade: Campina Grande, localizada a 128 quilômetros da capital da Paraíba, João Pessoa.

Campina Grande, historicamente, sempre foi uma cidade com uma oferta mínima de voos. 

Mas isso mudou desde 2016.

Apesar de ser uma cidade com 400 mil habitantes e uma região metropolitana de 1 milhão de pessoas, Campina Grande, durante anos teve, apenas um único voo: às 3 da manhã, ligando a cidade a Guarulhos.

Este voo era operado pela GOL.

De 2015 para cá, isso mudou. A Azul se instalou na cidade e começou a operar três voos regulares para Recife.

Os campinenses viajam neste modelo aqui, um ATR 72-600:

 atr.png

ATR 72-600 da Azul, que voa entre Campina Grande e Recife

E isso mudou a vida de muitos campinenses.

Afinal, a viagem de ônibus neste mesmo percurso dura 4 horas em uma estrada com condições lamentáveis, típicas dos rincões do Brasil.

O voo Campina Grande—Recife, por outro lado, tem 30 minutos, e não é tão mais caro que viajar de ônibus: viajar ida-e-volta de ônibus custa por volta de R$ 200, enquanto a ida-e-volta de avião varia entre R$ 300 e R$ 500.

E com a dupla vantagem de que você não corre o risco de ser assaltado na estrada, e ganha 3h30 na sua vida, saindo bem menos cansado do percurso.

Antes, não importava para onde eu fosse, eu teria de ir para Guarulhos. Sim, se eu quisesse ir a Fortaleza de avião, primeiro eu teria de ir para Guarulhos. 

Agora, graças ao ATR da Azul, eu somente preciso chegar ao Recife. Desenhei a antiga rota para vocês entenderem:

 trajeto.png

Obviamente, também era possível ir de ônibus até Recife para então pegar um avião para outras cidades do Brasil. Mas, além do risco, era também fisicamente desgastante e caro. Eu teria de desembarcar na rodoviária e então pegar um táxi para o aeroporto. E isso se eu conseguisse chegar a Recife exatamente algumas horas antes do voo. O normal seria ter de ficar num hotel até o dia seguinte.

Já o voo Campina Grande-Recife me permite chegar a um dos maiores aeroportos do Brasil, e de lá ir para qualquer outro lugar.

Não é apenas mais rápido e menos cansativo. É também muito mais barato.

Foi algo generalizado

Este movimento de expansão da aviação regional não ocorreu só em Campina Grande.

As companhias aéreas adquiriram aviões menores e estão chegando em mais destinos.

Até mesmo a cidade de Patos, com 100 mil habitantes, encravada no meio do Sertão e a mais de 300 quilômetros de João Pessoa, ganhou um voo regular.

Os patoenses voam neste menino aqui, um Cessna Grand Caravan:

cessna.png

 Cessna Grand Caravan, da Azul, que liga João Pessoa a Patos

E isto é um fato: se você mora no interior, deve ter percebido que, mesmo com a devastação da pandemia, os aeroportos locais estão funcionando. 

A LATAM hoje atende 50 destinos, a Azul, 121, e a GOL vai para 42 lugares saindo de Brasília.

É um recorde para todas as empresas.

Fora as empresas que são 100% regionais, como a Passaredo (que atende a região Sul) e a MAP (Amazônia).

Expandir a aviação regional só é possível se houver regras que respeitem a realidade econômica

Para quem mora em capital, nada disso faz muita diferença. Mas para quem é do interior, é um paraíso.

Essa expansão da aviação regional é muito importante para a economia local. É o que me permite crescer minha empresa, crescer no meu trabalho, e continuar morando no interior. 

Com efeito, é o que me permite ser contratado por pessoas de todo o Brasil.

E o que isso tem a ver com cobrar a bagagem?

Sabe aqueles ATRs e Cessnas da foto acima? Eles são ainda menores pessoalmente. É impossível esses voos existirem se todo mundo despachar duas bagagens de 23 quilogramas. Simples assim. 

A maior parte dos voos regionais não tem capacidade de existir com todo mundo despachando duas bagagens de 23 quilogramas.

Não estou dizendo que isso é legal ou desejável. Estou apenas falando sobre a realidade econômica (e até mesmo física) da situação.

