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Duas medidas cruciais para reduzir o inferno fiscal e aumentar a produtividade — e uma foi boicotada
Os lobbies - e o STF - continuam poderosos no Brasil

Duas iniciativas importantes da Secretaria de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia foram discutidas recentemente pelos agentes políticos: 

1) isenção tributária para estrangeiros em investimentos em renda fixa;

2) redução generalizada do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Ambas são positivas — e até mesmo cruciais — para a competitividade brasileira.  Impostos são custos artificiais implantados pelo estado. Consequentemente, uma redução de impostos reduz os custos das empresas e, consequentemente, afeta para baixo os preços ao consumidor. Adicionalmente, menos custos artificiais facilitam mais investimentos e, logo, mais empregos.

Ambas as medidas, porém, estão paradas. Uma foi interrompida por causa de uma lei eleitoral. A outra, por lobby.

Isenção para estrangeiros é crucial — e racional

A isenção para estrangeiros em investimentos em renda fixa é incontroversa. 

É praxe ao redor do mundo que apenas o país de domicílio fiscal do investidor tribute seus rendimentos, evitando bitributação e permitindo livre fluxo de capital internacional. 

A exceção são os investimentos oriundos de países com tributação baixa (abaixo de 20%) — raivosamente denominados de "paraísos fiscais"—, os quais são taxados também no país que gerou os rendimentos. (Países como o Brasil e outros que impõem tributação alta seriam mais bem caracterizados pela alcunha "infernos fiscais".)

O Brasil há bastante tempo adota a prática internacional para todo tipo de investimento estrangeiro, com uma curiosa exceção: os investimentos em renda fixa (não governamentais), principalmente debêntures emitidas por empresas. 

São isentos os investimentos em Bolsa, em títulos públicos, em ações de empresa de capital fechado; no entanto, os juros e os ganhos de capital de debêntures (bem como CRIs e CRAs) são tributados a 15% de alíquota.

Uma empresa pode se financiar via a) empréstimos bancários, b) venda de títulos como as debêntures ou c) por venda de ações ou participações. 

Ao discriminarmos o investidor estrangeiro em debêntures, as empresas brasileiras perdem uma fundamental fonte de capital barato.

Investidores estrangeiros detêm mais de metade do capital das empresas listadas em Bolsa, mais de 70% dos aportes em venture capital e private equity, mas apenas 2,5% das debêntures e demais títulos de renda fixa emitidos por empresas. Um eventual aumento de participação estrangeira para 15% pode representar uma entrada de mais de R$ 100 bilhões em capital para empresas.

Isso não pode ser desprezado.

A escassez de capital no Brasil explica nossos menores salários, nosso menor crescimento e nossos juros mais altos. É por causa do capital adicional em maquinário moderno que o funcionário de linha da Tesla ganha muito mais que o equivalente trabalhador brasileiro em uma montadora no Brasil. Caso o brasileiro fosse contratado pela gigaunidade da Tesla em Austin, ganharia o mesmo que o trabalhador americano, após um breve período de treinamento. 

Assim como a serra elétrica aumenta a produção em relação a um serrote ou a um machado, e um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.

Um operário norte-americano ganha cem vezes mais que o indiano não por "trabalhar mais duro" ou por ser mais inteligente, mas sim por utilizar cem vezes mais capital moderno (máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que seu colega indiano.

Países ricos são aqueles em que a quantidade e a qualidade das máquinas e das ferramentas disponíveis são muito maiores do que nos países pobres.

Por isso, é racional facilitar ao máximo a disponibilidade destes itens em qualquer país. Mas isso depende de investimento estrangeiro.

O aumento de capital estrangeiro para empresas brasileiras, oriundo de mais investimentos estrangeiros, é exatamente o que propiciaria equipamentos melhores e, consequentemente, maiores salários.

Mas isso está travado por lei eleitoral — e junto com a correção da tabela do Imposto de Renda.

O IPI e o lobby da Zona Franca

Já a iniciativa de redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), cuja redução seria de 25% a 35%, teria um impacto semelhante em termos de competitividade e ainda maior em termos de preços mais baixos ao consumidor. 

O IPI, como se sabe, é um imposto indireto que incide sobre a venda de todos os produtos industrializados. Ao contrário do ICMS, seu valor não está embutido no preço final; ele é pago separadamente na nota fiscal. Por isso, uma eventual redução sua teria impacto direto no custo final.

No entanto, o lobby da Zona Franca de Manaus (ZFM) foi contra e, por meio do ministro Alexandre de Moraes, obteve uma liminar do STF cancelando a redução do IPI de todos os produtos fabricados nacionalmente e que tenham concorrentes na Zona Franca de Manaus.

A Zona Franca de Manaus foi concebida em 1967 pelo então ministro Roberto Campos como um paraíso fiscal temporário (30 anos) para fomento de desenvolvimento da Amazônia. Mas, como todo programa temporário de governo, virou permanente e já garantiu por lei os primeiros 106 anos.

Foi criada uma cultura do direito adquirido, e está claro que a ZFM será, sempre, obstáculo ao desenvolvimento do Brasil. O governo quer tornar o país um "inferno fiscal" de fogo menos intenso, mas a ZFM, que representa 0,5% do PIB nacional, alega que assim perde competitividade — pois suas margens de lucro diminuem comparativamente ao inferno melhorado. 

Isso é puro protecionismo. 

Pior: comprova e solidifica essa nova fase de "ativismo econômico" do Supremo Tribunal Federal.

Vale lembrar que, ao fim de 2020, pela primeira vez na história do país, o STF passou a fazer "política industrial" ao vetar uma redução de tarifas de importação para revólveres e pistolas, redução esta que havia sido anunciada dias antes pelo governo federal. Foi a primeira vez na história que a Suprema Corte do país legislou sobre tarifas de importação, e o argumento explícito foi o de que a redução das tarifas acarretaria uma "perda automática de competitividade da indústria nacional […] considerado patrimônio nacional".

Agora, o STF repete o feito, desta vez visando a proteger um setor nacional da concorrência de outros setores nacionais. Ou seja, agora temos também um protecionismo interno.

Ficaremos reféns?


autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • Thiago  27/05/2022 17:48
    Sim, infelizmente ficaremos reféns desses dráculas protecionistas dos infernos. Pessoas estas que não foram colocadas lá de forma "democrática" e só estão lá para representar seus próprios interesses e privilégios.
  • Eduardo  27/05/2022 18:12
    O STF já revogou:

    * uma medida que abolia radares das rodovias federais,
    * uma medida que acabava com a multa para quem não tem cadeirinha de criança no carro
    * uma medida que zerava tarifas de importação.
    * discurso do presidente contra o lockdown.
    * a liberdade do Ministério da Economia em fazer privatizações — agora só o Congresso pode autorizar.

    E, para completar, o STF disse que é crime reduzir preço dos combustíveis em ano eleitoral.

    Mas, ó, criticar o STF é atentar contra a democracia e as instituições.
  • Felipe  28/05/2022 13:58
    Agora, sendo honesto: foi o Bolsonaro que assinou um decreto autorizando as restrições sanitárias, no início de fevereiro de 2020 (algo que nunca foi revogado), junto com os "pandeminions" Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta.
  • Ronald "Ronnie" McCrea  28/05/2022 19:12
    Mas a lei 13979/2020 em si só teria validade originalmente até 31/12/2020, mas o partido REDE do Randolfe Rodrigues entrou com um pedido (Ação Direta de Inconstitucionalidade 6625) pra extender a lei por tempo indeterminado. Por quê acha que alguns ministros do STF não tiraram férias naquela ocasião, incluindo Marco Aurélio de Mello?
  • Victor  31/05/2022 11:29
    Ronald, li sua resposta assim: mu mu mu mu.

    Bolsonaro fez uma lei que por si só é um absurdo.

    Além disso, todo mundo tá careca de saber que o estado ama pegar essas leis temporárias e converte-las em permanentes. Principalmente as que lhe dão poderes mais coercitivos.

    Pare de passar vergonha defendendo parasita.
  • Bruno Minatelli  30/05/2022 15:48
    Complementando o comentário do Tiago, se você criticar muito duramente o STF você ainda poder ir preso ou ter sua empresa encerrada e contas e salários confiscados.
  • Didi, Dedé, Mussum e Zacarias  27/05/2022 17:49
    Com ministros do STF que temos não precisamos de mais nada para continuarmos no inferno fiscal. Não vejo a hora de deixar este país definitivamente. Terei no futuro o maior orgulho de não ser mais brasileiro. Brasil é uma desgraça sem tamanho. Lamento o azar daqueles que terão de aqui permanecer. Como diria Marta Suplicy, relaxe e goze(hahaha).
  • Régis  27/05/2022 18:13
    Você pretende ir para onde? Em qual país você acha que terá uma renda real melhor que no Brasil?

    Pergunta sincera.
  • Aluno  27/05/2022 20:35
    Po, EUA com ctz. Pra ganhar dinheiro não tem comparação com o braza.
  • Régis  27/05/2022 20:57
    Qual estado? Para trabalhar com o quê? Morando em que tipo de imóvel?

    Creia-me: as respostas a essas perguntas fazem TODA a diferença.
  • Aluno  30/05/2022 06:32
    1-Qual estado?