E isso não é verdade só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Veja este mapa de voos na Europa, por exemplo. Ele possui um milhão de destinos, e isso só é possível porque as companhias têm uma flexibilidade que as brasileiras não têm.

mapa.png

Aviões sobre o espaço aéreo europeu. A esmagadora maioria é de empresas "low cost", que cobram despacho de bagagem

Nem é necessário aqui ressaltar que não existe "bagagem gratuita". Todos os passageiros irão arcar com esta "benesse". Com a cobrança, só paga o passageiro que despacha a bagagem. Sem a cobrança, todos os passageiros irão pagar, inclusive os que não despacham. Consumidores mais espartanos, que viajam apenas com bagagens de mão, irão bancar a família numerosa que despacha duas bagagens de 23 quilogramas por membros. O valor do despacho de bagagem obviamente será diluído no preço dos bilhetes de todos os passageiros. 

Isso tudo já é sabido, mas ainda é o de menos.

O grande estrago, além da aviação regional, será na própria concorrência do setor aéreo.

Logo após a implementação da cobrança pela franquia de bagagem, ao menos oito empresas estrangeiras, sendo sete 'low cost', demonstraram interesse em operar no Brasil. Empresas como Sky, Norwegian, Flybondi e JetSmart realmente vieram para cá. Em 2020, porém, a pandemia do novo coronavirus interrompeu abruptamente esse movimento.

Com a obrigatoriedade do "despacho gratuito" de bagagens — que representa um custo artificialmente imposto sobre uma empresa aérea —, as empresas "low cost" simplesmente perdem sua vantagem comparativa. Para compensar este custo imposto, elas obviamente terão de cobrar mais nas passagens. E isso retirará exatamente o seu apelo, que é a passagem mais barata em relação às demais. 

Logo, será economicamente racional elas nem virem para o Brasil. Por que viriam, se estão proibidas exatamente de exercer o seu diferencial?

Uma rápida palavra sobre os preços das passagens após a permissão da cobrança

Um dos argumentos mais utilizados pela volta da "gratuidade" do despacho da bagagem é que, após a instituição da cobrança, os preços das passagens aéreas não caíram.

Mas tal afirmação não procede. Não quando se faz uma análise econômica correta.

Está fora do escopo deste artigo adentrar nestes meandros, mas há estudos detalhados que comprovam (ver aqui, aqui e aqui) que os preços das passagens realmente caíram em 2017, tão logo foi implantada a cobrança.

Mesmo até o fim do ano de 2019, as passagens aéreas subiram menos que o IPCA (ou seja, seus preços reais não se alteraram).

precoipca.png

Preço médio das passagens vendidas em cada ano, corrigido pelo IPCA. Os números são da Agência Nacional de Aviação Civil

Só que aí aconteceu uma "coisinha chata". O preço do petróleo disparou. E o querosene foi junto.

O gráfico a seguir mostra a evolução do preço do querosene em dólares:

kerosenedolares.png

Evolução do preço do querosene em dólares 

E em reais:

Captura de Tela 2022-05-18 a`s 14.55.27.png

Evolução do preço do querosene em reais

Não tinha como fazer mágica.

Acrescente a isto a quebra de empresas como WebJet e Avianca, o que diminuiu a concorrência, e qualquer pessoa minimamente sensata irá entender que a cobrança de bagagens não tinha como manter os preços das passagens eternamente baixos.

Para concluir

Realmente, não dá para se esperar bom senso dos nossos políticos. É querer demais que eles entendam que, assim como não existe almoço grátis, também não há despacho gratuito de bagagens.

Assim como a vinda de empresas "low cost" para cá, o sonho da aviação regional foi bom enquanto durou. Vamos todos voltar a morar em capitais, encarecendo as cidades, concentrando recursos e levando a riqueza para longe do interior brasileiro.

Obrigado, políticos.


autor

Ivanildo Terceiro
é Diretor de Comunicação do Students for Liberty Brasil.

  • volnei  18/05/2022 18:51
    Realmente não existe nada grátis.
    Lei mais esdrúxula de achar que vai baixar valor da passagem.
    Esperar o que do congresso, mas ainda bem que o senado foi coerente com a realidade ( ou por algum interesse), afinal iria aumentar passagem e diminuir concorrência fazendo com que tivesse aumento significativo caindo pesado no colo de quem tem poder aquisitivo menor.
  • Yuri  18/05/2022 18:55
    Pelo menos o programa "Voo Simples" vai dar uma amenizada na coisa.

    Haverá a simplificação para fabricação, registro e importação de aeronaves, aceitação de certificação de médicos estrangeiros (antes não era aceito), além de digitalização de documentos. São coisas pequenas, mas que já trazem um benefício significativo.
  • Edson  18/05/2022 19:14
    Lembrando que a Ryan Air já disse que, daqui a 5 anos, as passagens aéreas serão gratuitas.

    pt.topworldtraveling.com/articles/news/all-ryanair-flights-will-be-free-in-5-10-years.html
  • Gustavo  18/05/2022 19:20
    Sim, mas só em países em que a empresa consegue lucrar em outra área, como cobrando despacho de bagagem, comida a bordo e até o uso de banheiro.

    Aqui o brasileiro vai ter isso tudo de graça, só que pagando R$ 2.500 na ponte aérea RJ-SP.
  • Marcos  18/05/2022 19:23
    Pronto. Agora realmente não há a menor chance de políticos permitirem estrangeiras virem pra cá fazerem voos de cabotagem aqui dentro.

    Além de não mais ser economicamente sensato virem pra cá (vão ter de despachar bagagem de graça), políticos ainda dirão que "Vão acabar com as aéreas brasileiras!".
  • Viajante  18/05/2022 19:26
    Na RyanAir cobram até pra respirar. E a mala é mais cara do que a passagem.

    Mas é exatamente isso o que possibilita os mais pobres de voarem.
  • anônimo  18/05/2022 19:28
    A Ryanair é bem barata. O desafio está em passar ileso pelas aterrissagens.

  • Vladimir  18/05/2022 19:47
    Na Ryanair, para ter uma aterrissagem suave você tem de pagar à parte.
  • Felipe  18/05/2022 19:38
    Vale lembrar que apenas Brasil, Venezuela, Rússia, China e México possuem essa estupidez de "bagagem gratuita".
  • Júlio  18/05/2022 23:29
    Só país invejável e de gente honesta e proba.

    Mas confesso que me surpreendi com o México. Pensei que fossem mais espertos...
  • Bernardo  18/05/2022 19:50
    Só para vocês terem saudades do que não viveram:

    Norwegian inicia operação no Brasil; voo Rio-Londres a partir de R$ 920
  • Paulo  19/05/2022 01:12
    Sinceramente, na minha modesta opinião, qualquer estrangeira que vier pra cá não conseguirá baixar mais os preços, pois cairá no mesmo problema das brasileiras:

    - Altos impostos incidindo nas passagens, combustíveis e etc.; baixa incidência de passageiros, derivado da baixa renda dos mais de 95% da população de 200 milhões; renda em reais e custos em dólar, inclusive combustíveis, e diversos problemas gerados pelo "custo Brasil" e etc.

    A aviação é um ramo em que a maioria das empresas morrem com o tempo. Vide qualquer pais do mundo. A PanAm já foi, junto com a Coca-Cola, a Esso e a Disney, um dos maiores símbolos americanos. E faliu, como já faliram centenas de cias. O Brasil tem dezenas de empresas "defuntas. Acho difícil ter mais de quatro nacionais e tantas regionais, as quais acabam engolidas pelas nacionais. A margem de lucro é baixa e os altíssimos requisitos técnicos são os maiores de qualquer setor da economia.

    De resto, por incrível que pareça, nossas nacionais são de boa qualidade. Já viajei por cias excelentes: Varig (nos tempos áureos), Air France e a Emirates, umas das melhores cias mundiais, e Copa (panamenha). E digo: nossas nacionais não deixam a desejar às melhores do mundo. As diferenças são pequenas. A Azul, na minha opinião, é uma das melhores cias do mundo (sempre que possível só escolho ela para viajar pelo Brasil). Já viajei para os EUA pela Avianca e, tanto o avião quanto o serviço, não deixaram a desejar às europeias. E, é claro, a empresa quebrou...
  • William  19/05/2022 01:43
    "Sinceramente, na minha modesta opinião, qualquer estrangeira que vier pra cá não conseguirá baixar mais os preços, pois cairá no mesmo problema das brasileiras: […]baixa incidência de passageiros, derivado da baixa renda dos mais de 95% da população de 200 milhões

    Desculpe, mas isso não faz absolutamente nenhum sentido. Você está dizendo que os preços das passagens brasileiras são altos porque a população é pobre e a demanda é baixa.

    É a primeira vez que vejo alguém que baixo poder de compra e baixa demanda geram preços altos.