    Qual quer um?
    Na própria Califórnia, que deve ser o pior estado em questão de tax, uma pessoa em LA que ganha na média salarial da cidade, em torno de 35.500 USD por ano
    , paga 16% de imposto de renda. E 26% da sua renda é gasto com impostos em geral ( renda, Sales tax, fuel tax , and property tax)

    No braza as pessoas trabalham e pagam em média 41% do salário de imposto

    2-Para trabalhar com o quê?

    Qual quer trabalho. Desde do cirurgião ao pedreiro. Nos EUA o salário vai ser absurdamente maior. Talvez politico e pratico ganhe mais no Brasil

    Se for qualificado, oque não falta é escritório de advocacia fazendo processo de green card Que não precisa nem de sponsor(eb2 niw, só botar no Google ). Conheço alguns engenheiros e advogados em torno de 30 e poucos anos que tem o green card dessa maneira, trabalham na área e creio que seria extremamente improvável que tenham uma condição financeira pior do que teriam no braza.

    Se não for qualificado também tá cheio de escritório fazendo processo pra green card eb3 ( só que o processo eh mais demorado). Também muito improvável que o faxineiro no Brasil tenha uma renda maior do q nos EUA.

    Na verdade se comparar um motorista de Uber em LA, com um engenheiro civil no braza, considerando que ambos economizem e invistam 20% do salário. O motorista consegue guardar o dobro do engenheiro

    3- Morando em que tipo de imóvel?

    Tipo alugado ou comprado? Apartamento ou casa? Isso depende mto da opinião de cada um, não?
    . Mas a oecd tem uma lista chamada "better life index" na qual um dos critérios é housing ( quality e affordability) os EUA tem a melhor nota do ranking em relação a housing e o Brasil está entre os 6 últimos.


    Tirando o caso de o cara ter um trabalho que pague MUITO bem no Brasil e vá para os EUA trabalhar de ilegal( sem considerar empreendedor) , em questão financeira, não consigo ver como o Brasil possa nem se quer se comparar aos EUA.
  • anônimo  03/06/2022 14:51
    Na verdade nesse msm ranking do ''Better life index'', o EUA esta classificado em primeiro lugar em relacao a renda disponivel no lar e o brazil em penultimo
  • Felipe  27/05/2022 22:59
    Os EUA podem até estar em questão de perda de liberdades (e qual país não está?), mas continuarão sendo um refúgio ainda para muita gente, inclusive político. Basta ver o caso do Allan dos Santos, assim como do Abraham Weintraub. Há ainda algum juízo no país e o que sobrou do federalismo ajuda bastante.
  • Guilherme  27/05/2022 18:21
    Uma coisa que eu nunca conseguia entender era o motivo de o Brasil ter tão pouco investimento estrangeiro em infraestrutura, sendo que essa é uma área visivelmente pouco desenvolvida e, logo, com ampla margem para altos retornos.

    Agora a coisa faz sentido.

    Estrangeiro que vem pra cá investir em ativos físicos produtivos é bitributado. Sensacional.
  • Túlio  27/05/2022 18:31
    Isso certamente é herança daquela mentalidade nacionalista que dizia que estrangeiros vêm pra cá apenas para "espoliar o patrimônio nacional".

    Brizola dizia que isso causava as "perdas internacionais".
  • Bernardo  27/05/2022 18:51
    Sim, o objetivo era fazer com que apenas nativos fossem os reais donos da infraestrutura do país.
  • Vladimir  27/05/2022 19:07
    Historicamente, o estado proibiu investimentos estrangeiros nestes setores (o que se acentuou com Getulio Vargas a partir de 1930) e, consequentemente, construiu ele próprio a infraestrutura do país (ou seja, tomou dinheiro de todo mundo). Décadas depois, repassou alguns nacos para a iniciativa privada. Estabeleceu preços de pedágio e de tarifas, e ainda exigiu uma fortuna para fazer a concessão. E, pior, garantiu o monopólio para a empresa concessionada, garantindo a ela que nenhuma outra empresa concorrente surgirá nos próximos 30 anos.

    E, é claro, dificultou ao máximo que estrangeiros comprassem as debêntures emitidas por estas empresas, para evitar as "perdas internacionais".

    Não é necessário nenhuma expertise em engenharia para saber que se o investimento estrangeiro sempre tivesse sido liberado, e se a aquisição das debêntures emitidas por essas empresas fosse isenta para o capital estrangeiro, estaríamos MUITO melhores.
  • Neto  27/05/2022 19:27
    Não é nem que o investidor estrangeiro era proibido. A própria iniciativa privada nacional também era proibida de investir em infraestutura porque este setor sempre foi monopólio estatal.