    "renda em reais e custos em dólar"

    Se os custos são em dólar, então as estrangeiras iriam se dar bem, pois já têm caixa em dólar. Ou seja, mais um incentivo para elas virem.

    Quanto às receitas em reais, elas podem fazer hedge.

    "A aviação é um ramo em que a maioria das empresas morrem com o tempo. Vide qualquer pais do mundo. A PanAm já foi [...] um dos maiores símbolos americanos. E faliu, como já faliram centenas de cias."

    Até a década de 1970, os preços das passagens aéreas nos EUA eram controlados pelo governo, que também concedia monopólios sobre determinadas rotas para determinadas companhias aéreas — PanAm e TWA lucraram os tubos com essa regulamentação — e impedia a entrada de novos concorrentes.

    O mercado aéreo americano era extremamente regulado e protegido, beneficiando os grandes e mantendo de fora os pequenos.

    Em 1978, a Civil Aeronautics Board — agência reguladora que controlava todos os aspectos do mercado aéreo americano —, foi abolida, permitindo, pela primeira vez, a livre concorrência no setor. Preços passaram a ser determinados pelo mercado — e despencaram — e outras empresas passaram a poder ofertar seus serviços para todas as rotas existentes.

    Essas empresas que cresceram protegidas pelo governo quebraram tão logo a livre concorrência foi permitida. Empresas acomodadas quebrarem tão logo a concorrência é permitida é sinal de mercado saudável.

    De resto, sobre o que você falou sobre a qualidade, nada me oponho.
  • Felipe  18/05/2022 22:30
    Esse detalhe dos assaltos em rodovias é algo que é negligenciado, mas é um fato. Sem contar que a infraestrutura rodoviária nessas regiões é medonha (pelo menos no interior do CE onde eu já fui).
  • Otávio Campos  18/05/2022 23:07
    Uma coisa que tem que ser enfatizada é que a qualidade e o preço do transporte aéreo dependem diretamente da qualidade do transporte terrestre.

    Desregulamente o transporte terrestre, libere o surgimento de empresas de ônibus para fazer qualquer rota e a qualquer preço, inclusive com o livre trânsito de empresas estrangeiras (hoje, isso é severamente restringido pela ANTT), e você verá os preços das passagens aéreas em queda e a qualidade dos serviços em alta.
  • Ricardo  18/05/2022 23:21
    Esquece. O setor de transportes no Brasil sempre foi máfia da pesada (como tende a ocorrer em todo setor regulado pelo estado). Os proprietários dessas empresas, que não passam de 10 a 12 famílias que controlam , diretamente ou através de prepostos, 70% do transporte rodoviário intermunicipal, interestadual e urbano de passageiros no país, fazem Al Capone parecer um trombadinha. Um exemplo conhecido é o amigão do Gilmar Mendes Jacob Barata Filho, vulgo Jacozinho. Mas posso garantir que tem gente pior.

    Num mercado desregulado, cadáveres ambulantes como a Itapemirim não estariam por aí escondendo ônibus e largando passageiros pelo caminho por causa de arresto judicial, e empresas "canela seca" como a Gontijo (nem wi-fi tem nos ônibus) teriam sérias dificuldades, mesmo o Brasil sendo um país continental. Como já fizemos uma opção difícil de consertar, que é por modal rodoviário, desregulamentar o setor de fato mudaria todo o estado de coisas. Mas será difícil.
  • Felipe  19/05/2022 01:57
    Bastam ver a lei anti-Buser que passaram. Vai voltar a ser a porcaria de antes.

    E o pior é o conflito de interesses: como que um político como o Rodrigo Pacheco vai votar em lei que vai beneficiar empresa de ônibus do pai dele?

    Andar de ônibus seria muito melhor tanto com a desregulação do setor quanto com a desestatização das rodovias e rodoviárias, inclusive banindo as lombadas. Alguém pode me explicar por que esses gênios não colocam lombadas em ferrovias e em pistas de decolagem?
  • Flávio  18/05/2022 23:24
    Aqui sempre foi tudo regulado. Quando não é a ANTT (para transportes interestaduais), as próprias agências reguladoras estaduais (para transportes intermunicipais dentro do estado) fazem o serviço. Elas escolhem quem pode e quem não pode atuar. Sempre por meio de licitação (onde, obviamente, a propina rola solta e as máfias se formam).
  • Lucas  18/05/2022 23:40
    Se for parar para pensar, não faz o menor sentido existir um terminal rodoviário, mantido pelo estado, concentrando todas as linhas rodoviárias. Esse serviço poderia muito bem ser prestado pelas próprias empresas de ônibus.