    De certa forma, isso perdura até hoje, aliás. Se eu quiser construir uma hidrelétrica ou uma ponte por iniciativa própria, irei para a cadeia.

    Adicionalmente, ainda que fosse liberado, seria impossível a iniciativa privada investir nestes setores sendo ela impiedosamente tributada e espoliada.

    Em suma: o governo proibia investimentos nacionais e estrangeiros em infraestutura, tributava pesadamente o capital nacional e estipulava monopólios. E até hoje ainda tem gente dizendo que, se não fosse o estado, não haveria infraestrutura, pois a "iniciativa privada nunca se interessou pelo setor".

    E estes também concluem que, se não fosse o governo, nada seria possível.

    Coisa de gênio.
  • Bruno  27/05/2022 19:37
    Isso me lembrou deste vídeo:

  • Manaura  27/05/2022 18:40
    A Zona Franca de Manaus é uma zona, sem dúvida, mas franca, acho que nunca foi. A diminuição de impostos aqui é mais que compensada pela burocracia necessária para obtê-la, a tal ponto que as empresas ficam reféns do estado, que dá redução de ICMS por um tempo e fica a cargo dele próprio a sua manutenção e/ou renovação, findo o prazo acordado - ou seja, a empresa é forçada a colocar dinheiro onde o governo do estado quer, em geral, na UEA (Universidade do Estado do Amazonas), através do dinheiro de P&D das empresas de informática ou diretamente em "projetos" do governo.

    Se a empresa não topa, fica com os preços acima do mercado internacional fácil, fácil e, mesmo com a alíquota de importação estratosférica no Brasil, a empresa vai parar mesmo é na China, que, pasmem!, tem condições de liberdade de atuação maiores que aqui.
  • Maurício  27/05/2022 18:47
    Todos os empresários pagam imposto elevado, o que atrapalha a produção. Já a zona franca paga bem menos. Isso é um estímulo pra que a indústria se desloque para aí.

    Até aí, tudo certo. Eu faria o mesmo. O problema é quando estas mesmas indústrias começam a atuar politicamente para proibir as outras indústrias do resto do país de usufruir a mesma redução de impostos.

    Isso é canalhice. O certo é permitir que todos tenham a mesma carga tributária, e baixa, de modo a estimular a indústria nas localidades. Do jeito que é, Manaus é uma ilha politicamente protegida. E mesmo assim é pequena.
  • Humberto  27/05/2022 18:55
    Justiça seja feita, a canalhice não é dos empresários que pedem a proteção (isso é do jogo). A canalhice é de quem concede a proteção (políticos e ministros do Supremo).

    É para eles que deve ser direcionada a revolta.
  • Paablo  27/05/2022 19:13
    Eles julgam em causa própria. Uma redução do IPI reduz as chances de novos aumentos salariais para os funças do STF.
  • Artista Estatizado  27/05/2022 19:15
    Acho legítimo fazer campanhas de difamação (apontando para a postura anti-liberdade) contra empresas que pedem proteção contra a concorrência. Caso a repercussão seja grande, talvez elas calem a boca.

    Se os defensores da liberdade, lutando por interesses dispersos, fossem mais organizados, esse seria um mal um pouco menor. Mas isso requer muito conhecimento e caráter de grande parte da população, algo para lá de distante da realidade.
  • Caio  27/05/2022 19:42
    É isso aí. A ideia de uma Zona Franca, em si, é corretíssima. O problema é negar o mesmo a outras áreas. Isso, sim, é canalhice.

    A ZFM, aliás, é um perfeito exemplo do como são benéficas as teses do livre mercado. Na ZFM, as tarifas de importação foram zeradas para incentivar a industrialização daquela região. Foram gerados empregos lá e ainda beneficiou-se os consumidores de lá e do resto do país (dado que não existe tarifas entre estados).

    Tão benéfico seu êxito, que o regime da ZF foi prorrogado até 2073 de modo quase unânime.

    Em resumo, esse sucesso é um exemplo prático do que se defende no IMB: o livre comércio.

    Resta agora apenas expandir a ZF para o resto do país.
  • André de Lima  01/06/2022 10:07
    Acredito que seja unânime que a isenção fiscal e "ZF" para todos os demais é o que a grande maioria dos leitores aqui defendem, inclusive eu. Contudo, pergunta sincera, sendo a ZF no estado do Amazonas, um estado indiscutivelmente carente em termos de infra, se a ZF passa valer em todo o territorio nacional, qualquer empresário, que antes cogitasse instalar sua empresa lá para fugir da tributação, por razões lógicas, não o faria mais, mas instalaria sua indústria ou empresa nas regiões melhores estruturadas e mais próximas de mercados consumidores mais robustos (pois a região norte também carece de mercado consumidor pujante como no sudeste do Brasil). A ZF passando a valer para todo o país, não causaria um êxodo de empresas de lá? Afinal, por que instalar uma indústria lá no meio da floresta onde, praticamente, há somente uma rodovia de entrada e saída da capital do estado enquanto posso instalar no PR, SP, SC, MG...??
    Minha pergunta é sincera. Seria realmente excelente que a ZF passasse a valer em todo territorio, mas como isso de fato não afetaria as empresas instaladas por lá?
  • Yuri  01/06/2022 12:40
    As instalações físicas já estão lá. Impossível ir embora.

    Ademais, se todos os impostos passam a ser iguais em todos os locais (segundo seu próprio cenário), por que empreendedores incorreriam neste custo tremendo de destruir instalações em um local e erguê-las novamente em outro local se o custo de produção será o mesmo?

    De resto, o governo do estado do Amazonas é livre para reduzir seus próprios impostos e incentivar a manutenção das indústrias lá.

    Dito isso, se, mesmo depois de tudo, ainda assim decidirem sair de lá, então é porque nem sequer deveriam ter ido para lá, o que significa que a medida era completamente irracional, e só ocorreu devido a uma intervenção estatal.
  • anônimo  01/06/2022 15:24
    Interferiria em nada. O único motivo da ZF era ocupar a Amazônia.
    A própria Amazônia teria mais ocupação se a zona se expandisse.
    Teria muito mais áreas ocupadas, produtivas.

    Mas se fizer isso a turma ambientalista acusa de destruir a Amazônia. O próprio estado do Amazonas teria mais empresas e arrecadação. Mas o que eles querem é protecionismo para uma área e impedir os negócios de todo o resto do território nacional.
  • Revoltado  01/06/2022 17:28
    Lembrei-me de um livro que li em 2005 intitulado "A Guerra da Amazônia"

    Nele, os EUA planificam uma invasão ao Brasil para tutelar para si a região da Amazônia Legal no réveillon de 2002 para 2003, mas no final de 2005 o Brasil vence o conflito.

    Com os olhos de hoje, vejo quão ingênuo é a obra em tela. Primeiro, teria que não ocorrer a invasão ao Iraque na época em que a história se ambienta e segundo, tal invasão faria a Esquerda latino-americana agradecer aos estadunidenses, pois teriam a desculpa perfeita para perpetuar-se no poder, inclusive no próprio Brasil, supondo que este apoiaria não apenas Cuba e Venezuela, mas também seria aliado quase certo de China e Rússia, fora quantos anos levaria para que Brasil e EUA reatassem diplomaticamente as relações comerciais. Isto se apenas os americanos tentassem penetrar o território brasileiro, obviamente.
  • anônimo  01/06/2022 22:12
    "Com os olhos de hoje, vejo quão ingênuo é a obra em tela."

    Como toda obra de ficção foge da realidade. Conheço esse livro.

    Deve-se analisar a intenção do autor. Uns dizem que ele queria fazer pensar. A questão é que alguns autores têm mesmo o talento de criar realidades paralelas. E essa agrada detratores dos EUA.

    Na realidade, a Amazônia dá prejuízo pra quem administra o território. Todo mundo sabe.
  • Ronald "Ronnie" McCrea  27/05/2022 22:45
    ''A canalhice é de quem concede a proteção (políticos e ministros do Supremo).''
    ''É para eles que deve ser direcionada a revolta. ''

    Mas muitos canais (tanto no youtube quanto no telegram) não tem coragem com medo do uber black aparecer na porta deles e irem pra cadeia. Agora, massacrar o atual presidente por tudo que tá acontecendo de errado dá nada não. Aí é fácil.
  • anônimo  27/05/2022 18:56
    Os políticos falam que zona franca é prejuízo. Claro, eles querem impostos. Na minha opinião, toda cidade deveria ter sua zona franca, de modo a gerarem emprego nas periferias. Isso frearia o processo de "favelização".
  • Guimarães  27/05/2022 18:42
    O único problema da Zona Franca de Manaus é que ela é em apenas um estado do Brasil. Deveria ser em todos. Aí não mais teria esse lobby protecionista.
  • Caio  27/05/2022 19:35
    O que realmente tem de ser feito é expandir a Zona Franca para todas as cidades do país e, em seguida, impor concorrência estrangeira a elas, zerando as tarifas de importação.