    De início, não precisaria ser nada muito grandioso. Cada empresa poderia utilizar um espaço de suas próprias garagens para servir como área de embarque. Dessa forma, cada empresa teria o seu próprio "terminal rodoviário". Por exemplo, se eu quisesse viajar pela Viação Cometa, eu iria até a garagem da Viação Cometa e embarcaria lá, se eu quisesse viajar pela Garcia, eu embarcaria na garagem da Garcia, se eu quisesse viajar pela Gontijo, embarcaria na garagem da Gontijo...

    Com cada empresa fornecendo sua própria estrutura de embarque, haveria incentivo, por meio da concorrência, para que elas mantivessem essa estrutura de modo a satisfazer o cliente da melhor forma possível, seja fornecendo um espaço agradável - ou até mesmo salas VIP para quem se dispor a pagar mais - até mesmo uma localização conveniente.

    E sabe o que é mais inusitado? Durante o pico da pandemia de Covid-19, várias cidades fecharam seus terminais rodoviários e os embarques se deram nas garagens das empresas de ônibus. Exatamente da forma que descrevi anteriormente. Aqui na minha cidade foi assim. E funcionou muito bem! Isso deixou escancarada a irrelevância dos terminais rodoviários estatais. Por mim, deveriam ter deixado assim definitivamente.
  • anônimo  18/05/2022 23:49
    Bom ponto. Rodoviária é uma ocupação inútil de espaço.

    Ao contrário de um aeroporto, em que há toda uma infraestrutura para o abastecimento de aeronaves e toda uma logística para a conexão de passageiros (além do óbvio fato de que aviões precisam de muito espaço para decolar e pousar, de modo que seria fisicamente inviável cada empresa ter o seu), uma rodoviária não é nada disso.

    Rodoviárias nem sequer abastecem ônibus.

    Rodoviárias existem por um só motivo: manter o cartel das empresas de ônibus protegido pelo estado.

    Dado que as rodoviárias obrigatoriamente centralizam a partida e a chegada de ônibus, qualquer empresas de ônibus é obrigada a passar por uma rodoviária.

    Não houvesse rodoviárias, qualquer empresa de ônibus poderia simplesmente abrir um escritório em qualquer cidade e estipular que seus ônibus teriam aquele lugar como ponto de partida e chegada. Sem qualquer burocracia. Seria um verdadeiro livre mercado. Qualquer empresa teria a liberdade de fazer rotas para absolutamente qualquer cidade.

    Mas como isso é proibido pela ANTT (vide a gritaria contra Flixbus e Buser), as rodoviárias são impostas como medida de controle e manutenção do cartel.
  • Dumont  18/05/2022 23:32
    O ano de 2017 teve um valor médio do ticket menor que 2011. E sim, FOI GRAÇAS A COBRANÇA DE BAGAGENS.

    www.abear.com.br/imprensa/agencia-abear/noticias/anac-tarifa-aerea-media-de-2017-e-a-menor-desde-2011/
  • Geraldo  19/05/2022 03:07
    "É como obrigar o cinema a dar pipoca e refrigerante. O ingresso vai ficar mais caro", disse um executivo de uma low cost.

    Despacho gratuito de bagagem em voos deve afastar empresas 'low cost' do mercado brasileiro
  • Imperion  19/05/2022 13:15
    E a burocracia brasileira? No Brasil é proibido oferecer dois produtos juntos (venda casada). Tem que ser separados.
    Aí vêm eles e obrigam a colocar a bagagem junto. De graça. E o que acontece? A bagagem vai ser cobrada junto na passagem por todo mundo. Brasil é um hospício.
  • anônimo  19/05/2022 13:16
    Existe limite para o quanto de bagagem cada passageiro pode levar?
  • anônimo  19/05/2022 14:35
    Hoje não há, pois você paga. Com a "gratuidade", certamente haverá. Toda "gratuidade" gera racionamentos.