    Com perda de receitas, o estado teria de cortar gastos, inclusive e principalmente em salários de funças.
  • Imperion  27/05/2022 23:49
    O problema da zona franca é que ela não leva em consideração as vantagens locais. Sim, tem indústria lá porque foram reduzidos alguns impostos, mas só porque o resto do país paga acima…

    Se fosse tudo igual (para mais ou para menos) é difícil supor que haveria esse tipo de indústria lá dados os custos logísticos. Esses custos logísticos aliás comem uma boa parte da vantagem tributária. Imagine descer até os portos do meio do Amazonas…

    É mais uma tentativa do governo direcionar a indústria, dizer o que o local deve fazer ou produzir, sem considerar as vantagens locais.

    Alguns austríacos defendem impostos flats justamente pra não distorcer o papel dos preços de informar (claro que o ideal seria flat baixo ou nenhum).
  • Secundarista  27/05/2022 18:52
    Comprar Bitcoin agora ou esperar cair mais?
  • Meirelles  27/05/2022 19:07
    Compre todo mês. Sempre.
  • anônimo  28/05/2022 01:42
    Abaixo de 110 mil nao vai. E quanto mais perto desse valor , mais barato ele fica e maior os lucros depois pra vender na alta.
  • anônimo  28/05/2022 12:15
    Abandone a ideia de que as coisas tem valorizacao constante. Bit sobe e desce. So nao compre quando ta sobrevalorizado. A probabilidade de que vc vai enfrentar uma queda é maior.
    Compre bit porque é melhor investimento do que qualquer moeda fiduciaria. Mas aprenda a "precificar" ativos.
  • Zangado  30/05/2022 00:43
    E qual o modelo que você usa pra precificar o bitcoin? DCF? Como calcular?
  • anônimo  30/05/2022 13:16
    Esquece esses modelos prontos. Sao fórmulas temporarias.
    Olha um grafico de bitcoin desde seu lançamento. 340 mil reais tava muito acima do prorio historico. Nao se precisa de um modelo pra saber que esta sobrevalorizado.
    Faca um curso de precificacao de ativos. É o basico
    Faça a analise por si mesmo.
  • anônimo  31/05/2022 05:05
    "Precificar" btc em real é osso hein…
  • Felipe  27/05/2022 23:09
    "A Zona Franca de Manaus foi concebida em 1967 pelo então ministro Roberto Campos como um paraíso fiscal temporário (30 anos) para fomento de desenvolvimento da Amazônia. Mas, como todo programa temporário de governo, virou permanente e já garantiu por lei os primeiros 106 anos."

    É, esse programa temporário pelo menos é bom. Ele não tinha sido criado em 1957?

    Alguém aqui pode me dizer se esse ativismo judicial do STF é novidade ou sempre aconteceu? Na República da Espada, era o Executivo que interferia no STF. Hoje é o contrário. Se fosse o Lula fazendo essas coisas, teria também isso?

    As reduções do IPI são tão boas que eu não sei por que o Bolsonaro foi fazer só agora, ao invés de ter feito em 2019.
  • Fabian  27/05/2022 23:49
    Gostaria de saber porque os artigos defendendo liberação das armas continuam no site, vai demorar muito pra vocês se mexerem e se retratarem nessa questão? Vocês tem hombridade pra admitir o erro ou não?
  • Kersey  31/05/2022 13:42
    Ué, por quê? Você é contra vidas ou é só bandido mesmo? As estatísticas estão aí:

    ibb.co/VQ1tF7R
  • Revoltado  31/05/2022 14:19
    Caro Fabian,

    Que tal aproveitar todo este entusiasmo e sugerir aos soldados ucranianos, por exemplo, que, em deparando com tropas russas, lhes ofereçam livros e quiçá rosas. Talvez se reúnam em alguma praça e um deles toque no piano "Imagine", o que deverá comover aos combatentes russófonos e assim, retornem ao país natal?

    Espero francamente que entendas um dia, de que armas não matam, pessoas que matam.
  • Wagner Pires   28/05/2022 12:21
    Muito bom artigo!

    Estou sentindo falta dos artigos do mestre Leandro Roque; aqueles com gráficos e dados do Banco Central, com muitas informações relevantes e revelações certeiras da economia brasileira. Cadê o artigo, mestre Leandro?! Grande abraço desse seu fã!
  • Felipe  28/05/2022 16:26
    Também estou. O maior economista do Brasil, junto com Paulo Kogos.
  • Mauro  29/05/2022 12:56
    Aí também não né kkkkk
    Kogos é mais um barulhento fanfarrão sem muito apego ao conhecimento técnico da economia. As análises do Leandro tem base, a do Kogos é meio aleatória
  • Estudante  28/05/2022 22:50
    Pessoal me tira uma duvida, se a Russia imprimir o dinheiro que o ocidente bloqueou e logo em seguida ''queimar'' o dinheiro bloqueado (quando for desbloqueado), tem alguma problema?

    Vamos supor que eu tenho 100 rublos bloqueados em um banco americano, se a Russia imprimir esses 100 rublos e em seguidar ''deletar'' os 100 rublos bloqueados do banco americano, não resolve o problema?

    Porque veja bem, existe uma substituição e não criação de oferta monetaria. Sai no zero a zero a base monetária.

  • Professor  29/05/2022 18:24
    "se a Russia imprimir o dinheiro que o ocidente bloqueou"

    Isso não faz sentido. O Ocidente bloqueou as reservas internacionais do BC russo. Não tem como ele imprimir dólares e euros.

    Para entender melhor, veja aqui:

    www.mises.org.br/article/3406/as-devastadoras-e-atomicas-sancoes-lancadas-pelo-ocidente-contra-a-economia-russa
  • anônimo  30/05/2022 11:00
    Alguém sabe explicar por que o rublo tá mais caro agora que antes da guerra?
    Mesmo com todas as sanções o rubro já recuperou tudo e mais um pouco
  • Trader  30/05/2022 13:03
    O governo russo disse que só iria continuar vendendo gás e petróleo para os europeus se eles pagassem em rublos. Logo, europeus têm de trocar euros por rublos. Isso aumenta a demanda por rublos.

    Ou seja, Putin (o mais beneficiado pela agenda ESG) espertamente impôs: "Querem meu gás? Então utilizem seus euros para comprar meus rublos aí na Europa, e então utilizem estes rublos para comprar meus gás!"

    Em termos de medida estratégica, foi muito boa para o curto prazo (pois estancou a queda do rublo). Mas, no longo prazo, não faz sentido nenhum você exportar uma mercadoria em troca da própria moeda nacional. Afinal, você exporta para obter divisas e, com isso, importar bens. Se você exporta e ganha apenas a moeda nacional, você empobrece duplamente: fica sem menos recursos físicos domesticamente, e não tem divisas para importar.

    Adicionalmente, a elevação da taxa básica para 20% foi crucial. Ela desestimulou os russos a se livrarem do rublo em troca de moedas estrangeiras.

    Dito tudo isso, vale lembrar que o rublo se fortaleceu, mas os russos continuam sem acesso à moeda forte. Não conseguem importar. Logo, por ora, tudo não passa de miragem. Na prática, o rublo não é mais conversível e pouquíssimas transações ocorrem a esta taxa. Russos não mais conseguem converter rublos em moeda estrangeira nenhuma.

    As condições financeiras do país continuam bastante deterioradas.

    As exportações de energia seguem acontecendo, mas é só.
  • Felipe  30/05/2022 15:25
    É possível fazer essa analogia com o que acontece com o peso argentino? Será que há um câmbio paralelo na Rússia também?
  • Trader  30/05/2022 16:58
    Há dois câmbios na Argentina. O oficial, controlado pelo governo, e o blue, que é o paralelo e representa mais acuradamente as condições do país.

    O oficial custa 120 pesos.

    br.investing.com/currencies/usd-ars

    Já o dólar blue custa 207 pesos.

    dolarhoy.com/cotizaciondolarblue


    O cidadão argentino não tem acesso a dólares pela cotação oficial. Tem de comprar no paralelo, mas tal prática é considerada criminosa e pode dar cadeia.

    Já o oficial vale apenas para empresas que têm conexões com o governo.

    Não sei se isso se assemelha à atual situação russa, pois o país não tem acesso a capitais estrangeiros por causa de sanções, e não por causa de lambanças econômicas, como é o caso da Argentina.

    Ademais, na Rússia o câmbio tem se apreciado tanto no oficial quanto no paralelo (no paralelo o dólar é 20% mais caro que no oficial), ao contrário da Argentina, em que ele só afunda.
  • Paulo  30/05/2022 20:13
    Parece que existe esse cambio paralelo até para o Real. Fui para a argentina faz uns dias e estava 0,028-29 pesos no comércio, mas pesquisando na internet o oficial parece ser 0,41...

    O Real vira o Franco Suíço na argentina, infelizmente. Para nós, vários produtos ficam baratos e acessíveis, ao ponto de compensar fazer uma viagem de 110 Km.
    Como parece que não existir um congelamento de preço estilo venezuelano, eles tem inflação alta, mas sem falta de produtos..
    Algo estranho é que alguns produtos parecem ter qualidade superior aquelas vendidas no Brasil, mesmo com a moeda deles em frangalho.
    Os comércios aceitam real. O que só denota como é relativalemente simples acabar com um problema inflacionário, basta quebrar o monopólio da moeda.. Do dia para a noite a argentina estaria estabilizada. Sem exagero ou eufemismo
  • Felipe  31/05/2022 11:58
    Será que seriam produtos de exportação, por serem superiores? Sei de que exportam queijo para os americanos.