    Eis como é hoje:

    www.skyscanner.com.br/noticias/dicas/bagagem-de-mao-e-bagagem-despachada-saiba-os-tamanhos-e-os-pesos-permitidos
  • rraphael  19/05/2022 14:13
    eu sei que o debate gira em torno da aviaçao civil mas o extremo desse calculo é da viagem espacial
    nao sei a evoluçao do valor nos ultimos anos, ja que teve diversos avanços
    mas ate a epoca dos onibus espaciais custava mais de 1 milhao de dolares pra colocar 1 kilograma em orbita

    e esse valor é incluso TUDO, desde a fuselagem, o proprio combustivel e todo o equipamento, o que sobra é pra tripulaçao, agua comida remedios - alias boa parte do peso da fuselagem e do combustivel é usado logo no inicio da viagem, so pra poder sair do chao ... o aviao ainda tem o transtorno de se manter durante todo o percurso

    pro calculo de autonomia um decreto de "bagagem gratis" é um dano muito maior do que parece quando se usa esse termo , pois justamente nao é somente "bagagem" ... é um adicional com um peso (em ambos os sentidos) muito diferente do que discutir se tem espaço no porta-mala do onibus

    e bom... é bem coisa de politico mesmo, cagar em tudo e nao faz nem ideia do transtorno, so depende da caneta pra fazer acontecer
  • Viajante  11/06/2022 18:43
    Franquia de bagagem inviabiliza aéreas de baixo custo no Brasil

    Chilena JetSmart diz que legislação vai afetar decisão de operar no Brasil; setor pleiteia veto presidencial até 3ª feira (14)

    Antes da pandemia, a chilena JetSmart planejava entrar no mercado brasileiro em rotas domésticas. Agora, depois da aprovação da lei que estabelece franquia obrigatória de bagagem, a companhia diz que a mudança legislativa vai afetar sua decisão de operar no país.

    www.poder360.com.br/economia/franquia-de-bagagem-inviabiliza-aereas-de-baixo-custo-no-brasil/
  • Bruno Souza  15/06/2022 13:55
    Bozo vetou o "despacho gratuito" de bagagem. Contra toda a pressão da mídia e das redes sociais, que são a favor.

    Apenas aceitem: melhor presidente desde a redemocratização do país. O único que tem culhões e que não tem pendor populista.

    Em outubro, é Bozo ou Barbárie.
  • anônimo  15/06/2022 15:11
    É impressionante como o Bolsonaro já teve de vetar isso duas vezes seguidas, se o Lula ganhar com certeza o congresso tentará aprovar isso de novo...
  • Felipe  15/06/2022 15:32
    Ele já tinha vetado em 2019, vetou de novo porque de novo voltaram com essa porcaria.

    É obrigação dele, mas em um país cheio de estatistas, é um sopro de sanidade.
  • Bruno Souza  15/06/2022 15:33
    Ah, e acrescentou hoje que nunca mais haverá imposto federal sobre gás de cozinha.
  • Felipe  15/06/2022 16:43
    O interessante é que até as companhias aéreas queriam o fim dessa gratuidade. Sabendo que essa gratuidade beneficiaria grandes corporações do setor, então por que elas foram a favor do fim da emenda?

    No trecho da DOU que fez o veto, eles (o governo federal) alegam que isso seria contrário ao interesse público. Interesse público de quem, afinal?

    Ótimo ele ter dado fim no imposto federal sobre o gás de cozinha. Vai certamente incentivar a produção. Falta acabar esse monte de controle e abrir o setor de vez.
  • Pobre Mineiro  27/10/2022 03:19
    Bagagem aérea tem que ser cobrada à parte sim, sou inteiramente a favor de não ter nada "grátis"

    Sempre que viajo eu levo o mínimo necessário, muito abaixo do peso máximo permitido.
    Isso faz com que muitos folgados excedam sua cota, pois já apostam que muitos levarão quase nada.

    Não é problema meu uma pessoa levar a casa inteira numa viagem do Rio para São Paulo com o retorno para depois de amanhã, contanto que não me perturbe, o que infelizmente não ocorre... O fato é que esses folgados sempre geram muitos inconvenientes, seja no despacho da bagagem gerando atrasos, seja no interior do avião gerando todo tipo de incômodo.

    Quando as companias aéreas começaram a arrochar esses folgados, cobrando os excessos, eu vi uma diminuição significativa desses problemas.

    Por isso hoje eu penso que eles deveriam cobrar até o peso e tamanho da bagagem de mão.
    É impressionante, é de graça então o cara leva 100kg de tralha desnecessária de 1 m^3 de volume, cobre R$5 /kg.dm^3 e o cara só leva uma mochila pequena com 2kg dentro.


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