    De qualquer forma, isso mostra a importância da moeda. Se liberassem o real como moeda corrente, resolveria muita coisa. Ou melhor, imitar o Peru e liberar concorrência com o dólar americano.
  • Fábio Miranda  29/05/2022 15:27
    Bom texto
  • AGB  29/05/2022 19:17
    Não existem "paraísos fiscais" (tax heavens). Mas sim "refúgios fiscais" (tax havens). São regiões onde uma pessoa ou empresa pode colocar seu acervo monetário a salvo da ganancia estatal. Daí a denominação original (haven) que significa porto seguro, refúgio. Note-se que a pronúncia é diferente: "heaven" soa mais ou menos como "rÉvin"; já "haven" diz-se "rÊIvin". A maiúscula indica a sílaba tônica. Naturalmente os estatólatras trataram de aplicar um viés depreciativo à expressão original.
  • Felipe  30/05/2022 22:53
    O problema é o "estado forte" (que, por sinal, lembra Benito Mussolini e Getúlio Vargas). Ora, é exatamente isso que o Brasil se depara há séculos. É o indivíduo que precisa ser forte, no sentido do individualismo e de ter seus direitos individuais respeitados. Uma coisa tão básica e que se falava já na época dos escolásticos.

    E as críticas dele ao governo Bolsonaro são bastante vazias, mesmo eu não sendo bolsonarista. Por que não mencionou as reformas passadas, como a Lei do Ambiente de Negócios, a Lei da Liberdade Econômica, eliminação de NRs? São coisas pequenas, mas são sim relevantes e de certa forma estão dando um alívio aos negócios durante a recuperação econômica brasileira durante essa farra de trancamentos.
  • Wesley   30/05/2022 22:40
    O pior que isso confirma a tese de que votar não adianta nada. Você vota em deputados, senadores, governadores liberais/libertários que vão reduzir as tarifas de importação e o STF simplesmente veta e proíbe. Então pra que ter eleições se o Brasil é governado por uma ditadura de autocratas do STF? A decisão que é tomada pelos governantes eleitos pelo povo não vale nada. Só aquilo o que o STF não proibir. Vivemos definitivamente a ditadura do judiciário com a complacência da mídia vendida (e se você criticar, você vai ser recebidos por agentes da PF na sua casa).
  • Artista Estatizado  31/05/2022 18:29
    Me permita uma correção: o Brasil não é governado pelo STF. É governado pela esquerda, que, no momento atual, em muitos casos atua formalmente através do STF.

    O STF não pode fazer o que quiser, sem sofrer consequências. Ele pode fazer aquilo que agrada a esquerda, incluindo a esquerda em nível internacional.

    O STF não pode, por exemplo, reduzir os salários dos deputados, desburocratizar completamente a economia, e acabar com as emendas parlamentares. Caso isso fosse feito, imediatamente seria aprovado o impeachment de ministros do STF.

    Se isso é verdade, então por que parece que o STF toma essas decisões unilateralmente? Ora, a resposta é que não toma. Tudo que eles fazem é alinhado antes com os outros comparsas: senadores e deputados de esquerda, esquerdistas no ministério público, esquerdistas na polícia federal, artistas de esquerda, rede globo, facebook, youtube, google etc. Tudo feito em jantares particulares, ou as vezes nem tão escondidos assim.

    Ou seja, de nada adianta ter alguns gatos pingados em posição de poder, e que defendam a liberdade. São necessários 10.000 Elon Musks para se começar a pensar em um mundo com algum nível mínimo de liberdade.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  01/06/2022 02:43
    Boa observação. O STF ratifica, juridicamente, os ditames da patota. Da mesma forma, o sistema de ensino faz educacionalmente a mesma coisa; a imprensa mainstream formaliza midiaticamente e assim por diante.
  • Alberto Furtado de Oliveira  31/05/2022 20:46
    Dá uma desânimo enorme. Não bastasse as dificuldades no Congresso, agora o Judiciário se arvora em paladino do atraso nacional, dando voz e vez a inúmeros setores corporativistas que se agarram a seus privilégios com unhas, dentes, ameaças e violência. O próprio Judiciário, junto com o MP e OAB, são carteis de privilégios indecorosos. Somam-se a esses os carteis corporativistas dos Cartórios e do Sistema S. Nunca entendi a necessidade desses dois.
    Enfim, tá difícil!!!


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